Aproveito a folga no meu plantão para esclarecer aos leitores que a demora na atualização do blog deve-se, mais uma vez, a problemas com o meu PC. No último dia 25, tive a temerária idéia de instalar o Windows Vista no meu computador e, apesar de proficiente na Lei de Murphy, não atentei para a possibilidade de que algo pudesse dar errado em tão arriscada operação. Pois bem. Após a instalação do novo programa operacional da Microsoft, revelou-se uma incompatibilidade do mesmo com a placa de rede do meu computador, impossibilitando-me o acesso à internet. Ainda estou aguardando, do técnico da minha confiança, a devida solução para o problema.
A inacreditável VEJA vem, nesta semana, com uma matéria afirmando as excelências da elite pátria. Para os seus editores, o legítimo farol da modernidade e afiançadora da nossa civilidade. Interessante. Até pouco tempo atrás, a nova direita questionava, até mesmo, a existência da elite. Hoje, reconhece a sua existência, ainda que para isso apele para a tática recorrente de distorcer despudoradamente o sentido da crítica por meio da confusão do seu conteúdo. Frente à base factual clamorosa, a reação dos xiitas conservadores é de pura irracionalidade. Assim, faço minhas as palavras do “perigosíssimo esquerdista” Noam Chomsky: “O único modo de lidar com o fanatismo ideológico é ignorá-lo e concentrar a atenção em pessoas que têm a mente suficientemente aberta para dar importância a evidências e argumentos.” Ou então, morrer de rir...
Depois da soberba atuação do Vozão ontem, goleando a macaca, o torcedor alvinegro, como diria o saudoso Nelson, amanhece de esporas e penacho, igual a um dragão de Pedro Américo.
A imagem, que ilustra este “post”, mostra um cartaz de “Procura-se”, exibindo uma foto de Elvis Presley, supostamente como estaria hoje aos 72 anos, que está sendo espalhado nos muros e postes de Buenos Aires. Isso mesmo, caríssimos leitores, Elvis pode estar vivo e vivendo lepidamente na capital argentina. Pelo menos, é o que afirmam alguns de seus fãs que, para agilizar as buscas criaram até um blog. Toda esta história fantástica (ou fantasiosa) está publicada na última edição da revista “Rolling Stone” que conta, ainda, com um depoimento de um ex-soldado, Jorge Daniel Garcia, que, de serviço na Base Aérea de Palomar, na província de Buenos Aires, em agosto de 1977, assistiu à chegada de um Boeing 747, vindo da cidade de Memphis, trazendo um homem que rapidamente embarcou numa limusine e desapareceu “para sempre”. Dizem os fãs que o sujeito, com uma enorme semelhança física com o rei do rock, chamava-se John Burrows e foi visto comprando uma passagem aérea para a capital portenha logo após o anúncio oficial da morte de Elvis. Tudo não teria passado de um plano do governo americano para proteger a sua mais célebre testemunha que estaria ameaçada de morte por denunciar outras celebridades por conduta ilegal, uso de drogas e atividades anti-estadunidenses.
Por via das dúvidas, este blog opta por publicar o cartaz e colocar, aí embaixo, o link do tal blog caso alguém tenha alguma informação relevante. Boa sorte!
Leitora indignada me envia, por e-mail, mensagem que reproduzo aqui.
A GRANDE IMPRENSA DEVE PEDIR DESCULPAS
Aos 80 anos de idade temos muito tempo para ler jornais, revistas e assistir TV. Após o acidente da TAM, passei três dias acompanhando tudo. Através do que via nos diversos meios de comunicação, fui tomada por um sentimento de indignação. Em todos os jornais, revistas e TV’s se apontava a pista e o governo como responsáveis pelo trágico acidente. Embora tenha votado em Lula, não tenho a menor simpatia pelo PT, não me identifico politicamente, não gosto e não voto neste partido.
As informações jornalísticas faziam com que eu criasse um ódio indisfarçável do governo petista. Comecei a catalogar as noticias dos três primeiros dias e o que estava implícito era que os governantes do Brasil eram os assassinos dos cerca de 200 inocentes brasileiros. A totalidade da grande imprensa condenava diretamente Lula e seu governo pelo que parecia ser um assassinato em massa. Quase não se viam outras hipóteses para o acidente da TAM.A opinião dos mais diferentes meios de comunicação falava que, como não havia o tal “grooving”, o piloto da TAM não conseguiu frear o avião.
Em um jantar de confraternização, encontrei um casal de velhos amigos. Ele era filho de um graduado oficial da aeronáutica e ela filha de um ex-sindicalista, que estava exercendo um cargo de confiança do governo federal. Além de consternada pela morte de duas centenas de brasileiros, estava sedenta em agredir o governo petista assassino, afinal de contas, toda a imprensa os considerava como verdadeiros assassinos. O casal de amigos estava desconfortável com a situação. Ele tentava explicar que o que se falava, entre os que tiveram acesso à homologação da nova pista, era que a mesma tinha sido aprovada pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo. A esposa dele garantiu que o coeficiente de atrito atestado na pista estava adequado e até mesmo acima das exigências internacionais, com ou sem chuva, com ou sem grooving. Afirmavam que não entendiam porque a imprensa não tinha vinculado ainda outras hipóteses ou as tinha feito muito superficialmente. Entre estas hipóteses poderia citar desde falha mecânica até erro do piloto. O problema era que eu estava intransigente, agressiva e atacava a tudo que se referia ao governo federal e seus assassinos.Não respeitei nem mesmo a amizade de anos e disse que quem acobertava assassinos era cúmplice e eles, que tinham pais que de alguma maneira participavam daquele infeliz governo, eram filhos também de criminosos. Perguntei se eles não estavam assistindo TV ou lendo os jornais e revistas. Perguntei se eles não estavam enxergando o caos aéreo. Eu estava obcecada pelo ódio e rancor daquele governo que a mídia de forma indireta chamava de assassino e de principal e único responsável pelo acidente.
O amigo humildemente respondeu que sabia que o sistema aéreo estava desorganizado, que o governo estava lidando com incompetência no gerenciamento do sistema aéreo, mas ele acreditava que o acidente tinha outras causas. Ele disse que uma coisa era o sistema aéreo desorganizado e outra coisa era o acidente.Era muito cedo para de maneira indireta ou direta chamar Lula de assassino. Ele disse que se sentiu muito ofendido por ter ouvido de mim, sua amiga, denunciar seus pais como membros de uma facção de criminosos. Ele disse que em alguns dias responderia por escrito minhas ofensas, visto que nunca mais conversaria comigo.
Ao longo dos últimos dias vem acontecendo uma mudança nas informações acerca do acidente. Começaram a aparecer hipóteses de que talvez tivesse havido falha mecânica ou erro humano. Mesmo com estas hipóteses citadas, a pista continua a ser a questão mais noticiada. Embora a pista já não seja o motivo mais claro do acidente, ela continua ser o fator mais noticiado. Mesmo com as novas noticias, para a grande imprensa, a pista reformada é o primeiro e fundamental fator na gênese do acidente. Ontem, cerca de onze dias após o acidente, as noticias dão como quase certo que a causa primeira do acidente foi uma combinação de erro do piloto, falha mecânica e falha de comunicação entre a Air-Bus e as companhias aéreas, pois um acidente por causas semelhantes ocorreu há um ano e não se modificaram os manuais de orientação dos pilotos. Mesmo assim o governo continua a ser o maior incriminado pela mídia, sendo Lula o principal responsável pelas possíveis falhas mecânicas, pelo provável erro do piloto e pelo provável erro de comunicação entre a Air-Bus e todas as companhias aéreas do mundo.
Hoje recebi a carta do amigo a quem tão injustamente ofendi. Nela, ele citava dez respostas para tantas acusações que fiz:
1-A pista tinha coeficiente de atrito aprovado cientificamente através dos mais modernos métodos de aferição pelo Instituto de Pesquisa Tecnológica de São Paulo.
2-A pista estava homologada, obedecendo a normas internacionais, com ou sem chuva com ou sem grooving. O pouso de Air-Bus está autorizado há anos em Congonhas, e conforme normas internacionais o aeroporto está apto para receber este tipo de avião.
3- A pista não foi encurtada pela reforma. Existem centenas de aeroportos no mundo, dentro de grandes cidades, com dimensões semelhante a Congonhas, que recebem este tipo de aviões.
4- Existem normas a serem obedecidas pelas companhias aéreas com relação ao sobrepeso das aeronaves, às revisões de qualidade das aeronaves, ao treinamento de seus pilotos.Cabe a elas obedecer para não por em risco a vida de seus usuários. Até esta data, as principais companhias de aviação no Brasil eram conceituadas na sociedade e na mídia com relação a sua eficiência empresarial e segurança.
5- O presidente Lula não pode ser responsabilizado por erros do piloto, falha mecânica ou falha de comunicação entre a Air-Bus e as empresas que compram estas aeronaves
6- Existe uma clara desorganização do sistema. A culpa realmente é do governo e das companhias aéreas, mas não existe uma relação direta entre esta desorganização e as verdadeiras e principais causas do acidente.
7-A mídia desejava e ansiava com muito vigor que o culpado fosse o governo. A primeira hipótese sempre foi a da pista, portanto culpados seriam o governo e o Presidente Lula. O desejo de incriminar o governo era tão grande que acabaram por fazer um jornalismo sem ética. Influenciaram de forma desonesta a opinião pública. Depois, como sempre, esquecem de reconhecer erros de avaliação e graves erros éticos.
8- A mídia em comportamento semelhante ao observado na última eleição, busca confundir a opinião pública, pelo simples fato de nunca ter aceitado a eleição de um homem pobre, operário, nordestino, que não tem o fenótipo caucasiano e sem titulo superior. A grande imprensa, principalmente a paulista, não aceita que alguém candidato por São Paulo, usurpasse o poder de um paulistano quatrocentão rico ou de um intelectual da academia
9- A falta de ética da mídia já foi comprovada no passado quando tentaram desconstruir Getúlio Vargas e o Presidente Juscelino Kubischeck.
10-Finalmente ele escreveu que o ódio de algumas pessoas é estimulado pela mídia jornalística que tenta politizar qualquer problema no Brasil. Nos últimos anos, a imprensa tudo fez para dividir o país entre ricos e pobres; entre norte e sul; entre os com educação e os sem educação; entre os com vale família e vale educação e os que não necessitam desta ajuda. Defendem uma democracia em que somente as elites pudessem decidir o futuro da nação, ou seja, no fundo defendem uma democracia sem a presença do povo. A irresponsabilidade da grande imprensa é tão grande que está a estimular o ódio e a divisão entre brasileiros, entre irmãos e entre amigos.
Ele escreveu, ainda, que a Classe A, o grande e médio empresariado, setores mais abastados da classe média, estavam criando um ódio de morte contra Lula. Chegam a babar de ódio como se Lula os tivesse tirado bens ou a liberdade. Para estas camadas da população, o Brasil de hoje não está pior ou melhor do que da era FHC. Os juros continuam altos, a ineficiência e a corrupção altas, e, parafraseando um colunista: a melhor maneira de se avaliar uma classe dominante é dar uma boa olhada em sua periferia, na situação de quem a serve a troco de salários e trabalho.
Após ler os dez motivos detalhados pelo amigo a quem tanto ofendi, resolvi fazer uma reflexão sobre nossa imaturidade política, sobre o ódio irracional que a mídia nos leva a criar contra o Lula e seu governo. Decidi que continuarei muito longe do PT, afinal tenho uma visão de mundo muito distante do que pregam estes senhores. Continuarei a votar contra o PT, no entanto, serei muito mais crítico com relação ao que é escrito ou o que é noticiado pela grande imprensa no Brasil. A verdade é que há mais 60 anos vivencio este comportamento covarde da grande imprensa no Brasil.
A grande imprensa no Brasil, no entanto, principalmente a paulista, tenta sempre distorcer a verdade, tenta sempre manipular os fatos. Estes senhores podres, tentam passar a imagem de ser o último bastião da ética no Brasil... Guardam uma grande semelhança com o petismo inconseqüente dos últimos anos.O PT acreditava, pasmem os senhores, ser o maior defensor da ética, a história mostrou o contrário.A grande imprensa é incapaz de fazer uma autocrítica.
Hoje, os laudos das caixas pretas tornam claro que houve ou falha humana ou falha mecânica, ou as duas juntas, somadas à ganância dos gestores da TAM. A grande imprensa esquece que nos primeiros três dias só existia uma hipótese para a tragédia: a pista reformada era defeituosa por culpa da Infraero, do governo e de Lula. Hoje eles mudam de foco, falam dos gestos obscenos de membros do governo, mas esquecem as obscenidades éticas que levaram a população a acreditar que a crise aérea e o acidente eram as mesmas coisas, tinham os mesmos culpados, ou seja, Lula era um assassino.
Embora alguns pensem que uma mentira contada mil vezes se tornará verdade, a história mostrará apenas uma mentira maior ainda. Assim como eu peço desculpas ao casal de amigos, a grande imprensa deve mais uma vez, pedir desculpas ao povo brasileiro por mais esta distorção dos fatos.