O LÁTEGO


Tucanos em brasa!

A Folha Online de ontem divulgou declaração do ex-governador tucano de São Paulo, Geraldo Alckimin, quando questionado, no dia 22/01, sobre as responsabilidades pela tragédia recentemente ocorrida na Terra da Garoa e da Cratera. Simplesmente, o Geraldo tentou tirar o orifício da seringa e pôs a culpa todinha no Banco Mundial. Segundo o insuspeito tucano, o banco teria exigido que as contratações fossem feitas de acordo com o tal modelo turn-key, que proibiria a fiscalização da obra pelo Metrô. No entanto, o próprio gerente de projetos do Banco Mundial, Jorge Rebelo, declarou, no último dia 24, que o referido banco JAMAIS impediu o governo paulista de fiscalizar a obra. E agora? Quem está mentindo? Cadê a Mírian Leitão, sempre tão bem informada e disposta a dar opinião sobre tudo? Cadê o contrato? Devem ter escondido no mesmo lugar daquele dossiê contra o Serra.



Escrito por VT às 18h24
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Liberdade de imprensa!

Três dos maiores defensores da "livre imprensa" no Brasil vêm, hoje, com manchetes similares, desancando o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo Federal. O nobre "Estadão" regozijantemente anuncia que o PAC não evitará um novo apagão aéreo (olha aí, classe média!). Já a indispensável "Folha" diz, em tom de blague, que os recursos são insuficientes para o setor elétrico (ué, mas tal setor não foi privatizado pelos tucanos com financiamentos públicos e com a promessa de que a iniciativa privada era mais eficiente e mais competente para investir nele??? Ainda querem mais dinheiro???!!!). Já o "Globão", digo, "O Globo" teme que os recursos para a habitação também não sejam suficientes (preocupação com o déficit habitacional da população mais pobre??? Duvido!!!).

Não deixa de ser interessante notar que todos os três baluartes da defesa da liberdade de imprensa e da democracia tenham “esquecido” de dizer que estas deficiências poderiam ser cobertas com parte do dinheiro que escorre para o ralo com o pagamento de juros graças às “boas” e “virtuosas” práticas financistas paridas pelo Banco Central e herdadas do governo tucano.

 

 



Escrito por VT às 14h06
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Prof. Hariovaldo

Pense em duas páginas divertidas! O site e o blog do Prof. Hariovaldo. Neles, o autor ironiza e goza com a cara dos direitistas e conservadores alucinados, como o Olavão e o bufão Reinaldo Azevedo, que se comprazem em ver indícios de conspiração esquerdista até em receita de panelada. E o melhor é que alguns leitores pegam corda e mandam comentários furiosos contra o “reacionarismo” do autor. Impagáveis! Os links:

 

http://hariprado.personal30.net/

 

http://hariprado.zip.net/

 



Escrito por VT às 12h00
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Farsa machadiana

Ontem, assisti mais uma vez à versão platinada do “Auto da Compadecida” em DVD. Comédia farsesca à parte, acho que existe, naquela obra, algo de machadiano. Como todos sabem, o autor carioca, com o seu gosto pela dissecção da alma humana, deixa, no final e à escolha do leitor, em “Dom Casmurro”, o veredito final se Capitu traiu ou não Bentinho. Várias evidências favorecem a hipótese do pecado, enquanto outras insinuam a inocência da personagem. Machado fecha a estória com as possibilidades abertas. O mesmo acontece no final do auto de Ariano, quando ocorre a análise dos caracteres dos personagens. A Virgem Maria fez todo aquele discurso, cheio de lugares-comuns, para salvar João Grilo apenas por piedade ou...... por interesse no dinheiro da promessa do amigo Chicó pela sua intercessão junto a Jesus? Se o tema central da trama é a simonia, o comércio de graças espirituais, levada à cabo pelo padre e pelo bispo, possivelmente o autor pensou em usar da ironia extrema ao mostrar a alma humana da mãe de Cristo e incutir a dúvida sobre a conduta da santa. Afinal, se a alma humana do próprio Filho de Deus pode sucumbir ao pecado da ira contra uma pobre figueira estéril ou contra humildes vendedores da porta do templo, que apenas tentavam ganhar a vida, porque a sua mãe não pode se deixar levar pela cobiça? A decisão fica para a platéia. Para os crentes não se ofenderem, lembro de outra peça, “Otelo”, de Shakespeare, onde a infeliz Desdêmona era inocente apesar de todas as evidências em contrário.

 



Escrito por VT às 11h34
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Tu quoque, Mino, fili mi?

Após negar veementemente, em seu blog, a nota de Mino Carta descrita no “post” abaixo, inclusive taxando-a de leviana, eis que Zé Dirceu volta às boas com o jornalista após conversa a dois, onde José esclareceu que realmente esteve em Portugal e no hotel mencionado na data indicada. No entanto, o único careca com quem se encontrou foi o jornalista Toninho Drummond, da Globo. A ser verídico o relato de Zé, Mino viajou na maionese (arrastando este blog consigo) simplesmente porque não procurou checar a informação com o próprio Zé Dirceu antes de publicá-la. Ou não é mais assim que se faz?



Escrito por VT às 23h45
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São apenas bons amigos, ora bolas!

O jornalista Mino Carta informa em seu blog que Zé Dirceu e Marcos Valério (ainda lembram dele?) foram vistos tomando café placidamente em um hotel de Lisboa no último dia 06 do corrente. Na certa, o Zé estava procurando saber do careca o motivo da sua cassação já que, até hoje, continua a proclamar a sua inocência.

 

Acaba de ocorrer-me uma idéia: que tal se Zé, à maneira de O. J. Simpson, escrevesse um livro contando como seria se realmente tivesse chefiado todo aquele esquema de financiamento ilegal de partidos políticos da base aliada do governo? Venderia mais que Viagra e Prozac juntos.



Escrito por VT às 00h25
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Na casa do Senhor não existe Satanás...


Gostaria muitíssimo que alguém sugerisse ao nosso ministro da justiça que desista da idéia de pedir a extradição daquele casal de pilantras da Igreja Renascer. É melhor que eles fiquem por lá mesmo. Em terras estadunidenses, existe uma esperança de que eles recebam a punição que merecem. Já aqui, no Brasil, tem gente botando cifrões nos olhos só de imaginar o quanto podem ganhar com o prolongadíssimo processo que deverá correr na justiça brasileira. No final, o casal 20 (milhões de dólares) acabará soltinho, pronto para continuar a enganar aqueles que se dispuserem a bancar os trouxas naquelas patéticas sessões de estelionato da fé e da verba alheias na "casa do Senhor". O tinhoso é que não se arrisca a aparecer por lá nessas horas. Arrisca-se a ficar sem o rabo, sem os chifres e sem o tridente.

 

Aliás, já está na hora de se acabar com esse irritante laxismo do estado brasileiro com as bandalheiras midiáticas, religiosas (evangélicas ou não), políticas, etc, gestado pela (boa) intenção de se desmontar o aparato autoritário do regime militar. Ficam, assim, as autoridades inibidas frente à menor sombra de insulto a supostas liberdades religiosa e de imprensa, bem como aos não menos hipotéticos direitos e garantias individuais de criminosos de todas as classes sociais. Em nosso país, tais direitos são usados como escudo para a prática das mais diversas barbaridades, inclusive jurídicas. E tome bandido à solta! Os únicos ofendidos são o bom senso e a cidadania, esta última, a parte que arca com os impostos cujos interesses maiores são quase sempre esquecidos.





Escrito por VT às 21h49
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O grifo do oriente

A China tem hoje a quarta maior economia do mundo. Tal pujança levou uma massa de mais de 150 milhões de trabalhadores a migrar para as cidades. Mais de 400 milhões de pessoas foram retiradas da pobreza graças ao tremendo crescimento da economia chinesa nas últimas décadas. O país tem mais de um trilhão de dólares em reservas cambiais e é, também, o segundo maior importador de petróleo do mundo e a segunda maior potência militar. Neste ano, as exportações chinesas deverão superar a fábula de um trilhão de dólares. Não satisfeitos, os chineses desenvolveram um avançado programa espacial. Tal desempenho econômico tem induzido a quase totalidade dos comentaristas brasileiros a saudarem a China como a mais nova superpotência econômica, destinada a superar a vacilante economia norte-americana ainda na primeira metade deste século. Tudo isso, segundo eles, só foi possível depois que o pragmático regime comunista chinês iniciou a reformar a estrutura econômica do país no final da década de 70 do século passado. Só depois de abrir a economia para as sacrossantas leis do mercado, a China passou a campear a trilha do irreversível desenvolvimento econômico. Ninguém segura a China.

Será? Tenho minhas dúvidas. Basta uma avaliação mais atenta para a situação econômica, social e política da China para podermos constatar o terreno frágil sobre o qual se assenta o crescimento econômico daquele país. Pra começar, o volume enorme de investimentos estrangeiros no país, ao contrário do que dizem os nossos limitados e deslumbrados comentaristas econômicos, não tem nada a ver com as reformas liberais pelas quais passou a sua economia. Afinal, Brasil, Argentina e México abriram muito mais as pernas, ooops, as economias e todos vimos no que deu. O real motivo do tropismo dos capitais pelos encantos chineses é a quantidade imbatível de mão-de-obra barata associada ao regime autoritário que inibe qualquer forma de reivindicação trabalhista. Nada de greves, nada de direitos trabalhistas, nada de sindicatos, nada de salários justos. O que mais um capitalista “muderno” poderia querer em um mundo onde a competição corporativa é cada vez mais acirrada? Mas não fica só nisso. Não vejo ninguém falar da desvalorização excessiva e artificial da moeda e do alto nível de subsídios que o governo chinês utiliza para turbinar as suas exportações. Empresa livre e direitos do consumidor, lá, ninguém sabe se são pra comer ou pra beber. Não podemos, também, esquecer o nível alarmante de degradação ambiental causada pelo rápido desenvolvimento econômico do país. Nos últimos 20 anos, a desertificação do seu território aumentou em 20%. Lembro que estamos falando de um território de 9.600.000 km². A China devora rapidamente os seus recursos naturais e o meio ambiente para sustentar o seu crescimento. Água potável, na China, é mais rara do que enterro de anão. Na área rural, 500 milhões de chineses não têm acesso a tratamento da água. Assim fica muito fácil exportar e crescer no atual ambiente econômico mundial onde a maioria dos países são obrigados a obedecer a legislações ambientais restritivas e a confrontar as inarredáveis demandas sociais e trabalhistas dignas da civilização.

Mas, para a nossa mídia tudo isso são apenas detalhes insignificantes. Coisinha à toa. Por muito menos, eles metem o pau no regime cubano, mas, fazem questão de esquecer o massacre da Praça da Paz celestial em 1989.

No Ocidente, o capitalismo moderno nasceu como conseqüência do surgimento de uma classe burguesa que, assim que se viu suficientemente fortalecida, promoveu revoluções liberais e mandou decapitar reis a fim de reconfigurar o estado para a proteção e promoção dos seus interesses. Posteriormente, surgiu a importantíssima classe média para deixar-se usar como aríete dos interesses políticos da burguesia ao mesmo tempo em que assumia o vital papel de consumidora de produtos manufaturados. E assim a roda capitalista começou e permanece a girar. A China, de forma original, pretende inventar o capitalismo sem burguesia e sem classe média. Apenas o estado autoritário e hipertrofiado para promover e sustentar os seus arrufos capitalistas. Algo assim como um aberrante grifo oriental de corpo capitalista e cabeça comunista. Não, não estou defendendo a idéia imbecil do estado mínimo. Apenas não compartilho estultices, sejam elas esquerdistas ou neoliberais. As duas fazem bela companhia uma à outra no aterro sanitário da história. Quanto à China, acredito que o seu esplendor econômico não demorará muito a ressentir-se da sua absoluta falta de sustentabilidade. Além disso, na medida em que lá desenvolverem-se uma burguesia e uma classe média, ambas com alto poder reivindicante, associadas ao aumento das demandas sociais, ainda irrelevantes, as estruturas de poder atuais começarão a soçobrar na trilha de uma crise política de inevitáveis conseqüências econômicas.




Escrito por VT às 23h55
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Hipócritas II

Então o bravo deputado federal Raul Jungmann, ex-ministro do Desenvolvimento Agrário do governo do príncipe e desassombrado inquisidor em CPI´s variadas, está, agora, sendo acusado de improbidade administrativa pela Procuradoria da República? Dizem os procuradores que ele e mais outros oito elementos participaram de um esquema de desvio de recursos públicos para pagamento de contratos de publicidade (quanta falta de imaginação!) no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) entre 1998 e 2002, quando o nobre deputado era ministro. Será que cabe aqui aquela perguntinha? FHC sabia????



Escrito por VT às 01h55
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A lei? Ora, a lei....

Ao visitar o porto das Dunas neste último final de semana, pude constatar o nível alarmante de depredação ambiental promovida pela especulação imobiliária naquelas bandas. É difícil, ou melhor, é muito fácil imaginar os motivos da irresponsabilidade e indiferença das autoridades ambientais em relação aquele disparate. Até condomínio fechado que, até há pouco, era motivo de briga com as entidades defensoras do meio ambiente pelo flagrante desrespeito à legislação ambiental acabou sendo construído. Sempre é possível encontrar alguma autoridade que não tenha pejo em aceitar os argumento$ brandido$ pelos representantes dos interesses empresariais. E a sociedade que se lixe! Se os ricos e remediados podem, ao bel-prazer, vilipendiar a lei, o que dizer dos pé-rapados que incendeiam ônibus lotados a mando dos seus líderes encarcerados? Vamos ver até onde a hipocrisia vai continuar a cevar a violência neste triste país.



Escrito por VT às 23h35
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Rasteira? Em quem???



Então os dirigentes coloridos querem pagar R$ 35.000,00 por mês a um zagueiro contundido e que só vai poder jogar em março vindouro? Fica a dúvida se são eles que estão dando uma rasteira na diretoria do Vozão ou se é a diretoria do Vozão que está dando uma rasteira neles...



Escrito por VT às 16h11
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Se você disser que eu desafino...


O herege é, muitas vezes, um inconveniente. Aquele que se dedica a levantar as saias das convicções dos outros, religiosas ou não, para revelar-lhes as inconsistências. Ou, no mínimo, para distinguir uma nova forma de pensar um assunto. Por isto, por confrontar as certezas, ele acaba sendo malvisto pelos contemporâneos. Ao longo da história, amplo tem sido o espectro dos remédios disponíveis para conter os atrevidos que ousam dissentir das crenças da maioria: vai da indiferença até a fogueira, real ou metafórica. No entanto, não há como negar aos hereges a importância higiênica no arejamento das idéias. No mínimo, conseguem ser instigantes. É o caso de Gore Vidal, Espinoza, Nelson Rodrigues, Nietzsche, Millôr Fernandes e outros.

Longe, muito longe de querer me comparar com os gênios citados acima, vou aqui cometer uma notável heresia. Ou melhor, vou endossar uma heresia que, há muito, a “inteligentsia” cultural da Botocúndia vem fazendo questão de ignorar. É o seguinte:
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João Gilberto é um contumaz desafinado!

Pronto, falei! E não tem Ruy Castro ou Caetano Veloso, dois lídimos sacerdotes da seita adoradora do cantor, que me faça mudar de idéia. Aliás, tal seita não é mais do que uma mera ramificação de uma religião, fundada há quase 50 anos: o bossanovismo. Para os seus fiéis, só é bom e justo aquilo que vem da bossa-nova. Fora da bossa-nova não há salvação. Quanto ao João, se é mesmo um deus e dada a sua tendência ao mau humor e aos chiliques, bem que poderia inspirar algum livro santo, ao estilo do Antigo Testamento, para que possa prescrever punições e represálias para os infiéis que não concordam em adorar-lhe a alegada genialidade, sem esquecer aqueles que não providenciam um microfone AKG-414 ou um ar-condicionado silencioso e na temperatura ideal (para ele) antes de um ritual de adoração coletiva.

Mas, passemos à parte técnica da coisa. Quando, no verdor dos meus anos adolescentes, comecei a escutar o canto de deus, digo, do artista, sempre tinha a impressão que, entre bim-bons, peixinhos e barquinhos, havia alguma coisa estranha com o seu jeitinho de cantar. Como não havia, ainda, angariado um mínimo de conhecimento de técnica musical, acabava acreditando que aquele algo estranho era apenas uma característica do seu estilo. E quem era eu para desmerecer o estilo de tão propalado gênio? Ainda assim...huuummmm! Era uma coisa que,...como direi?... Não combinava com a maravilhosa performance do Stan Getz no sax, por exemplo! Ah, mas nada como um pouco de maturidade e aprendizado! Acabei me dando conta de que aquela coisa estranha, que eu confundia com estilo, nada mais era do que desafinação. Não que o João seja um cantor de todo ruim, no entanto, a sua mania irritante de semitonar, quando não de sair totalmente do tom (nada a ver com Tom Jobim, por favor!), é que me faz ter a certeza da falta de justificativa para tanta badalação em cima dele. Além disso, a cada vez que o escuto, sempre me ponho a refletir, em desalento, sobre o vício da maior parte das pessoas de sempre seguir o pensamento dominante para não parecer ignorante. Vã devaneio! Eu e uns poucos nunca vamos nos conformar. Ainda que amaldiçoados pelo profeta Caetano e ameaçados de virar estátuas de sal. E olhe que eu ainda sou um primogênito...Que perigo!











Escrito por VT às 00h47
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Xô, Satanás!



Chega a ser patético como a grande mídia, com a sua inarredável vocação para o fuxico, distorceu o sentido do discurso de posse do governador José Serra, transformando-o em mero instrumento para fomentar as picuinhas partidárias. Não é segredo para ninguém que o novo governador paulista é um insistente crítico do monetarismo tacanho que infesta a política econômica brasileira desde, pelo menos, o início da década de 90. Daí as suas repetidas desavenças com a equipe econômica do governo FHC ao tempo em que era ministro. O seu discurso, longe de ser mais uma banal crítica tucana ao governo Lula, e a se acreditar na sua sinceridade, revela, na verdade, um projeto de país, desenvolvimentista e liberto do dogmatismo neoliberal. Ao mesmo tempo, parece-me evidente a intenção do governador tucano em definir um espaço próprio, como terceira alternativa na política brasileira, entre a linha conservadora tucano-pefelista e a linha popular-sindical do governo petista. É nessa base que se deve interpretar as palavras do novo governador de São Paulo. Assim, a crítica não foi apenas para a corrupção e estagnação da economia brasileira durante o governo Lula, mas, para toda a pasmaceira econômica e corrupção que assolam este país desde o fim do regime militar. FHC, cínico como ele só, finge que não é com ele também. No entanto, Serra parece ter percebido a necessidade de livrar-se, o quanto antes, da exposição aos miasmas exalados por FHC, Tasso, Alckmin e outros da mesma laia para que possa consolidar-se como alternativa viável ao lulismo e, simultaneamente, manter a sua imagem a salvo da pecha conservadora. Como governador do estado mais rico da federação pode, muito bem, usar tal força política para empurrar o seu partido mais para a esquerda, deixando o pessoal do enfraquecido pefelê falando sozinho e ocupando o vácuo entre as duas tendências hegemônicas da política brasileira atual. Vai ter que procurar apoio em lideranças de outros estados e, para tanto, será necessário “despaulistizar” o PSDB. Vamos ver. Não é impossível que o país lucre alguma coisa com isso.

 

 



Escrito por VT às 00h46
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