Estarei viajando neste final de ano. Volto dia primeiro. Desejo a todos os leitores que enriqueceram este blog um ano novo extremamente feliz e, acima de tudo, de muita paz! Até breve!
Nos últimos dias, andaram divulgando na imprensa uma auspiciosa notícia de que o PIB brasileiro estaria em 6° lugar no novo ranking do Banco Mundial. Ledo engano. Na verdade, o que ocorreu foi que o citado banco aplicou um critério de arredondamento que acabou nos colocando em pé de igualdade com o Reino Unido. Tudo o que estivesse acima de meio ponto percentual foi arredondado para a unidade imediatamente acima e o que estivesse abaixo, para aquela imediatamente abaixo. Desta forma, os nossos 2,88 % do PIB mundial acabaram virando 3%, enquanto os 3,46% dos britânicos foram derrubados também para 3%. A tabela, publicada pelo Banco Mundial, agrupa os países por regiões. Vejam lá, na terceira coluna, a nossa contribuição real para o PIB do planeta: 2,88%. A diferença de 0,12% representa a bagatela de U$ 66 bilhões. Ao invés da 6ª posição, caímos para a 10ª, a U$ 319 bilhões de distância do Reino Unido. Nada desprezível, convenhamos. Motivo mais do que suficiente para os dragões da maldade que infestam o solo pátrio erguerem brindes. Eu, hein? Tem gosto pra tudo. Mas, não era a esquerda que apostava no quanto pior melhor? De minha parte, fico a refletir onde estaríamos se não tivéssemos perdido tanto tempo e riqueza com todos esses anos de nefasta política econômica neoliberal da qual temos muita dificuldade em nos livrar. Um dia chegaremos lá.
Pirro (318 a.C.-272 a.C.), rei do Épiro e da Macedônia era poderoso. Com seu enorme exército de 2.000 arqueiros, 3.000 cavaleiros, 20.000 tropas de infantaria e 19 elefantes, conseguiu derrotar os romanos na Batalha de Ásculo. Porém, não teve ânimo para comemorar. As baixas foram tantas e tão importantes que o rei se viu obrigado a reconhecer: “Mais uma vitória como esta e estarei acabado!” Pois bem. Não posso deixar de imaginar a memória do infeliz rei grego transcendendo a vitória oposicionista de ontem na votação da CPMF. Afinal de contas, contra a vontade dos governadores pessedebistas, principalmente Aécio e Serra, e de algumas lideranças mais dispostas a seguir negociando com o governo, como Tasso Jereissati e Sérgio Guerra, ergueram-se FHC e seus apaniguados e impuseram a sua vontade sem pensar nos custos da intransigência para o país e para o próprio partido tucano.
Para o país, fica claro que não se pode cortar, literalmente, da noite para o dia, R$ 40 bilhões do orçamento e achar que as conseqüências não irão advir. A imprensa conservadora não perdeu tempo em prescrever corte de gastos ao governo. Corte de gastos sociais, bem entendido, o que eles não têm peito para deixar claro para o povão. Além disso, grassa a expectativa do que o governo vai fazer para tapar o rombo. Possivelmente, aumento de outros impostos, corte de repasses aos estados, o que deixará os governadores “fumando numa quenga”, para usar uma expressão bem cearense, ou diminuição do notório superávit primário. A última hipótese poderá exercer forte influência na próxima reunião do COPOM, com grande possibilidade de acarretar aumento dos juros e a desaceleração do crescimento do país, a satisfação dos sonhos da oposição selvagem e incompetente.
Quanto ao PSDB, que futuro pode ter um partido cuja maior liderança é FHC, o huno? Será que Aécio e Serra, ambos com aspirações presidenciais, vão se conformar em ver o impopular ex-presidente botar o baralho na mesa do partido? Como fica a situação do desprestigiado e constrangido presidente tucano, Sérgio Guerra? Além disso, ficou evidente a insatisfação de boa parte dos próceres tucanos com o radicalismo tacanho do cabeludo líder, Arthur Virgílio, o preposto de FHC, o bárbaro. Sem falar do risco que os tucanos correm, agora, de assistir aos pefelistas do DEM surrupiarem-lhe a maior parte do eleitorado conservador. É desta forma, dividido, assustado e contaminado por rancores contidos, que sai o principal partido de oposição brasileiro apesar da aparente e decantada unidade celebrada pela maior parte dos comentaristas da grande imprensa. A quietude do PSDB se assemelha àquela do monturo de lixo que queima por dentro, mas não mostra o fogo. No entanto, pode-se sentir o cheiro da fumaça.
Como se não bastasse, tucanos e pefelistas do DEM entregaram, numa bandeja, um poderoso discurso para os políticos governistas a ser usado maciçamente nas próximas eleições. É evidente que a acusação de desprezo pelas camadas mais pobres, atirada dos palanques petistas, cairá sobre a cabeça da oposição. Vamos ver se os candidatos oposicionistas vão se sair bem ou vão ficar gaguejando novamente. Por falar em levar na cabeça, informo que o belicoso Pirro, atual patrono da oposição beligerante, terminou os seus dias numa batalha, na cidade grega de Argos, quando foi morto por um soldado inimigo depois de atordoado com uma prosaica pedrada na cabeça. Muito sugestivo.
É, caríssimos leitores, a coisa parece não ter fim. Mal assumiu a cadeira de presidente do Senado, o senador Garibaldi Alves já foi confrontado com duas acusações do Ministério Público. Segundo a Folha de São Paulo, são duas as acusações: a primeira, por pagamentos ilegais de despesas da campanha ao Senado em 2006. A outra, por envolvimento em esquema de desvio de verbas no Programa do Leite na sua gestão como governador do Rio Grande do Norte (1995–2002). O senador, é claro, nega veementemente o seu envolvimento nos dois casos. Porém, a piada ficou por conta do senador Sérgio Guerra (PSDB–PE), presidente do partido tucano: "A denúncia não representa muita coisa. Deve ser investigada, mas queremos trabalhar com matéria julgada. Pré-julgamento não é da nossa natureza”.
E por falar em imprensa complacente, admito que, desde ontem e com muito gosto, venho sustentando um risinho cínico de satisfação com a derrocada corintiana de ontem. E explico por que. Apesar de não ser torcedor colorado, fiquei bastante indignado com o desfecho do campeonato brasileiro de 2005, quando o Internacional gaúcho foi literalmente roubado pela CBF que decidiu entregar o título para o Corinthians. Um dos muitos acontecimentos sórdidos que entulham a história do futebol desta botocúndia. Tudo feito com a aprovação da imprensa esportiva do sudeste. A mesma que agora chora o rebaixamento do “timão”. Agora, quero ver a Globo transmitir Corinthians e Bragantino, para todo o Brasil, nas tardes de sábado. E o que deve ter de torcedor colorado de riso solto com a “gloriosa” derrota de ontem...
Chávez foi derrotado no referendo de ontem. Ao reconhecer a derrota e parabenizar os adversários, o “perigoso ditador” saiu-se melhor do que o “democrata” FHC que fez o país inteiro engolir a emenda da reeleição, sem referendo, enquanto passava o rolo compressor no Congresso Nacional, comprando votos, sob as vistas complacentes e cúmplices da grande imprensa, a mesma que, agora, ataca Lula e Chávez, acusando-os de intenções autoritárias e continuístas.
Aliás, quem lembra que o nefasto FHC (um dos piores governantes brasileiros desde que Tomé de Souza desembarcou na Bahia no século XVI) apoiou alegremente o terceiro mandato de Alberto Fujimori do Peru, este, sim, governante autoritário, além de extremamente corrupto? Não é para menos que, próximo de ser julgado por crimes de corrupção, tráfico de armas e genocídio, chamou o seu grande amigo FHC como testemunha de defesa. Poderia chamar também os patrões midiáticos brasileiros, bem como, os seus sabujos das redações. Quem sabe até uma sessãozinha espírita para tomar o depoimento do Roberto Marinho? Ele poderia ser de grande valia...