Para aqueles que estranharem os onze nomes na lista, eu digo que o Espírito Santo são três pessoas distintas, os três mosqueteiros são quatro e eu não podia deixar "Penny Lane" de fora.
O Jornal “O Povo” de hoje publica reportagem mostrando a revolta do governador Cid Gomes (PSB) com a reportagem da VEJA desta semana que denuncia os gastos da sua administração com as contratações de bandas de forró, sem licitação, para animar eventos oficiais. Segundo a revista (ou seja lá o que aquilo for), o Governo do Ceará já despendeu cerca de R$ 330.000,00, desde abril deste ano, com as ditas bandas supostamente musicais. E, para piorar a maldade, a revista (?) ainda relacionou esses gastos com aqueles da viagem à Europa, de jatinho fretado, no início deste ano.
“Eu vou processar a revista VEJA”, bradava, lá do Crato, com ganas de visigodo contra a “imprensa livre”, a revoltada autoridade que logo se apressou a esclarecer que não tem como legalmente fazer uso de licitações para contratar as tais bandas.
Pois bem. Deste imbroglio, são três as observações que se impõem:
1 – O fato de a denúncia ter sido publicada pela VEJA já conta pontos a favor do governador.
2 – Dada a disposição da VEJA para servir aos interesses da plutocracia tucana paulista, fica clara a intenção da revista (?) de, na verdade, atingir o irmão do governador cearense e candidato recorrente à Presidência da República, Ciro Ferreira Gomes.
3 – Ainda que a lei permita a contratação dessas bandas sem licitação, nada justifica o gasto dessa quantia em dinheiro com coisas tão supérfluas e nocivas quanto essas estridentes bandas de forró. Enquanto isso, pesquisadores da Universidade Estadual do Ceará ficam a mendigar um aporte de reles R$ 500.000,00 para prosseguirem as suas pesquisas de uma vacina e de um diagnóstico mais eficaz contra a dengue.
Pois é... O tempo vai passando e a tacanhez dos nossos governantes permanece tão inabalável quanto um granadeiro de Napoleão sob fogo cerrado. Enquanto isso, como na letra do antigo samba, vão, aos poucos, esvanecendo as minhas esperanças e a minha convicção na utilidade do voto como instrumento de mudanças.
Vai aqui uma dica de um site muito legal: o Vozes Brasileiras. Trata-se uma página onde você pode encontrar trechos de interessantíssimos arquivos de áudio como, por exemplo, o primeiro registro da voz humana realizado por Thomas A. Edson, uma fala do vetusto Imperador da Áustria Francisco José I, a última transmissão do Repórter Esso, na compungida voz de Heron Domingues, a célebre transmissão de Orson Wells noticiando uma invasão de Nova York por seres extraterrestres, em 1938, um dueto do “Rei da Voz”, Francisco Alves com Dalva de Oliveira, a transmissão da Copa de 70 na voz do mais vibrante (“olha lá, olha lá, olha lá no placarrrr!”) narrador esportivo brasileiro, o saudoso Geraldo José de Almeida, com os comentários do não menos saudoso João Saldanha, parte de um discurso de Getúlio Vargas no primeiro de maio, e por aí vai. Só falta mesmo o gol do primeiro tetracampeonato do Vozão, em 1978, na voz de Gomes Farias, talvez o mais reproduzido em toda a história da radiofonia mundial e considerado, pela torcida, quase um segundo hino do clube.
Conforme o previsto, o Presidente do STF, Gilmar Mendes, já se avexou a mandar soltar a quadrilha de Daniel Dantas, incluindo o próprio. A alegre trupe já deixou o xilindró ontem à noite em seus carrões de luxo. Como é do seu estilo, o ínclito ministro ainda aproveitou para passar um sabão na Polícia Federal, no Ministério Público e no juiz que ordenou a prisão dos elementos. Para tanto, Gilmar Mendes alegou a desnecessidade da prisão, além da ilegalidade da mesma. O jurista e presidente do Instituto Brasileiro Giovani Falconi, Walter Fanganiello Maierovitch, discorda frontalmente, declarando ter havido precipitação do ministro. Até a minha "ídola" se indignou. A julgar pelo seu notório comportamento e a presteza da sua discutível decisão, não acredito que o ministro Gilmar esteja preocupado em servir de exemplo para quem quer seja. O lastimável precedente já havia sido dado pelo "líder do PSDB no Supremo", Marco Aurélio de Melo, que mandou soltar o banqueiro Cacciola para, na seqüência imediata, assistirmos à fuga do bandido "carcamano" para o exterior. Enfim, só podemos lamentar. Por último, fica a questão: o que seria do combate à mafia e ao crime organizado, levado à cabo com tanto sucesso nas últimas duas décadas na Itália, se nesse país peninsular existissem juízes de tribunais superiores semelhantes ao nosso prestimoso presidente do Supremo?
E por falar no Rei, o golaço que o atacante do Vozão, Vavá, marcou, ontem, contra o Criciúma merece figurar como uma bela homenagem ao garoto Pelé na Copa de 58.
Quem é aquele moço com a bola no pé? É o Reeei Pelé...!!!
O amigo André Lino enviou-me este estupendo vídeo que, de tão bom, acabei por postá-lo no You Tube. A seqüência de imagens mostra cabalmente porque Maradona foi o melhor jogador de futebol de todos os tempos. Sim, amigos, os argentinos têm plena razão. Simplesmente porque Pelé não foi um reles jogador de futebol. O homem foi alguma coisa diferente. E muito superior.
O título deste "post" foi tirado do refrão de um samba, interpretado pelo ótimo Jackson do Pandeiro, utilizado para a produção de um clipe semelhante exibido no documentário “Pelé Eterno”.
É, parece que alguma coisa mudou mesmo nestepaíz nos últimos cinco anos. E para melhor. A intrépida Polícia Federal acabou por prender os notórios baluartes do crime do colarinho branco Daniel Dantas, Naji Nahas e Celso Pitta. Acusados de chefiar organizações criminosas para lavagem de dinheiro, evasão de divisas e desvio de dinheiro público, a trinca vai experimentar, merecidamente e por algum tempo, os dissabores da prisão e o constrangimento da execração pública. Mudamos para melhor, mas, nem tanto. Dada a costumeira leniência do Poder Judiciário brasileiro com as bandalheiras no topo da nossa injusta pirâmide social, não acredito que o trio vá passar muito tempo enjaulado. Aliás, não consigo entender porque aquele outro bandidão, egresso da Itália, Salvatore Cacciola reluta tanto em voltar para o Brasil onde poderá desfrutar, com todos os direitos que as brechas da lei brasileira lhe faculta, das delícias da pusilanimidade dos nossos juízes, principalmente os dos tribunais superiores. Como é sabido do distinto público eleitor e pagador de impostos, no Brasil só existem brechas na lei para libertar criminosos. Nunca para mantê-los presos. Por falar nisso, devemos aguardar, para qualquer momento, mais uma severa declaração do Presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, em defesa do estado de direito, ante os gravíssimos acontecimentos de hoje.
Vejo, no UOL, a prosaica manchete: “Helicóptero faz pouso forçado em cemitério de São Paulo”. Bem, bem. Isso me faz lembrar de antiga piada: há cinco anos, um helicóptero caiu no cemitério de Lisboa. As equipes de resgate lusitanas estão, até hoje, recolhendo os corpos.
E o Fluzão, hein? Depois de todo aquele alvoroço, acabou perdendo o título da Libertadores para o improvável LDU de Quito. Apesar de vascaíno, não me furtei a ficar acordado até uma da matina para torcer pelospós de arroz. Infelizmente, não deu. Mas, convenhamos, assim como em 1976 contra o Corinthians, mais uma vez, o time das Laranjeiras amarelou na cobrança dos pênaltis diante da sua aflita torcida. Cada vez acredito mais que esse negócio de amarelar é mesmo coisa de time tricolor. Aqui mesmo, no Ceará, tem um outro que, acometido da icterícia pulsilânime, vez ou outra, vacila diante de um certo alvinegro. Enfim, a derrota tricolor não deixou de recender um pouquinho aquele trágico maracanazzo na final da Copa de 50, momento da mais célebre amarelada da história do pebol mundial. O negócio foi tão sério que a seleção brasileira adotou o amarelo como uniforme oficial para, anos depois, reabilitá-lo a fulminantes talhos de habilidade plástica engendrados pelos gênios de Pelé e Garrincha.
O cangaceiro e o intrépido mascate que afrontaram os "poderes constituídos"
Permanece até o dia 03 de agosto do corrente, no Centro Cultural Dragão do Mar, em Fortaleza, a interessantíssima mostra “Cangaceiros – Lampião e sua gente”, onde são exibidas cerca de 100 fotografias de Lampião, Maria Bonita, Corisco e seus cangaceiros, além de armas, vestimentas e objetos pessoais. Tudo isso complementado por um vídeo de 11 minutos onde o cangaceiro mais célebre do Nordeste e seu bando posam e exibem detalhes de sua vida doméstica na caatinga. Tanto o vídeo como a maior parte das fotos do bando de Virgulino foram feitos, em 1936, pelo mascate sírio-libanês Benjamin Abrahão Botto que, fugindo da convocação para o serviço militar junto ao exército britânico, emigrou para o Brasil em 1915. Para tanto, depois de um intenso e cuidadoso trabalho de aproximação, a deixar qualquer comandante de volante convulsionando de inveja, Abrahão pediu e conseguiu do próprio Lampião autorização para a tal empreitada visual. O encontro se deu numa localidade chamada “Bom Nome”. Quem não gostou nadinha foram as autoridades da época, principalmente as do governo Vargas, que se sentiram ultrajadas pela descontração, ofensiva para eles, de um bando de foras-da-lei insolentes a dançarem forró e exibirem, entre vira-latas, sorrisos e gargalhadas, técnicas de movimentação e combate na caatinga. Além disso, desconfiavam do envolvimento de Abrahão com a caterva “lampiônica”, pois ele, além de ter conhecimento do paradeiro do bando, ainda enviava material para os jornais da época. Sem falar nas imagens, como esta exibida acima, em que o nosso herói se confraterniza alegremente com o líder cangaceiro. Finalmente, Abrahão ainda obteve do cangaceiro um último obséquio na forma de uma nota, escrita de próprio punho por Lampião e exibida ipsi literis logo abaixo, atestando a autenticidade do trabalho.
Coincidência ou não, no ano de 1938, poucos meses antes da morte do cangaceiro, Abrahão acabou assassinado, em Serra Talhada - PE, com 42 facadas. Todo o seu material já havia sido apreendido, no ano anterior, pelas autoridades “constituídas". Somente em 1969, os herdeiros do intrépido mouro conseguiram, através de uma ação na justiça, a liberação do material, hoje considerado de suprema importância histórica.
“Ilmo Sr. Benjamin Abrahão
Saudações
Venho lhi afirmar que foi a primeira peçoa que conceguiu filmar eu com todos os meus peçoal cangaceiros, filmando assim todos us muvimento da noça vida nas catingas dus sertões nordestinos. Outra peçoa não conciguiu nem conciguirá nem mesmo eu consintirei mais. Sem mais do amigo