É certo que o aloprado, ex-cineasta, Arnaldo Jabor não tem lá muita moral para defender o bolso do contribuinte brasileiro, já que mamou, durante muito tempo, nas verbas públicas da falecida Embrafilme para produzir filmes que, embora tenham sido bem sucedidos nas bilheterias, mostraram-se pífios do ponto de vista artístico, para dizer o mínimo. Na verdade, como grande parte do cinema brasileiro da época, a maioria deles era bem ruim. Enfim, parece-me que não foi por acaso que o ex-diretor abandonou a carreira no cinema logo depois que o governo Collor, num dos raríssimos lampejos de boas atitudes, detonou aquela estatal, antro de compadrio entre “grandes” cineastas. Assim, sempre que eu o vejo, em seus exasperados comentários, investindo contra a ineficiência da estatais, ao mesmo tempo em que defende a economia de mercado e a moralidade nos gastos públicos, ponho-me a refletir sobre o extraordinário talento humano para o cinismo. Ou, para ficar no vulgo, ignorar esplendidamente o próprio rabo.
Portanto, foi com divertimento que assisti, nesta semana, ao solene entrelaçamento de rabos entre o dito ex-cineasta e o presidente da Câmara dos Deputados Arlindo Chinaglia (PT-SP). Se, por um lado, o destemido Jabor não pode falar de desperdício de dinheiro público sem pisar no exuberante apêndice sacral que despudoradamente ostenta, o nobre presidente da Câmara deveria, antes de desviar o assunto e sair por aí processando comentaristas que ousam acusar, de forma mais peremptória, as malandragens perpetradas nos salões daquela nobilíssima casa, esclarecer aos distintos contribuintes o que os nossos caríssimos deputados fazem, ao longo do ano, com tanta gasolina. Sugestão: dada a impossibilidade de se circundar a terra 250 vezes, quem sabe tal quantidade de hidrocarboneto não daria para desenodoar as caras-de-pau desses malandros?
Caríssimos, infelizmente, desde o último dia 19, estive impossibilitado de atualizar o blog por problemas técnicos com o meu PC. Uma sobrecarga de corrente, provavelmente de origem pefelista (recuso-me a chamá-los de DEMOCRATAS), provocou a destruição da fonte e da placa-mãe do meu computador e, com o feriado de ontem, ainda não pude reavê-lo na assistência técnica.
Finalmente, hoje, aproveitando uma folga no meu plantão e, com os préstimos do computador do hospital, venho aqui indicar-lhes um ótimo site dedicado a defenestrar as baboseiras disseminadas pelos grupos religiosos, notadamente os cristãos. Mantida pelo físico Mario (sem acento mesmo) Barbatti, esta página é dedicada a refletir e divulgar os pontos de vistas e as idéias da minoria, convenientemente "esquecida" pela mídia "democrática", que constitui 2,5% da população mundial, segundo a Enciclopédia Britânica, e que não precisa do relho de religião alguma ou de qualquer crença em divindades para viverem ou para esforçarem-se em praticar o bem. O link leva, diretamente, a uma resenha do último livro do biólogo Richard Dawkins.
Pesquisa Datafolha, divulgada no último dia oito, mostra que aumentou para 55% o número de brasileiros favoráveis à pena de morte. A percentagem de entrevistados contrários foi de 40%. Em levantamento anterior do mesmo instituto, de agosto de 2006, 51% dos entrevistados foram favoráveis à pena capital e 42% contrários. É óbvio que estes resultados têm relação direta com os níveis alarmantes de violência nas cidades brasileiras e com o sentimento de insegurança que viceja na população brasileira. Isso sem falar no laxismo da legislação penal brasileira eivada de dispositivos para manter criminosos, de todas as idades e colarinhos, o menor tempo possível na cadeia. Isso quando são julgados e condenados.
Em verdade, sou contra a pena capital. Não vou aqui desfiar o rosário de argumentos humanitários e éticos que embasam a minha opinião, pois, já são, em sua maior parte, sobejamente conhecidos. Apenas gostaria de lembrar os altos níveis de corrupção nas polícias e no poder judiciário brasileiros que, provavelmente, fariam da pena de morte um instrumento para a perpetração de injustiças dantescas.
Pode não ter sido desta vez, mas, a merecida apoteose de um dos maiores atacantes da história do futebol não tardará. Romário tem, sim, todo o direito de celebrar os mil gols e não vão ser os muxoxos de alguns zebus da suspeitíssima crônica desportiva brasileira que irão estragar a festa. Afinal de contas, para aqueles malas sem alça e sem rodinha que adoram brandir estatísticas e levantar dúvidas sobre a justeza da contagem do baixinho, lembro que, na contagem dos mil gols de Pelé, entraram, até mesmo, aqueles assinalados em jogos das seleções do exército e da guarda-costeira, bem como, nos muitos amistosos vagabundos que o Santos jogou contra timecos da América Latina e da África.