É… ao que tudo indica chegou mesmo a hora do nosso ex-rival colorido acertar as contas com o passado. É o desempenho do time contra o Marília, no último dia 28, e não a matemática, que evoca o fantasma da terceirona lá nas bandas do Pici. Pois foi nesta partida que ficou patentemente demonstrada a absoluta incapacidade do time, tanto tecnicamente como psicologicamente, para a reação. Afinal de contas, os coloridos levaram um gol aos quatro minutos do primeiro tempo e, mesmo jogando em casa contra um time ruim e dispondo de mais de uma hora e meia para botar moral e condizer com a manjadíssima bazófia dos seus torcedores, foram incapazes de empatar e virar o jogo. Ao que se assistiu foi um lídimo espetáculo de nervosismo e de desorganização em campo. Convenhamos, nesta altura do campeonato e com a tabela extremamente desfavorável, fica mais do que justificável a necessidade de se providenciar logo a compra de meiões à prova de carrapicho e repelente de muriçoca.
Acaba de sair no UOL: Eduardo Paes vence, por pequena diferença, no Rio de Janeiro. Apesar de ter sérias restrições a esse tipo de político oportunista que muda convenientemente de lado, não consegui reprimir um sorrisinho de satisfação por mais uma derrota da esquerda prevaricadora que esconjura o governo Lula enquanto se une ao pior e mais reacionário submundo da política brasileira.
Esta belíssima foto do craque Falcão foi feita pelo meu amigo Zé Rosa, fotógrafo da FIFA e cearense da gota serena, no último mundial de Futsal. Impossível não lembrar de foto semelhante, só que do Rei, feita por Alberto Ferreira, na década de 60, no Maracanã. Prova incontestável do talento do Zé, herdado do seu saudoso pai, Zé Rosa Araújo, que, durante muitas décadas, foi fotógrafo do Jornal O Povo.
Depois de uma mudança de apartamento e tendo ficado quase dez dias sem telefone e sem internet por conta da incompetência da Óóóóóóóiiiiii, volto, finalmente, ao mundo civilizado!
Pronto, taí a crise. Ao longo dessas duas últimas semanas, e como não poderia deixar de ser, a grande imprensa espalhou a rodo as “abalizadas” análises dos economistas.Bom, creio já ter alguma experiência de vida para não confiar nas análises e previsões desses inefáveis seres. Principalmente nas épocas de crise. Economistas, como é sabido, são como os técnicos de futebol: a maioria entende muito pouco do seu métier. Poucos são aqueles que manifestam uma visão sistêmica da coisa. Ou que conseguem fazer análises levando na devida conta os fatores históricos. Esses “cabeças de planilha”, como bem os diagnosticou Luís Nassif, não conseguem enxergar nada que esteja além do seu mundinho colorido de gráficos e tabelas. É o caso, por exemplo, daqueles, de programação neoliberal, que ainda deram contundentes declarações manifestando preocupação com os gastos públicos. Pois então! Eles não se tocam de algo básico: quando a crise é grave, os investimentos privados são os primeiros a serem mandados para as calendas. Sobra apenas o velho e bom Estado para injetar dinheiro na economia e impedir o aprofundamento ainda maior da recessão. Foi assim na década de trinta, nos EUA, quando, para o ódio dos “analistas mudernos”, o governo Roosevelt iniciou um programa de obras públicas que deu um mínimo de fôlego à economia americana até que a Segunda Guerra Mundial pusesse termo aos dez anos de depressão econômica causada, quem diria!, pela irresponsável especulação dos mercados financeiros sem as devidas peias. Por aí podemos depreender a farsa da modernidade da economia de mercado.
Ocorre que os tais especialistas econômicos não se dão ao menor trabalho de perderem o sono por causa dos padecimentos da choldra. Isso é coisa de populista. Para essa turma, de mentalidade impregnada pelos códices do Consenso de Washington, a racionalidade obriga à perseguição do melhor ambiente econômico e financeiro possível para a nidificação do lucro privado. Se as demandas da patuléia desvirtuam os gráficos, às favas com elas. E assim, sem o menor constrangimento, vão empurrando, em doses fartas, teorias econômicas sem lastro na realidade e na lógica, cevando a especulação e contando com a conivência da mídia que trata de exilar as opiniões contrárias e as advertências. É, sem tirar nem pôr, o que ocorreu nos últimos trinta anos. Nesse período, o mundo foi persistentemente atazanado pela homilia da racionalidade dos mercados financeiros, da necessidade da desregulamentação da economia, das vantagens do Estado Mínimo e da inultrapassibilidade do capitalismo contemporâneo. Até parece! Ao final, quando a realidade termina por dar cabo das teorias, é a vez do povão ser chamado para prover o necessário linimento para as aflições dos “mercadistas”. Eu disse necessário porque, depois de feita a imundície, as graves conseqüências recaem sobra a cabeça de toda a sociedade e, principalmente, da parcela mais vulnerável da população que não tem como proteger o seu emprego e o seu salário. Bem ao contrário dos especuladores, dos economistas e dos jornalistas levianos cujas pomposas caras, solenes e cínicas, na televisão, oferecem a convicção irretorquível da infinitude da hipocrisia humana.
Ora, ora, ora... Como vou dormir com um barulho destes? Caríssimos leitores, se existe alguém decente em meio à cambulhada moralmente indigente que infesta o espectro político cearense, é o deputado Heitor Férrer. Desde o início, Heitor posicionou-se contra o estupro do seu partido, o PDT, pelas hostes tassistas a impor a candidatura à prefeita do seu pau-mandado, a senadora Patrícia Gomes, na eleição municipal recém-finda. A tal senadora não se fez de rogada em abandonar o PSB e mudar-se despudoradamente para o partido que, certa feita e em tempos idos, foi brizolista. Tudo com a cumplicidade do atual presidente estadual do partido, André Figueiredo. Heitor Férrer recusou-se a compactuar com o conluio e manteve distância sanitária da campanha da senadora que amargurou um merecido terceiro lugar com apenas 183.136 votos (15,47%). Bem menos do que o obtido por ela em 2000 quando foi candidata a prefeita pela primeira vez. Alguém já disse que pior do que perder uma eleição, é sair dela menor do que se entra. É este exatamente o caso da senadora Patrícia. Bem feito.
Já o ex-deputado André Figueiredo, ao invés de permanecer calado, resolveu bodejar e questionar a postura do ínclito deputado Heitor Férrer, afirmando que a direção do partido vai discutir o seu comportamento. Disse o dito cujo para o blog de política do Jornal O Povo:
“Nos próximos dias, vamos discutir a abstenção do Heitor. É lamentável ele não ter participado. Nosso crescimento precisa do engajamento de todos. A saída dele não vai ser objeto de discussão. Se ele quiser sair, vai ser uma decisão dele, mas sua postura vai ser questionada”.
Crescimento? De que forma? Transformando o partido em valhacouto para as maquinações do senador mustelídeo? Como eu sei que vergonha na cara tem distribuição pior do que a renda da população cearense depois de quase vinte anos de tassismo, tenho a clara certeza que André Figueiredo prefere ignorar a ensurdecedora verdade de que tivesse sido Heitor o candidato pedetista, provavelmente o desempenho eleitoral do partido teria sido muito melhor. Ou, por outra, Heitor Férrer teria sido o único candidato politicamente consistente para enfrentar a atual prefeita nas urnas. Além disso, se, para André Figueiredo, a postura de Heitor Férrer foi lamentável, qual deve ser a opinião dele sobre o comportamento do deputado Federal Ciro Gomes que, desprezando o compromisso da fidelidade partidária para com o seu partido, o desconsiderado PSB, engajou-se de corpo, alma e língua grande na campanha da ex-consorte? Ou, ainda, sobre a atitude dele próprio que, nas eleições para governador em 2006, cristianizou o candidato do partido, Pedro Albuquerque?
Caso o deputado Heitor Férrer saia ou seja expulso do partido, pior para o PDT que afundará ainda mais no lamaçal da mediocridade a que foi lançado pela sua direção. Quanto a Heitor, deitará em paz na certeza de ter honrado o seu nome, a sua história e os seus eleitores.