O LÁTEGO


Cearês

Esta, eu peguei dos 3 amigos:

 

Só Cearense entende:


Chico, cabra errado e bonequeiro, já melado, depois de traçar um burrinho e duas meiotas , vinha penso, cambaleando, arrudiando o pé de pau , quando deu um trupicão que arrancou o chaboque do dedo. Diabeísso? Vai, cú de cana! Mangou a mundiça que estava perto. Aí dento! Disse Chico.
Chico estava ariado desde ontonti, quando o gato-réi que ele acunhava lá na baxa da égua, bateu fofo com ele pra ir engabelar um galalau estribado da Aldeota. É o que dá pelejar com canelau, catiroba, fulerage, pensava ele. Ganhei um chapéu de touro, mas não tem Zé não, aquela marmota tá mermo só o buraco e a catinga. Dá é gastura! Chegando em casa, se empriquitou de vez e rebolou no mato todas as catrevage da letreca: uma alpercata, um gigolete amarelo queimado e uns pé de planta que ela tinha trazido enquanto iam se amancebar. Depois se empanzinou de sarrabui e panelada e foi dormir pensando nas comédias.

(Eita, que desta vez o verificador de ortografia do Word quase abirobou!)

 

* Se não conseguir entender, peça a um cearense pra traduzir.

 

Se preferir, é só clicar e boa sorte!:

 

http://www.ceara.com/dicionario.htm

http://www.mpinfo.com.br/phpBB2/viewtopic.php?p=65664&highlight=&sid=135274f779d7b98737ad52b319b74636




 



Escrito por VT às 23h04
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Auto-crítica e recaída ou destucanizar é preciso

René Magritte - La reproduction interdite 1937

Caríssimos leitores, por uma premente necessidade de consciência, devo reconhecer que este blog tem se tornado político demais. Não era esta a minha intenção ao criá-lo em outubro do ano passado. Logo no primeiro “post” deixei claros os objetivos desta discreta página: Este blog destina-se à apreciação de fatos e ocorrências presentes e passadas, quem sabe até futuras, que têm influência nas nossas vidas, direta ou indiretamente. Além disso, como o nome da página sugere, é também um espaço para rir e chicotear o mau gosto, as imbecilidades, as vilanias e outros vilipêndios que infestam o mundo e estes trópicos "del sur". A mídia, aqui, terá uma atenção toda especial. Mas, há ainda espaço para a beleza, a arte, a ciência, o cinema, o futebol e tudo aquilo que nos permite também dar amanho à esperança na regeneração do gênero humano.

Era isso. Deveria eu discorrer sobre assuntos diversos e não ficar sambando quase que unicamente no enredo político. No entanto, por conta da forma selvagem com que tradicionalmente se faz política na América Latina, especialmente no Brasil, vejo-me o tempo todo confrontado com absurdos impossíveis de serem ignorados. E, pior ainda, desde que políticos e partidos de esquerda passaram a ter vez e vêm, progressivamente, assumindo o poder neste subcontinente adentro, não se passa um único e escasso dia sem que me caia uma babaquice nova na cabeça atirada pelos caetés da mídia a pregar o fim dos tempos enquanto devoram o senso crítico da sociedade. Sem falar na revoltante e desmedida homogeneidade das opiniões alastradas pela coletividade, reflexo da supremacia exercida pela mídia conservadora que nega, peremptoriamente, o direito do público ao contraponto, à opinião contrária. Todo dissenso é tratado a chineladas, quando não ignorado. Aí não dá pra ficar quieto. Principalmente sabendo que as bobajadas serão repercutidas, com ares de inteligência, pelo segmento bitolado e acomodado, possivelmente hegemônico, da classe média que, por uma preguiça atávica, anseia para que lhe balizem o pensamento, para que o encaixem na bitola.

Mas, esse estado de coisas, por incrível que pareça, tem o seu lado gozoso e sem nenhum mistério (Ah, os terços atrozes que a minha santa avó me obrigava a rezar!). Tal é a canhestrice dos comentaristas políticos e econômicos que, agora, tornei-me dado a surfar avidamente pelos blogs e colunas em busca de motivos para o riso à toa. Virou vício. Acabei por me tornar psicologicamente dependente da bizarrice gráfica e virtual. Com o tempo, acabei por adotar alguns colunistas. Sim, leitores, tenho alguns de minha estimação. O que não é novidade. A minha mais recente amiga, a Liliana, do Pontuando, adotou o Merval Pereira e a Cristiana Lôbo como objetos do seu bem-querer. Acho os dois divertidíssimos, no entanto, é a jornalista e cientista política Lúcia Hippolito a que mais tem contribuído com o meu bom humor. A moça, se vocês não sabem, caracteriza-se por falar uma coisa e, geralmente, acontecer tudo ao contrário. Por exemplo, em 2005, no auge da crise do chamado “mensalão”, ela profetizou a total inviabilização do governo Lula. É ou não é uma danadinha? Isso me diverte tanto que toda manhã, ao sair para o hospital, ligo logo o rádio do carro na CBN e fico à espera do abalizado comentário da dita cientista política. Não é nada, não é nada, mas, faz-me experimentar momentos de relaxamento no trânsito.

Mais recentemente, a cientista política, a exemplo de vários dos seus pares na grande mídia, deu para escandalizar-se por causa de supostos aparelhamento ideológico e censura no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). Tudo porque a atual direção do órgão resolveu afastar quatro “pesquisadores” afinados com os ideais “tucanísticos”: Fabio Giambiagi, Otávio Tourinho, Regis Bonelli e Gervásio Rezende. Daí que não faltaram editoriais e artigos nos jornalões e revistonas a denunciarem o escandaloso expurgo no órgão, bem como a marcha célere do governo Lula no rumo do autoritarismo. Viram aí? Eu posso??? Fico aqui me segurando pra ficar quieto, mas, o vilipêndio babaca dessa turma acaba por me tanger outra vez para o tema político. Fazer o quê?

Bom. Dada a evidente falta de discurso da oposição, não é difícil imaginar tratar-se de mais um escândalo de ocasião. Desses bastante úteis para manter a pressão sobre o governo petista e satisfazer a imperiosa necessidade de mostrar serviço para o eleitorado com vistas às eleições do ano vindouro. Se não, vejamos.

O IPEA é um órgão criado em 1964, pelo regime militar, com a função de realizar estudos e pesquisas sociais e econômicos para subsidiar as ações governamentais em políticas públicas, planos e programas de desenvolvimento a médio e longo prazos. Ocorre que, nos últimos anos, o que o instituto menos fazia era pesquisa e planejamento. Havia se transformado num mero centro para a disseminação e sedimentação do pensamento neoliberal junto à grande imprensa. Segundo a revista Carta Capital, os quatro ”expurgados” limitavam-se simplesmente a publicar triviais trabalhos com repreensões aos gastos governamentais com a ampliação do quadro do funcionalismo público (como médicos, professores e fiscais), além da defesa sistemática da devastadora política de juros altos do Banco Central e da discutível necessidade de reforma da Previdência.  Tudo para o deleite do mercado financeiro. Um deles, Gervásio Rezende, é autor de um espantoso trabalho negando a existência do trabalho escravo no Brasil!

Ora, a partir do momento em que o governo Lula decidiu reformar o órgão e fazê-lo voltar-se para os seus objetivos originais, os quatro acima ficaram sem terra nos pés. O que fazer com os quatro gênios que não se afinavam com os objetivos da instituição? Simplesmente agradecer-lhes os “bons” serviços prestados e dispensá-los. Lógico! Não há nada de mais nisso. O truísmo pode parecer estranho, mas, um governo é eleito para governar e, nessa labuta, ele tem o direito e pode, sim, mandar embora aqueles que não se coadunam com os seus objetivos.

Além do mais, ao contrário do que foi divulgado, Tourinho e Giambiagi nunca foram cedidos pelo BNDES, pois jamais tiveram vínculo com o banco. A situação dos dois no IPEA era de mera informalidade. Os outros dois, Rezende e Bonelli, estavam aposentados, mas, trabalhavam em salas do IPEA do Rio de Janeiro às expensas do contribuinte, numa situação absolutamente irregular.

De mais a mais, se o objetivo é o planejamento estratégico para viabilizar o desenvolvimento, nada mais salutar do que a destucanização do glorioso instituto e o exorcismo do encosto neoliberal que há quase vinte anos vem travando o crescimento do país. Podem esperar que eu aqui, neste pacífico blog, vou continuar a esbravejar contra todos que se recusarem a esconjurar este exu.

 



Escrito por VT às 22h09
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O problema da VEJA

Leia aqui a análise do jornalista Pedro Dória sobre o "jornalismo" da VEJA.

Tem muita gente que diz preferir uma imprensa ruim do que imprensa amordaçada. Não concordo e não quero nenhuma das duas. Ambas são igualmente péssimas para uma nação imatura e que ainda tropega, sob o peso de 500 anos de história vil, na busca da plena cidadania e da igualdade social.



Escrito por VT às 22h48
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But I'll be back again and again and again.....

Viajo novamente amanhã para um congresso na bela Florianópolis. Volto dia 22. Desta vez, levo o notebook. Se houver oportunidade e tempo, atualizarei o blog. Até logo!

 



Escrito por VT às 18h42
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A arrogância colonialista

Na contramão da babação generalizada da mídia ordinária por conta do grotesco “cala boca” do Rei de Espanha ao presidente venezuelano Hugo Chávez, o jornalista Mauro Santayana escreveu artigo, publicado no último dia 12 no Jornal do Brasil, comentando a grosseria e a arrogância reais alusivas ao colonialismo do século XVI.

 

A arrogância colonialista

O presidente Hugo Chávez é descuidado e franco no que fala. Usa, em sua retórica antiimperialista, metáforas quase divertidas, como chamar Bush de diabo. Mas não exagerou ao qualificar o ex-primeiro-ministro espanhol José Maria Aznar de fascista. Aznar, produto típico da Opus Dei, que se reorganiza com novo alento na Espanha, sempre tratou a América Latina com desdém. Em 2002, em Madri, atreveu-se a dar ordens ao presidente Eduardo Duhalde, da Argentina, para que aceitasse e cumprisse as exigências do FMI. Reincidiu na grosseria, ao telefonar a Buenos Aires, logo depois, como um dono de fazenda telefona para seu capataz, a fim de determinar-lhe a assinatura imediata do acordo com o órgão.

Conforme disse o próprio ministro de Relações Exteriores da Espanha, Miguel Angel Moratinos, Aznar deu ordens ao embaixador da Espanha em Caracas para que apoiasse o golpe contra Chávez em 2002. Com o presidente eleito preso pelos golpistas, o embaixador foi o primeiro a cumprimentar o empresário Pedro Carmona, que, também com o entusiasmado aplauso do representante dos Estados Unidos, tomava posse do governo, para ser desalojado do Palácio de Miraflores horas depois.

Não se pode pedir a Chávez que trate bem o ex-primeiro ministro espanhol, embora talvez lhe tivesse sido melhor ignorá-lo no encontro de Santiago. Mas, como comentou, na edição de ontem de El País, o jornalista Peru Egurdide, há um crescente mal-estar na América Latina com a presença econômica espanhola, identificada como "segunda conquista". A Espanha opera hoje serviços como os bancários, de água, energia, telefonia e estradas, que não satisfazem os usuários. Ainda na noite de sexta-feira, em reunião fechada, Lula e Bachelet trataram do assunto com Zapatero, de forma veemente - longe dos jornalistas.

Mas se Chávez, mestiço venezuelano, homem do povo, fugiu à linguagem diplomática, o rei Juan Carlos foi imperial e grosseiro, ao dizer-lhe que se calasse. O rei, criado por Franco, tem deixado a majestade de lado para intervir cada vez mais na política espanhola - conforme o El País critica em seu editorial de ontem. Em razão disso, as reivindicações federalistas dos povos espanhóis (sobretudo dos catalães e dos bascos) se exacerbam e indicam uma tendência para a forma republicana de governo. Pequenos episódios revelam o conflito latente entre os espanhóis e seu rei. Já em 1981, quando do frustrado golpe contra o Parlamento Espanhol, o comportamento de sua majestade deixou dúvidas. Ele levou algumas horas antes de se definir pela legalidade democrática. Para muitos, o golpe chefiado por Millan del Bosch pretendia que todos os poderes fossem conferidos a Juan Carlos, em um franquismo coroado.

Os dirigentes latino-americanos tentarão, diplomaticamente, amenizar a repercussão do estrago, mas o "cala a boca" de Juan Carlos doeu em todos os homens honrados do continente. O rei atuou com intolerável arrogância, como se fossem os tempos de Carlos V ou Filipe II. A linguagem de Zapatero foi de outra natureza: pediu a Chávez que moderasse a linguagem. Como súdito em um regime monárquico, não pôde exigir de Juan Carlos o mesmo comportamento - o que seria lógico no incidente.

Durante os últimos anos de Franco, a oposição republicana espanhola se referia ao príncipe com certo desdém, considerando-o pouco inteligente. Na realidade, ele nada tinha de bobo, mas, sim, de astuto, vencendo outros pretendentes ao trono e assumindo a chefia do Estado. Agora, no entanto, merece que a América Latina lhe devolva, e com razão, a ofensa: é melhor que se cale. 

 

 



Escrito por VT às 20h39
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Pirâmide do capitalismo

Governantes: “Nós mandamos em vocês”

Igreja: “Nós enganamos vocês

Exército: “Nós atiramos em vocês”

Burguesia: “Nós nos banqueteamos por vocês”

Trabalhadores: “Nós trabalhamos por todos, nós alimentamos todos”

 

Célebre e estupenda ilustração, produzida em 1911 para o Industrial Workers of the World, de autoria de Nedeljkovich, Brashich, and Kuharich.

Para ver com maiores detalhes (coloque o cursor sobre a figura e clique).

Só faltou a imprensa. Onde você a colocaria?

 

 



Escrito por VT às 19h38
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Uma boa notícia

A Petrobrás anunciou, hoje, a descoberta de mais uma reserva de petróleo. Desta vez, no campo de Tupi, na Bacia de Santos. O total pode chegar a oito bilhões de barris. A ministra Dilma Roussef afirma e o diretor do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura, Adriano Pires, confirma que esta descoberta pode fazer do Brasil um exportador de petróleo em médio prazo, quando este campo iniciar a sua produção em 2012. Segundo o presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, o nosso país deve subir do 24° lugar no ranking das maiores reservas para a oitava ou nona posição. Já a nossa petrolífera deverá subir do atual quinto lugar para o terceiro lugar, em tamanho de reservas, entre as companhias petroleiras listadas nas bolsas de valores em todo o mundo.

Imagino o quanto as ações da empresa irão subir. Certamente, outra conseqüência da decantada herança bendita (?) legada pelo governo tucano que só não privatizou a Petrobrás por falta de coragem e por não terem tido tempo suficiente para concluir o trabalho de depredação da reputação da empresa em conluio com a mídia ordinária. Que os arautos da privatização da Petrobrás, agora, se afoguem em óleo. Aliás, vocês perceberam que, com o fim do reinado fernandista e o início do governo Lula, nunca mais se teve notícia de acidentes envolvendo as instalações da empresa? Por que será?



Escrito por VT às 23h11
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O Proselitismo do desamor

Caríssimos irmãos-leitores, todos sabemos que, numa sociedade que se pretende democrática, a liberdade religiosa e, até mesmo, a liberdade de não crer em nada são invioláveis e inalienáveis. São fundamentos básicos do estado de direito. No entanto, a coisa, para funcionar bem, tem que valer, também, no sentido contrário. Ou seja, crenças religiosas e seus adeptos não devem e não têm o direito de solapar os mesmos fundamentos que, entre outras coisas, garantem a própria liberdade de crença. Daí a extrema necessidade do laicismo incrustado nas constituições do estados modernos. Ocorre que, nesses medíocres tempos pós-modernos, o fundamentalismo religioso, repetidamente, tenta avançar sobre boa parte dos valores libertários penosamente conquistados nos últimos três séculos, ameaçando, dessa forma, tudo aquilo que garante a liberdade e a criatividade nas sociedades democráticas. Seus prosélitos buscam enquadrar a sociedade nos seus limitadíssimos dogmas, os quais não passam de preconceitos religiosos. Alguns podem não gostar, mas, eu considero este estado de coisas como parte da onda de imbecilidades que infestam o mundo neste início de terceiro milênio. Sim, leitores, porque não dizê-lo?, religiões, em maior ou menor grau, têm algo de imbecil no modo simplista de lidar com as diferentes manifestações do pensamento, das necessidades e das ações humanas. Estas últimas abrangem uma complexidade muito grande para o caminhãozinho dogmático de qualquer denominação religiosa.  Felizmente, parodiando um dito notório, o carro da história, inexoravelmente, avança apesar dos latidos dos padres, pastores e aiatolás.

De todos os ramos da atividade humana, tem sido a ciência a que mais se confrontou com o preconceito religioso. Para a felicidade da nossa espécie, a tão humana ciência sempre acaba por predominar sobre o obscurantismo. E sabem por quê?  Simplesmente porque o fundamento da atividade científica séria (excluo toda a pseudociência) encontra-se firmemente assentado no racionalismo. Ou seja, para uma tese ser considerada científica, ou o sujeito explica porque é ou explica porque não é, ao mesmo tempo em que implora para ser desmentido. Em ciência, ao contrário do que tentam fazer parecer os desonestos que se opõem a ela, a verdade nunca é absoluta. Nada mais racional. Nada melhor para garantir à ciência a necessária e vital flexibilidade para sua contínua renovação. É isso que assegura o seu progresso. Tudo ao contrário da religião. A esta não interessam as contestações, mesmo que cristalinas, mesmo que ensurdecedoras. Nela a verdade é absoluta. Para os adeptos da verdade absoluta, as contradições evidentes são simplesmente..... ignoradas! Fazer o quê? Que fiquem com o absolutismo das suas verdades erguidas na areia da praia desde que não tentem impô-las ao resto da sociedade que não comunga com as suas crenças ordinárias.

Mas, para não ser injusto, eu me obrigo a reconhecer que, em uma única e escassa oportunidade, num único lampejo registrado na história do H. sapiens sapiens, o segmento cristão das religiões contribuiu de forma brilhante e poderosa para o aprimoramento humano. Não foi lá uma idéia original visto que, inicialmente, influenciada pelas filosofias orientais canalizadas pelo arrastão macedônio de Alexandre. No entanto, o mérito cristão está na forma eficiente com que disseminou esta idéia pela sociedade greco-romana, a única do mundo antigo suficientemente permeável e apta a catapultar o pensamento humano que, a duras penas, chegaria ao iluminismo. Uma idéia revolucionária: “amai-vos uns aos outros...”. Até mesmo a ciência foi obrigada a absorvê-la. Não se faz ciência sem amor ao próximo. O assunto é muito amplo e sujeito a discussões, mas, tudo o que é científico, basicamente, deve se assentar em três princípios: deve explicar coerentemente um fenômeno observado, deve ter capacidade de fazer previsões sobre futuras observações e deve ser passível de refutação (falseabilidade). Que não se animem os fundamentalistas pois até a refutação tem que ser científica. Modestamente, eu acrescentaria o amor como quarto e sub-reptício princípio. Daí a necessidade da ética em toda pesquisa científica. Do contrário, até mesmo a produção científica nazista poderia reclamar o direito à legitimidade, já que, em alguns casos, obedecia formalmente aos três princípios anteriores.

O cristianismo fez do amor ao próximo o seu mais vistoso estandarte, embora, na maior parte da sua história, apenas da boca para fora. Mesmo assim, não podemos negar-lhe a contribuição apesar do inegável paradoxo.  Mas, como a boca é maior do que aquilo que, necessariamente, deveria emanar da alma para dirigir as ações, os fundamentalistas cristãos não se intimidam de usar estratagemas desonestos para atravancar o indispensável progresso científico que não cabe na vala dos seus preconceitos dogmáticos.

Recentemente, o ministro Carlos Ayres Britto, relator da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN) que contesta as pesquisas com células-tronco de embriões humanos avisou que colocará o assunto em pauta, para votação pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no início de dezembro. Para tanto, ele deverá concluir o seu voto em breve. Pois muito bem. Confrontados com a iminência da solução jurídica para este imbróglio, os apologistas do juízo final, entre ranger de dentes, já andam a espalhar uma falsa relação entre pesquisa com células-tronco e aborto. Tudo para confundir a opinião pública e pressionar o Supremo a curvar-se perante a sua tacanhez. As pesquisas, no Brasil, estão embargadas por causa desta ação que deverá ser decidida no mês vindouro. Para a porta-voz da Academia Brasileira de Ciências, Mayana Zatz, só há uma forma de enfrentar a situação: pela informação. Ou seja, a doutora quer deixar claro, para o senso comum, que pesquisa com células-tronco e aborto não têm, rigorosamente, nada a ver. Aborto é morte embrionária intra-útero. Os defensores da ciência preconizam o uso de embriões congelados que, de outra forma, serão jogados no lixo pelo desinteresse dos pais em implantá-los. Ao invés de descartá-los, estes embriões, com a autorização dos pais, seriam utilizados para as pesquisas. Assim, os embriões teriam um destino útil, ético e solidário com as pessoas que sofrem e, em muitos casos, destinadas à morte, por serem portadoras de doenças degenerativas ou seqüelas de traumas raquimedulares. Tudo em nome do amor. No entanto, para os ignorantes e os imbecis, o amor só é adequado como instrumento para o proselitismo do fanatismo. Para eles, às favas com a solidariedade.  Consideram que o sofrimento destes pacientes fazem parte dos desígnios do deus que eles dizem acreditar. Aos que sofrem, a desumana condenação da resignação. Na soberbia do seu egoísmo e do seu desamor, não se dão conta que estão a crucificar todos os que padecem e, juntamente com cada um deles, o “adorado” Cristo que falhou em ensiná-los. Sinceramente, se Deus existe, tem que ter mesmo um saco onipotente para agüentá-los.sítio 

(Artigo também publicado no sítio Letras & Livros).



Escrito por VT às 00h51
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Nem armas de fogo, nem bombas atômicas

O que eu mais acho estranho, em toda essa história bizarra, é o fato de um médico ir trabalhar armado. Por que um médico precisa estar armado em seus horários e locais de trabalho? Digamos que seja para proteger-se. Mas, aí, fica a pergunta: proteger-se de quê, já que, em todos os anos de funcionamento do SAMU, não há registro de nenhum tipo de ocorrência grave contra as pessoas que trabalham no serviço?

Por outro lado, o atirador profissional (?) temia ser morto caso os bandidos descobrissem o arsenal que ele portava (sim, ele andava com pelo menos duas armas de fogo). Desta forma, somos, novamente, remetidos à pergunta inicial com modificações: por que andar armado se isto implica em risco de ser morto em caso de assalto?

O risco de morrer estaria relacionado a uma provável descoberta da identificação policial que o médico eventualmente levaria consigo? Devemos atentar que, entre os reféns, haviam outros dois policiais civis que, a julgar pelo relato, não foram molestados pelos meliantes. Será que eles não foram revistados?

Portanto, mantenho a mesma conclusão: sem a existência das armas e sem a sua utilização, tudo teria terminado da melhor maneira possível, sem ninguém ferido e com o mínimo de risco de vida para os reféns. Não se trata, aqui, de julgar comportamentos ou atitudes, mas, de aproveitar a oportunidade fornecida por este caso exemplar para questionar uma forma de pensar, a meu ver, errada que, com o alastramento da violência urbana, vem se disseminando através da sociedade. O ser humano não tem o direito de agir irracionalmente. Foi esta a condição natural imposta para descermos das árvores e construirmos a civilização. No máximo, pode ser bocó desde que não coloque a vida dos outros em risco. Do contrário, estará ameaçando a sobrevivência da sociedade e da própria espécie humana seja com armas de fogo, seja com bombas atômicas.



Escrito por VT às 21h00
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Uma versão mais detalhada:

O Dr. Cláudio Roberto Azevedo postou, na página de comentários do artigo correspondente, maiores detalhes sobre o caso do assalto à SER III, o qual, dada a sua abrangência e, principalmente, por mostrar outra visão do caso, julgo importante reproduzí-la aqui.

Oi VT, A história completa é a seguinte: Por volta das 20hs, 10 homens tomaram cerca de 15 pessoas, incluindo dois guardas municipais, pessoas que estavam trabalhando na célula da educação, na SER III, o lavador das ambulâncias e dois policiais civis que chegaram para levar uma pessoa para uma reunião na célula de educação. Cerca de 21hs uma enfermeira nossa foi pegar suas coisas, porque iria fazer ponto de apoio na Faculdade Grande Fortaleza (bairro Henrique Jorge) compondo a nossa UTI 41, junto com o Dr. Lourenço, e foi rendida pelos assaltantes. Cerca de 21:30 notou-se a falta dela na central 192, e uma colega dela, enfermeira, lembrou-se que ela tinha ido na regional III, pegar as coisas dela no carro. Então o Dr. Lourenço, que é policial civil (lotado no IML), disse que iria atrás dela, para irem à FGF. Quando ele saiu da Central, uma outra enfermeira pediu que dois socorristas o acompanhassem, pois a rua estava muito deserta, e assim ocorreu.

Assim que eles três passam o portão da regional, foram rendidos com as armas apontadas na sua cabeça e um deles prontamente pediu a chave da L200 do Lourenço. Eles perceberam, então, que os assaltantes viram o Lourenço chegar no plantão (às 19hs) no carro dele e desde cedo estavam no local. Como Lourenço estava armado, ele disse que apressou-se em dar as chaves de seu carro, para passar incólume. Na mesma hora, os três foram levados ao local do caixa rápido, que já havia sido serrado, mas como era muito pesado, os assaltantes não conseguiam colocar na Hilux que estava lá ao lado. Lourenço encaminhou-se para trás do caixa rápido, para ficar mais longe dos assaltantes, mas na mesma hora um dos assaltantes que estava no local disse alto para que os três fossem revistados.

Rapidamente Lourenço sussurrou para os dois socorristas que fossem com ele para detrás do caixa e o Alexandre, muito gordo não conseguiu entrar no local, e na hora que os assaltantes chegavam para revistar os três, Lourenço sacou de sua arma e mirando, na parede (embora, segundo ele, pudesse acertar dois deles - Lourenço é atirador profissional), disparou três tiros. Alexandre deitou-se no chão, mas sua perna ficou descoberta sendo atingida por disparos dos assaltantes. Lourenço e Matos (o outro socorrista) ficaram detrás do caixa (que tem um grande cofre embutido). Os assaltantes saíram correndo para se proteger e Lourenço, diante da situação, não podia mais parar de disparar. Resultado: eles saíram em fuga, e como estavam com a chave do carro do Lourenço, correram para o carro dele e saíram da Regional. Um deles ainda caiu da parte de trás da L200, o carro parou e ele entrou novamente no carro.

Na realidade, se o Lourenço assim não procedesse, provavelmente estaria agora morto e talvez os dois socorristas estivessem mais feridos. Não temos como julgar os procedimentos das pessoas sem estarmos na pele das mesmas... Fica em Deus amigo Cláudio Roberto

 

 



Escrito por VT às 22h24
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GAP nunca mais!

Notícia do blog Síndrome de Estocolmo (via Los 3 Amigos):

http://www.sindromedeestocolmo.com/archives/2007/11/gap_nunca_mais_1.html#comments

Das indignidades da globalização.

 



Escrito por VT às 21h39
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O direito de ser bocó

Os leitores da minha geração devem lembrar, nos tempos de colégio, de uma disciplina denominada Educação Moral e Cívica. Era nada mais do que uma invenção embutida na reforma escolar engendrada pela ditadura militar que tinha o objetivo de disciplinar a infância e a juventude nos lídimos preceitos das boas práticas do convívio social e do amor à pátria. Francamente, um saco. No entanto, todos aqueles anos de tédio atroz causado pela chatíssima Moral e Cívica (ou Moral e Civismo, como queria uma professora do decano Instituto Mater Amabilis) tiveram o seu valor por conta de um único e escasso ensinamento, hoje totalmente esquecido, mas, que portava uma lógica ensurdecedora: “o direito de um termina exatamente onde começa o direito do outro”. Assim, bem simplesinho. Entre tantas outras, a ignorância deste preceito está por trás da proliferação ofensiva de tantos babacas país afora e adentro.

Pois muito bem. Após este preâmbulo, vamos aos fatos: no último dia primeiro deste mês, um grupo de bandidos armados invadiu a sede da Secretaria Regional III (SER III) desta urbe desposada do sol e sem lei, onde também fica sediado o Serviço de Atendimento Médico de Urgência (SAMU), e renderam funcionários, médicos, enfermeiros, socorristas e qualquer um que estivesse à mão. Tudo para roubar um caixa eletrônico do Banco do Brasil instalado no local. Tudo corria da melhor maneira que se podia esperar numa situação tão acachapante. Ou seja, os marginais já estavam se preparando para partir com o bendito caixa, deixando, para os reféns, apenas a lembrança do susto e uma história para contar, quando um dos rendidos, um cidadão de bem, médico, resolvendo fazer uso do seu “legítimo direito” constitucional de portar e de usar uma arma para defender-se, sacou uma pistola e atirou nos pilantras. No tiroteio que se seguiu, sobrou para um pobre socorrista que acabou ferido na perna. Menos mal que ninguém mais se feriu e a vítima não corra risco de vida.

Tudo bem quando acaba bem? Não! Tudo mal num país que franqueia a um indivíduo, um dito cidadão de bem, a prerrogativa de, escudando-se em supostos direitos constitucionais, e na pior hora possível, dar cabimento a instintos pré-cambrianos, ao mesmo tempo em que ignora o direito das outras pessoas à segurança e à integridade física. Na verdade, ocorre que a Constituição assegura ao tal cidadão de bem o direito de ser bocó da maneira e em qualquer momento que bem lhe aprouver. Se, no local do crime, estiverem, apenas, o meliante e o cidadão de bem, a Carta Magna garante a este o direito de trocar tiros ou beijos na boca com o marginal, a depender do clima. É problema dele. Porém, a Constituição não outorga a ninguém este direito à custa do direito dos outros à preservação da integridade física. É solar. É básico. É civilizado.

Não há como negar as estatísticas. Ao contrário da percepção do senso comum, a grande maioria dos assassinatos é cometida pelos cidadãos de bem, sem antecedentes criminais. Caso eu tenha a infelicidade e o azar de me ver em meio a um assalto, com certeza, o temor do risco da reação de um bocó qualquer, um auto-ungido cidadão de bem, eventualmente armado, será maior do que o medo da possibilidade de alguma violência maior por parte do marginal. E isto já não é pouco.

 

 

 



Escrito por VT às 20h04
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Bem vindo ao clube!

Com a conquista do Campeonato Brasileiro de 2007, o São Paulo Futebol Clube adentra um dos clubes mais seletos do futebol mundial: o daqueles times que conseguiram engrandecer a sua história com a façanha da conquista de pelo menos um pentacampeonato. E o Vozão, na qualidade de sócio-fundador desde 1919, não se furta a prestar as calorosas boas-vindas ao tricolor paulista. A exclusivíssima agremiação vem mantendo uma rigorosa política de seleção dos candidatos a sócios, não aceitando, em hipótese nenhuma, portadores de pentas fajutos como aquele time carioca. Muito justo.

(Foto: Antônio Gaudério/Folha Imagem)



Escrito por VT às 19h55
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Olha a faca!

Segundo o jornalista Ricardo Noblat, dois senadores peemedebistas, Romero Jucá (RR) e Valdir Raupp (RO), estão articulando uma reunião da executiva do partido para fechar questão contra a proposta de reeleição ilimitada para cargos majoritários. Declaração de Romero Jucá, líder do governo no Senado: “o PMDB é contra. Não tem discussão. Dadas as tradicionais idiossincrasias da política brasileira e se realmente existir interesse do governo petista em aprovar a tal proposta, que ele se prepare para a facada que vai receber do PMDBezão velho de guerra. Ou seja, nada que uma conversinha aqui, um agradozinho acolá, na forma de cargos e verbas, não possam resolver. Tudo na boa cordialidade entre “aliados”. Pois sim!

 

 



Escrito por VT às 19h32
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