Quem sabe, caríssimos leitores, vocês lembrem destes clássicos: “Copacabana”, “A Saudade Mata a Gente”, “Balancê”, “Pirata da perna de Pau”, “Touradas em Madri”, “Carinhoso” e “Chiquita Bacana”.
Fácil, não?
E quanto a estes? “Capelinha de Melão”, “Tem Gato na Tuba”, “Pela Estrada” (Pela estrada a fora eu vou bem sozinha...), “Lobo Mau” (Eu sou um lobo mau, lobo mau, lobo mau...), “Quem tem Medo do Lobo Mau” (versão), “Eu vou” (Eu vou, eu vou, pra casa agora eu vou...) (versão), “Quem quer casar?” (Quem quer casar com a Sra. Baratinha que tem fita no cabelo e dinheiro na caixinha?...)
Lembraram? Para muitos, como eu, esta última lista remete às mais longínquas nostalgias da infância.
Senhoras e senhores, o autor: Carlos Alberto Ferreira Braga, o Braguinha ou João de Barro, cantor e compositor, precocemente falecido no último dia 24 de dezembro, aos 99 anos, foi, por mais de 50 anos, um dos mais prolíficos, profícuos e proficientes compositores brasileiros. Merecia viver mais cem anos pela qualidade da sua extensa obra e pela capacidade de enlevar almas e imaginações ao longo de várias gerações. Animou de festas infantis a bailes carnavalescos, incluindo o trabalho como produtor, narrador e compositor da Coleção Disquinho (aquela dos disquinhos coloridos que contavam fábulas e estorinhas para crianças), além dos inúmeros sucessos que enriquecem a música popular brasileira. Talvez, não tenho certeza, apenas Roberto Carlos o supere em quantidade de hits. Que seja. Ambos estão na boa companhia um do outro. Nunca soube ler música e só compunha de ouvido, assim como aqueles rapazes liverpooldlianos que fizeram sucesso na década de 60. Coisa de gênios...
Ao assistir este embate entre o Governo do Estado do Ceará e a Petrobrás pelo preço do gás que deve abastecer a futura siderúrgica a ser construída aqui, constato que um detalhezinho gritante passou “despercebido” pela mídia local. Durante muito tempo os aiatolás neoliberais defenderam e ainda defendem a privatização da petrolífera alegando, não inocentemente, que a mesma não age de acordo com as leis do mercado. Pois muito bem. Agora que, nesta confusão toda, a empresa resolve se comportar de acordo com o que se espera de uma corporação inserida no mercado, recusando-se a vender gás natural a preços abaixo dos custos de produção para um empreendimento PRIVADO, de capitais PRIVADOS, inclusive estrangeiros, a gritaria dos antigos defensores da privataria, pessedebistas à frente, agora travestidos de defensores dos mais legítimos interesses do povo cearense, mostra o tamanho da máscara a encobrir a cara-de-pau destes velhacos.
Depois que o STF barrou o aumento de 91% dos nossos abnegados parlamentares por considerar ilegal que o mesmo fosse concedido por atos administrativos das presidências das duas casas, fica a dúvida atroz no ar: os presidentes da Câmara e do Senado não sabiam da ilegalidade do que estavam fazendo ou quiseram apenas dar um golpe na platéia eleitora tendo em vista as próximas eleições para as presidências das casas?
Pra começo de conversa, só pelos maus antecedentes da Globo em outros episódios políticos já dá pra ter uma idéia de quem tem razão neste bate-boca. No entanto, para que este blog não caia na vala comum das más-práticas dos veículos da grande mídia, e sem querer compará-lo a eles, admito o benefício da dúvida para a emissora dos Marinhos e passo à análise da resposta do tal diretor de jornalismo.
Pois bem, em nenhum momento da sua missiva, o Sr. Luís Cláudio rebate, objetivamente, as graves acusações do repórter demitido. Em vez disso, centra o fogo na pessoa e na conduta do acusador. Ajudaria, bastante, à defesa da Rede Globo, se o diretor especificasse os motivos da demissão do repórter. Ao não fazê-lo, aumenta muito a possibilidade de, conforme fica implícito no texto acusatório, ter mesmo se tratado de um expurgo conseqüente à recusa do Sr. Rodrigo em assinar aquela nota de desagravo divulgada há algumas semanas atrás. Sem falar que, em nenhuma parte da sua carta, o repórter insinua ou faz entender que saiu por conta própria. Aliás, vários órgãos de imprensa já haviam divulgado, anteriormente, a versão de que o jornalista havia sido demitido.
Também não concordo que o repórter tenha atacado algum colega. Só se o diretor de jornalismo da Globo estiver se referindo aos sabujos parlapatões sempre de prontidão para atender às vontades e caprichos inconfessáveis dos patrões. Neste caso, a carta do repórter deixa bem claro que ele não considera este tipo de profissional um colega apenas por ser também jornalista, no que está muitíssimo certo.
O fato do diretor pôr em dúvida a integridade do repórter pelo fato deste não ter se demitido antes, quando confrontado com as sujeiras dos seus chefes, não passa de uma estratégia banal e rasteira, de quem não tem argumentos convincentes para se contrapor às acusações. Existem muitos motivos não-desabonadores que obrigam um profissional a engolir sapos e a permanecer no emprego.
Qualquer pessoa com um pouco mais de juízo do que uma anta obnubilada sabe, perfeitamente, que o comportamento do jornalismo da Globo, bem como os de vários outros órgãos de mídia, nesta últimas eleições, foi claramente tendencioso, procurando, quase sempre, poupar os candidatos pessedebistas de qualquer constrangimento frente aos desmandos de governos tucanos anteriores, principalmente os de FHC e Alckimin, enquanto mandava brasa nas pilantragens de alguns petistas sempre procurando encontrar alguma relação íntima destes com o presidente Lula. E ainda me vêm com clichês e banalidades referentes à suposta “cobertura eleitoral isenta e democrática”. Isso é muito parecido com aqueles comunicados oficiais de autoridades, quando confrontadas com algum descalabro nas suas áreas, jurando que irão “investigar a fundo”, que “os responsáveis serão punidos”, que “as providências já estão sendo tomadas” e blá blá blá. Só que, agora, o público não parece mais disposto a engolir o blá blá blá, o que faz as pernas da mentira ainda mais curtas. Foram flagrados mentindo e distorcendo os fatos. Se não inventaram a pilha de dinheiro que usem a criatividade para fins mais nobres como o respeito ao público. Do contrário, seguirão falando sozinhos ou, na melhor das hipóteses, apenas entre eles mesmos.
Ponho aqui o link para a carta do jornalista Rodrigo Vianna, recentemente proscrito do Olimpo, para os seus colegas de profissão e que já começa a fazer sucesso na rede por causa das seríssimas críticas à conduta da direção da emissora platinada durante as eleições deste ano:
Tudo bem (na verdade, tudo mal) que o ocidente extrapole demais nas suas relações com os países muçulmanos. Culpa, principalmente, da tacanhez dos líderes norte-americanos e israelenses. No entanto, é indubitável que, em muitos regimes islâmicos, o desrespeito aos direitos humanos seja endêmico por conta da preponderância indevida de conceitos e idéias religiosas capazes de fazer corar um inquisidor espanhol do século XVI. Aliás, em quase todos esses regimes, o sonho das suas lideranças teocráticas é o retorno à Idade Média com tudo o que havia de ruim neste período, inclusive a corrupção. Não faltam exemplos de barbárie: apedrejamento de mulheres na maioria destes países, mutilação genital de garotas adolescentes em países africanos, seqüestro e decapitação de trabalhadores estrangeiros no Iraque, etc, etc, etc. Claro que a brutalidade que os países do ocidente impõem a essas nações só faz aumentar o prestígio dessas lideranças junto às populações empobrecidas e oprimidas, em detrimento, de líderes muçulmanos mais moderados, racionais e inteligentes.
Agora, a Líbia dá a sua contribuição à extensa sala de troféus da torpeza humana. Em recente artigo, publicado no International Herald Tribune, a Dra. Elizabeth Rosenthal denuncia a barbaridade prestes a ser cometida pela “justiça” da Líbia contra cinco enfermeiras búlgaras e um médico palestino acusados de infectar propositadamente várias crianças em um hospital pediátrico daquele país. Os seis estão presos há oito anos, já foram julgados e condenados à morte pela lei islâmica que assola o país, mas, aguardam novo julgamento. Ocorre que vários especialistas estrangeiros, que visitaram aquele país para analisar as evidências, incluindo o Dr. Luc Montaigner, um dos co-descobridores do vírus HIV, concluíram que o processo está eivado de irregularidades e de conclusões absurdas. O motivo? Simplesmente encobrir a incompetência do governo líbio e a forma absolutamente irresponsável com que as autoridades sanitárias daquele país agem na prevenção das infecções hospitalares. Simplesmente, em pleno século XXI, e depois de tudo o que já se conhece sobre SIDA e outras doenças transmitidas pelo sangue e secreções humanas, nos hospitais líbios ainda é comum a prática da reutilização de seringas, agulhas e frascos contaminados com material humano. Aí está a causa da tragédia que acometeu aquelas crianças. Pra não restarem dúvidas sobre a origem nosocomial deste surto de HIV, os investigadores chegaram ao requinte de constatar, por análise genética e por biologia molecular, a similaridade das cepas virais em todas as crianças infectadas. Além disso, o mesmo tipo de vírus foi encontrado em outras crianças contaminadas no mesmo hospital antes de 1997, ano em que os profissionais acusados começaram a trabalhar naquele país. Além disso, a maior parte dessas crianças também foi infectada pelo vírus da hepatite C.
Apesar de todos os apelos e protestos de cientistas e entidades internacionais, inclusive da Organização Mundial de Saúde e de cem laureados pelo prêmio Nobel, os juízes líbios não parecem dispostos a darem mais consideração às importantes evidências científicas do que às provas altamente duvidosas obtidas pela polícia local que ligam os réus a uma inacreditável conspiração israelense para sabotar o governo líbio. Dá pra agüentar tamanha sordidez ???
É desanimador constatar que, após todo o progresso científico e humanístico dos últimos trezentos anos, grande parte da humanidade ainda permaneça refém da abjeção caracterizada por tudo o que represente fundamentalismo religioso, obscurantismo, autoritarismo e corrupção. Ainda mais quando percebemos que a barbárie não é atributo exclusivo dos regimes islâmicos. Basta trocarmos a palavra religioso logo acima por econômico, financeiro, neoliberal...
De um lado um time supostamente imbatível, estrelado, repleto de craques muito bem pagos e já destinado, entre um bocejo e outro, a ser campeão. Irão jogar, apenas, o suficiente. Do outro, um time fadado a ser vice-campeão, de jogadores pouco conhecidos, mas, dispostos a mostrarem que, como diz a velha letra de rock, "a vitória não está perdida, pois é de batalhas que se vive a vida, bastando ser sincero e desejar profundo..."
Amigos, esta vitória do Internacional fez-me lembrar de outra vitória semelhante, ainda recente, mais modesta, porém, dignificante para a história do vencedor e didática na história do derrotado.
Nada pior para um castelhano do que enfrentar um gaúcho. Tal constatação remonta ao século XVIII quando o bravo povo do Rio Grande iniciou a confrontar os colonizadores espanhóis e seus descendentes, vindos da margem do Prata, que investiam sistematicamente contra as fronteiras da então colônia portuguesa naquela região. Diria, pois, que, neste embate de ontem, em gramados japoneses, a antiga alma gaúcha reencontrou um velho adversário. Não adianta considerar que a maioria dos jogadores do time catalão eram não-espanhóis e do time colorado, não-gaúchos. O que interessa é o espírito que permeia a atuação e a história de qualquer time de futebol que se preza. E, convenhamos, não havia como não sentir a transcendência histórica daquelas antigas lutas a pairar sobre o confronto de ontem pelo título mundial interclubes.
Povo habituado a se virar sozinho, pois, relegado ao abandono pelos governos colonial e imperial, o que suscitou várias revoltas, como a Farroupilha, os rio-grandenses foram os responsáveis pela manutenção e estabilização da nossa fronteira sul. Foi com esse espírito que a esquadra colorada adentrou o campo de Yokohama para derrotar a "invencível armada" espanhola. Esta referência à antiga frota de Felipe II, mais do que uma ironia, é a lembrança do quanto a arrogância pode comprometer uma peleja, seja uma batalha naval, seja uma decisão de campeonato. Assim como no século XVI, confiantes no poderio da sua poderosa esquadra frente à insignificância da armada inglesa (neste tempo, estes ainda não tinham o domínio dos mares), os espanhóis cantaram precocemente a vitória e foram destroçados; no Japão, antes do jogo deste domingo, incorreram no mesmo erro e caíram mais uma vez. Disseram que jogariam apenas o suficiente para ganhar do Inter. Pois muito bem, o suficiente não foi suficiente. Era preciso muito mais para bater o campeão sul-americano.
Lembro que o futebol é o esporte que melhor se presta como metáfora da vida e da história. Nisso reside a sua superioridade em relação aos demais. Não é mesmo, Luiz Adriano? Fossem times de vôlei ou de basquete e se enfrentassem cem vezes, cem vezes o Barcelona ganharia do Internacional. E o Luiz Adriano jamais trafegaria da condição de renegado pela torcida para a de herói. É assim com todos os esportes de movimentos repetitivos, estereotipados, chatos, na verdade. Não com o futebol. Com ele é diferente. Nele nem sempre ganha o melhor, ou melhor, nem sempre o melhor joga melhor. Não se confundam: nem sempre o melhor é realmente o melhor! E é justamente aí, nessa imprevisibilidade, nesse caos, que o ludopédio atende às metáforas. Quando os antecedentes da vida e da história de um time ou de todo um povo se combinam para transcender as vitórias e as derrotas. Por falar nisso, é de bom alvitre lembrar que, nesta decisão, o espírito combativo gaúcho teve a inestimável colaboração do espírito de outro povo que também, há muito, aprendeu a resistir e a sobreviver sozinho: o nordestino. O heróico alagoano Luiz Adriano e os incansáveis cearenses Iarley e Ceará mostraram como sabe pelear um nordestino obstinado. No Ceará, é comum dizerem que os cearenses, um dia, irão conquistar o mundo. O jogo de ontem mostrou que isso é possível. Será mais fácil se estiverem acompanhados de alguns gaúchos. O mundo não perde por esperar.
Há privilégios que, só a nós, brasileiros, são dados a usufruir. Por exemplo: a cada acidente aéreo no Brasil, aprendemos alguma coisa sobre aviação, suas técnicas e tecnologias. No acidente com o avião da Vasp, na serra da Aratanha, em 1982, aprendemos muito sobre caixas-pretas. Já naquele acidente com a aeronave da Varig, em 1989, - aquele avião que se perdeu sobre a selva amazônica, lembram? – tivemos boas aulas sobre planos de vôo. No desastre do avião da TAM, em 1996, obtivemos amplos conhecimentos sobre o funcionamento de algo que, até então, nunca tínhamos ouvido falar: o reverso. Agora, com esta tragédia da GOL, mais do que nunca, estamos tendo a oportunidade de aprofundarmos os nossos conhecimentos sobre a nobilíssima e improvável arte de voar num mais pesado do que o ar. Vamos nos tornando proficientes em transponder, controle de tráfego aéreo, Cindacta, aerovias e, mais uma vez, planos de vôo. Em breve, estaremos habilitados a, antes de qualquer decolagem, lembrarmos ao piloto da importância de manter o reverso desligado e o transponder ligado e, ainda, inquiri-lo se vamos trafegar na aerovia par ou na ímpar. Decerto, bem informados sobre a situação do vôo, recostaremos a cabeça na poltrona e viajaremos mais tranqüilos.
É claro que este aprendizado só tem sido possível pela nossa inesgotável capacidade de especulação que se manifesta, principalmente, nos noticiosos escritos, falados e televisionados, para usar um lugar-comum. Se nesse emaranhamento de argumentações, contra-argumentações, informações, contra-informações, palpites e chutes, as causas e os culpados destes acidentes acabam não sendo esclarecidos ou, no mínimo, demorando muito a sê-lo, pelo menos, ganhamos em conhecimento. E de todos os saberes que vamos angariando, talvez, o mais importante, para a nossa condição de consumidores dos serviços de transporte aéreo, tem sido sobre a irresponsabilidade que tem assolado o tratamento dado à segurança dos vôos ao longo de muitos anos e vários governos.
Apesar de todos os alertas e denúncias que vinham sendo lançados, há muito tempo, pelos profissionais da área, nem as autoridades (ir)responsáveis, nem as empresas aéreas e, muito menos, a mídia se interessaram em dar, ao assunto, o tratamento adequado. Só após o escandaloso custo de 154 vidas, no acidente de setembro deste ano, a parede de silêncio desabou e os graves problemas chegaram à opinião pública. Mesmo assim, considero que a divulgação ainda é bastante deficiente, pois, os repórteres, na grande maioria das vezes, limitam-se a divulgar pronunciamentos e briguinhas de autoridades. Ninguém se aventura a pular o muro dos pronunciamentos oficiais e escutar o que têm a dizer as pessoas diretamente envolvidas e mais próximas do problema: controladores e pilotos. Por que ninguém, ainda, entrevistou os pilotos americanos ou algum dos controladores que estavam de plantão em Brasília na hora do acidente? Por que ninguém dá muita atenção aos representantes das categorias que, há muito tempo, vêm segurando as pontas deste descalabro? A resposta é simples. Porque não existe interesse em lançar luz sobre a forma como tem sido dirigido o estado brasileiro nestas últimas décadas. Discutir as graves deficiências do sistema de controle de tráfego aéreo brasileiro acabaria levando às mesmas causas do mal funcionamento do sistema público de saúde, da falta de segurança pública, da depredação das rodovias, da desorganização da educação pública e por aí vai. Ou seja, o estado brasileiro não está configurado para o atendimento das necessidades da maior parte da população, mas, apenas para a preservação de um ambiente propício aos negócios dos grandes capitalistas e da banca financeira, como diria Elio Gaspari. E nós, patos, devemos continuar satisfeitos em pagar impostos e taxas enquanto nos mantemos amplamente “informados” pela VEJA e pela Globo sobre as delícias de vivermos em um país tropical, abençoado por Friedman e von Hayek, seja lá de qual inferno eles estiverem, na certeza que, um dia, a vitória cingirá as nossas frontes. Basta confrontarmos as adversidades com fé naqueles que apontam o caminho virtuoso. Amém!
Ao ver as cenas do funeral do general-ditador Augusto Pinochet, não pude deixar de observar a semelhança do cerimonialcom aquele normalmente reservado para as exéquias dos presidentes norte-americanos. A carruagem aberta, conduzindo o caixão, seguida do corcel sem cavaleiro e o final, com o militar entregando a bandeira nacional à viúva, são exatamente iguais ao que se vê nas cenas das cerimônias fúnebres dos presidentes Roosevelt, em 1944, e Kennedy, em 1963. Ficou-me a impressão de que, apesar do governo chileno relegar ao morto apenas um enterro com honras de chefe militar, a sua família e o exército chileno resolveram macaquear os americanos e encenar um simulacro de cerimônia fúnebre, com honras de chefe de estado, para driblar o veto da presidente Bachelet! Assim, no gran finale da sua sombria existência, o ditador foi protagonista de uma burlesca farsa.
As três imagens em preto e branco são do funeral do presidente americano John Kennedy.
Bem dizia Érico Veríssimo pela boca de Fandango, um dos seus personagens no épico “O Tempo e o Vento”: “Cachorro calado e homem de fala fina, cuidado com eles”. O mesmo devia pensar o ótimo Lima Duarte quando construiu a sua interpretação do impagável Zeca Diabo, personagem do inesquecível Dias Gomes, com aquela vozinha fina para ressaltar ainda mais o seu caráter de matador implacável. Pois o general-ditador chileno Augusto Pinochet Ugarte, proscrito da vida no último domingo, tinha a fala fina. Se o Fandango de Veríssimo tivesse circulado entre os vivos e escutasse a voz do general, imediatamente haveria de diagnosticar-lhe os maus-bofes.
Assim como outro tirano, Adolf Hitler, o general Pinochet, nascido em Valparaíso, em 1915, era filho de um funcionário da alfândega. Até ser nomeado comandante do exército chileno, em 1973, pelo presidente Salvador Allende, não passava de um obscuro oficial-general. Em 11 de setembro de 1973, revelou o quanto de maus-bofes pode ocultar uma fala fina. Arrestou o poder e, a partir daí, emplacou uma das mais sórdidas ditaduras já registradas pela miserável história latino-americana. Saiu do governo em 1990, após 17 anos de poder, deixando um rastro de mais de 3.000 mortos e milhares de desaparecidos. Sem menosprezo às graves acusações de corrupção, enriquecimento ilícito e tráfico de drogas.
No entanto, para os adoradores do bezerro de ouro, o mercado, tudo isso é fichinha frente à adesão, de primeira ordem, da ditadura chilena aos dogmas do Consenso de Washington, fazendo do Chile um laboratório para as teses de von Hayek e Milton Friedman. Nos seus três primeiros anos de governo, Pinochet teve Friedman como consultor contratado. E os discípulos deste, alojados no governo chileno, viram-se diante de uma excepcional oportunidade para aplicar as teorias do guru. Sem ninguém que pudesse se atrever a piar contra. Deram com todos os burros n’água. Entre 1973 e 1983, a economia chilena atravessou uma brutal recessão com direito a todos os efeitos tóxicos: desemprego, queda dos níveis salariais, concentração de renda, diminuição brutal do PIB e destruição da indústria. Devido à enorme depredação da economia do país andino, o governo do generalíssimo viu-se obrigado a reverter a política econômica, reabilitando heresias antiliberais como o controle da conta capital e as quarentenas de entrada e saída de capitais. Foi a partir daí que a economia chilena, livre das influências da Escola de Chicago, acelerou. Hoje, nem a Universidade de Chicago agüenta mais as teses do decantado prêmio Nobel. Assim, existe, pelo menos, um mérito para o governo de Pinochet: foi um dos primeiros, senão o primeiro a demonstrar o embuste teórico daquelas duas bestas acadêmicas. Claro que os lorpas da nossa grande imprensa não se interessam por isso.
Benefícios podem surgir até das piores tragédias, como as guerras. Assim é o exemplo do desenvolvimento das técnicas cirúrgicas. Mas, isso não significa que possa haver qualquer tipo de absolvição para a maldade humana. Tal é a situação dos anos Pinochet, ao contrário do que querem fazer parecer alguns comentaristas da mídia brasileira, obnubilados pelo crescimento econômico chileno proporcionado pela ditadura pinochetista. A verdade é que, com a sua morte, significativamente no Dia Mundial do Direitos Humanos, a humanidade fica mais leve. Não a sua história.
Engraçado...Há mais ou menos um ano atrás não faltaram patetas golpistas na mídia a justificarem o impeachment do Lula sob o pífio argumento de que o “quengresso” estaria dispensado de se ater à prova da culpa do presidente por crime de responsabilidade. Seria tão somente uma “decisão política”. E isso bastaria.
Pois bem. Agora estes mesmos parvalhões berram aos céus por conta das absolvições de muitos “mensaleiros”, alguns evidentemente culpados, pelo mesmo “quengresso” destinado a justiçar o mandato presidencial na ausência de provas. É isso...decisão política.
A direita brasileira não tem mesmo nenhum pudor da sua ridícula tendência às simplificações. E ainda adora falar da burrice da esquerda. Claro que alguns setores da esquerda pátria bem merecem tal qualificativo, no entanto, para eles as últimas eleições tiveram os seus remédios. Quanto à direita, permanece a berrar o seu desespero pelo avanço de um ramo, digamos assim, mais competitivo e mais carismático, além de mais pragmático, da esquerda sulamericana. Aquele que tem intenção de dirigir as políticas de governo à diminuição das seculares injustiças sociais que assolam o “sudamerica”. Para tanto, “nuestros” direitistas abusam da simploriedade a ponto de destroçarem a minha abissal paciência.
Ultimamente, deram para rasgar as vestes contra a proposta de reforma constitucional, proposta pelo presidente venezuelano Hugo Chávez, que inclui a possibilidade de reeleição indefinida do presidente. Afirmam, os pregoeiros da direita, que esta é uma tentativa de Chávez de eternizar-se no poder. No entanto, simploriamente, fazem questão de esquecer que a mesma constituição possui um dispositivo que obriga a convocação do eleitorado na metade do mandato presidencial para, em forma de plebiscito, decidir se o presidente pode ou não continuar a governar.
Por outra, como adequadamente lembra o jornalista Valdemar Menezes, a vaca sagrada da direita, Lady Thatcher, em nenhum momento dos 12 anos em que esteve no poder na Grã-Bretanha, pôde ser acusada de continuísta, já que a constituição do seu país, como as dos outros regimes parlamentaristas, condiciona a continuidade do mandato do Primeiro-Ministro à indispensável manutenção da maioria no Parlamento e à não-desaprovação, pelos parlamentares, da gestão do Chefe de Governo pelo voto de desconfiança.
Assim, tanto no caso inglês como no caso venezuelano, o eleitorado tem uma forma eficaz de remover o governante que não atende às expectativas com as quais ele foi eleito. Um luxo que nem a nossa decantada democracia possui.
Nesta semana, mais uma vez, os editorialistas e comentaristas da grande imprensa entoam o coro uníssono da indignação contra o descalabro que se assiste nos aeroportos do país. Filas e filas de riquinhos - já que rico de verdade tem avião particular - e remediados à espera de um vôo incerto. “Como isso pode acontecer?” “Olha o prejuízo para o PIB!” “Quanta irresponsabilidade!” E assim vão seguindo na expressão da indignação hipócrita. Eu digo “hipócrita” porque nenhum desses articulistas e comentaristas são suficientemente honestos para referirem, à opinião pública, a bolada de R$ 1,7 bilhão que, recolhida das taxas e impostos pagos pelos passageiros, deveria ser investida na melhoria dos aeroportos e da segurança nos vôos. Esse dinheiro permanece retido compulsoriamente em favor do superávit primário. O mesmo vale para as verbas que deveriam ser utilizadas nas estradas, na segurança pública, na educação, na saúde, etc, etc, etc. Tudo contigenciado para o pagamento dos juros à pirataria financeira.
Quando essa turma midiática cospe a necessidade imperiosa do governo conter o déficit público, faz questão de ocultar da opinião pública o singelo fato de que a principal responsável pelo descontrole das contas públicas é a criminosa política monetária levada a cabo pelos economistas comprometidos com a “causa” que, dos gabinetes do Banco Central, impõem à nação incivilizadas taxas de juros. São os tais responsáveis pela “excelência” dos fundamentos econômicos que enche as bocas e os corações dos editorialistas e dos comentaristas econômicos.
E ainda, os “formadores de opinião” seguem a cevar a impostura econômica quando estendem as suas diatribes sobre a Previdência Social, sempre exibida como cronicamente deficitária. Nesse caso, a manipulação das informações chega a afrontar a Constituição. São os casos, por exemplo, dos anos de 2004 e 2005, quando foram divulgados passivos de R$ 32 bilhões e de R$ 37,6 bilhões, respectivamente. A professora Denise Lobato, em tese de Doutorado no Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, sob o título “A Política Fiscal e a Falsa Crise da Seguridade Social Brasileira – Análise Financeira do Período 1990-2005” revela a farsa perpetrada pelos economistas responsáveis pela manipulação destas contas. Simplesmente deixaram de incluir os recursos provenientes da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) conforme preconiza a nossa Carta Magna. Uma vez corrigidas, as contas mostram um superávit de R$ 8,26 bilhões em 2004 e de R$ 921 milhões em 2005. A professora é taxativa: “Esse superávit, denominado superávit operacional (...)não é divulgado para a população como sendo o resultado da previdência social. Constata-se, portanto, que há recursos financeiros excedentes no RGPS (Regime Geral da Previdência Social) e que tais recursos poderiam ser utilizados para melhorar este sistema, em benefício de uma parcela considerável da população de baixa renda”.
A nós, “manés” mal informados, sobram os impostos enquanto assistimos, agora, o Presidente Lula desdobrar-se em afagos e mesuras para convencer os proxenetas do PMDB a integrarem a vital base de apoio no “quengresso”. Desejo todo o sucesso a ele nesta árdua empreitada. Mas que ele demonstre a coragem que não mostrou no primeiro mandato e ouse. Faça valer esta maioria duramente negociada e o apoio popular assegurado em cada um dos mais de 58 milhões de votos que foram a ele dados no 2° turno das últimas eleições e enquadre a política econômica nos legítimos interesses da maior parte da nação. Esta é a sua obrigação e a sua dívida com o país e com a sua história. Vamos esperar.
Cientistas britânicos e americanos, a turma de sempre, anunciaram a pouco tempo, que um artefato, descoberto em 1900, em um navio naufragado na costa da ilha grega de Anticítera, foi precursor do PC, senão o primeiro computador da história.O instrumento, datado do ano 87 a.c., era utilizado para calcular as fases da lua e os movimentos dos astros. Além disso, era capaz de registrar, com enorme precisão, as variações da órbita lunar. Fica claro que tudo isso só foi possível, naquela época, porque ainda não havia nada que se assemelhasse a algum precursor do malfadado Windows para atravancar a engenhoca.
Não tem jeito. O jornalismo brasileiro vive mesmo a sua época mais deprimente. Vejam só esta da Folha. Passou vários dias rasgando as vestes por um suposto atentado à sacrossanta liberdade de imprensa depois que um número telefônico de uma das suas sucursais apareceu em um inquérito policial, que apura a história do dossiê, após a quebra do sigilo telefônico de um dos suspeitos. Fizeram questão de ignorar que não havia como saber que o número era do jornal ANTES da quebra do sigilo. Pois bem. No dia 31/11 último, o mesmo jornalão estampou a manchete: "Ligado a Berzoini, Vaccaro vira alvo da PF”. Ocorre que, simplesmente, o número telefônico do tal Vaccaro apareceu no celular de um dos suspeitos. O próprio Vaccaro escreveu uma carta à redação dando as suas explicações, porém, o reporterzinho, com a arrogância peculiar à boa parte do jornalismo brasileiro, cuspiu: "a reportagem não informou que houve quebra do sigilo telefônico de Vaccaro. Suas ligações foram identificadas a partir da quebra do sigilo dos demais investigados". Sendo assim, porque não tiveram, com essa informação, o mesmo cuidado que abusivamente exigiram dos policiais quando do flagrante no telefone da sucursal?
É por essas e outras que a credibilidade da mídia nativa despenca diuturnamente, principalmente, depois que a internet passou a revelar e a desmentir os embustes seriados alardeados com ares de probidade, independência e destemor. Cada vez fica mais nítida a certeza de que, mais do que financeira, as raízes da atual crise, que agonia os grandes meios “formadores de opinião”, estão na irresponsabilidade no tratamento das informações. Quando não nos interesses insondáveis...
Sou ateu. Não que eu não tenha, durante um bom período da minha existência, me esforçado para crer em alguma consciência transcendente a velar sobre as nossas vidas e, conseqüentemente, experimentar a sensação de exultação derivada da fé. No entanto, o máximo de experiência cognitiva que consegui obter da religião foi o tédio. Os rituais, simbologias, doutrinas e promessas, ligados a toda e qualquer religião, despertam em mim apenas isso: tédio. Mesmo assim, durante muito tempo, tentei ultrapassar o meu enfado para, finalmente, integrar-me à regozijante comunhão da vida em boiada. Foi justamente aí que surgiu outro problema: a persistente irritaçãozinha contra a mania recorrente do catolicismo de não reconhecer as complexidades existenciais e criativas do seres humanos para transformá-los em quadrúpedes metafóricos a serem conduzidos em rebanhos por sacerdotes supostamente aptos a interpretarem uma improvável verdade revelada. Obviamente, tal anomalia anti-humanista não é traço exclusivo do catolicismo, porém, foi para ele que fui penosamente arrastado ao longo do meu tempo de impotência infantil. Tudo em vão. Ao longo do tempo, foi crescendo em mim a consciência da ilogicidade e das contradições que assolam a crença em Deus ou em deuses. É daí que me vem a certeza da impossibilidade de qualquer reconsideração da minha postura. Das posições amadurecidas durante muito tempo dificilmente se bate em retirada. E, ainda, ao contrário da escritora Rachel de Queiroz, não sofro nenhum desconforto existencial pela minha descrença.
Entre as mais banais alegações dos crentes para a justificativa da existência divina, está, segundo eles, a ínfima probabilidade de surgimento, ao acaso, de qualquer forma de complexidade, como a vida, principalmente a do tipo inteligente, neste nosso universo. Apenas através da intervenção de uma intenção superior as complexidades podem ver a luz. Nada mal. Não posso negar que se trata de um razoável argumento. Explica aceitavelmente muitos dos fenômenos naturais observados. Pois bem. Agora eu pondero. E se, lamentavelmente, existir uma quantidade enorme de universos coexistentes, algo na casa dos trilhões, como as mais recentes teorias da física propõem, surgindo e colapsando continuamente, com trilhões de galáxias, estrelas e planetas, em número inimaginável, não seria razoável supor que, pelo menos uma única vez, o surgimento aleatório, desprovido de intencionalidade, de complexidade suficiente para o despontar da vida seja algo enormemente provável? Pausa para um aditamento: recente, em Física, inclui até mesmo um espaço temporal de pelo menos 50 anos. E esta teoria já está meio velhinha. Não obstante, algum crente implicante haveria de dizer: “O seu argumento não pode ser provado e, portanto, não é melhor do que o meu!” Mas, como dizia aquele antigo bordão de um programa humorístico: “Querias, querias... que fosse assim!” A alegação deificadora implica em uma quantidade enorme de paradoxos e contradições que são convenientemente ignorados pelos proselitistas da religião. O mesmo não acontece com a teoria científica acima descrita. Como a ciência não pode provar a existência ou a não-existência de deuses, opto por lutar no terreno do adversário com a armadura da lógica. Para tanto e, pra não ficar confuso, vamos mudar de parágrafo.
De todas as contradições decorrentes da aceitação da crença no divino, a que julgo mais grave é a que diz respeito à omissão da bondade absoluta frente à maldade existente no cotidiano humano. Bom, os crentes argumentam que “os desígnios de Deus são herméticos às limitações da mente humana”. Ou, que “Deus permite aos homens escolherem livremente os seus caminhos”. Para mim, estas frases não passam de formas de fugir do problema. Se, para o pensamento religioso, a omissão frente à sordidez é moralmente inaceitável, o mesmo deveria valer também para Deus. Do contrário, terão, os crentes, que agüentar a relativização da moral e da ética o que não se coaduna, de forma alguma, com a concepção da bondade absoluta especificada por um ser absolutamente bom. Ou seja, a lei divina tem que valer também para a divindade, pois, se tudo o que Deus considera bom é absolutamente bom, o contrário tem que ser absolutamente mal. E Deus não pode ser mal. E sem o absoluto não pode, por definição, como nos ensinaram, haver Deus. A não ser que passemos a aceitar a idéia de um Deus relativo. Mas, a relatividade impõe limites e, neste caso, desaba a hipótese da onipotência. Mais uma vez, sem onipotência, e por definição, não pode haver Deus. Ou, então, abre-se a possibilidade de que o homem possa, um dia, igualar-se a Deus.
Portanto, caríssimos irmãos, oops, leitores, eis aí porque acho a filosofia religiosa logicamente e inerentemente inconsistente. Não precisamos da ciência para descortinar os seus desacertos. Porém, não resisto à tentação de fazer aqui um último e singelo exercício de lógica para concluir este artigo, desta vez fundamentado na matemática. Sabemos que 2 + 2 é sempre igual a 4. Não há força alguma no universo capaz de mudar este resultado. O mesmo vale para todas as funções matemáticas, das mais simples às mais inimaginavelmente complexas que descrevem os fenômenos naturais. De novo, cai por terra a idéia da existência de qualquer forma de onipotência, conseqüentemente, mais uma vez, revela-se a inconsistência da hipótese da existência de algum deus ou de deuses. Além do que, um deus sem onipotência pode ser igualado por algum ser humano mais genial do que a média.
Sou o dono da verdade? Não. As coisas do mundo podem ser relativas. E se a verdade for relativa não há por que crer no Absoluto.
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Por falar em valentão demagogo, o presidente americano George (Neuman) Bush continua esperando que os seus estrategistas militares e políticos compareçam com alguma solução definitiva para o rebuceteio que eles mesmos criaram em terras mesopotâmicas. O melhorzinho que eles conseguiram, até agora, foi pensar numa retirada gradual das tropas ianques do território iraquiano. O problema é que, independentemente da taxa com que as tropas dos EUA sejam evacuadas, aquilo ali vai acabar explodindo num conflito generalizado assim que o número de soldados norte-americanos cair abaixo de uma massa crítica.A cegueira, a burrice, diria melhor, da direita americana foi não ter capacidade para entender que o regime do Saddam funcionava como um fator estabilizador entre os vários interesses conflitantes que assolam aquela região desgraçada. Por exemplo: o governo iraniano, ansioso para aumentar a sua influência na região. A Turquia, temerosa da criação de um estado curdo no norte do Iraque, havendo risco de englobar parte da região sul do seu território. Os radicais islâmicos da Arábia Saudita desejando, a todo custo, defenestrar aquela monarquia corrupta apoiada pelos Estados Unidos e, na mesma levada, arrestar o poder naquele país. Sem falar na possibilidade de radicalização da ação militar israelense para que continue a exercer o seu tradicional papel de leão-de-chácara dos interesses americanos na região. Pois é! O governo Bush Jr. corre o risco de arruinar toda a arquitetura geopolítica que, ao longo de décadas, foi penosamente erguida por seus antecessores, desde o final da Segunda Grande Guerra, a fim de garantir o controle dos EUA sobre a região e, conseqüentemente, o fornecimento vital de petróleo para abastecer a sua gigantesca economia.
O vereador Sérgio Novais (PSB) resolveu mesmo desancar o secretariado da prefeita Luizianne, afirmando que a gestão da loura está apinhada de ineptos.Logo em seguida, outro edil, Tin Gomes (de um tal PHC), que pertence à base de apoio da prefeita, decide meter a colher no pirão e dar razão ao colega. Hmmmmmm!!!É melhor fazermos as contas. Considerando-se que o vereador Sérgio Novais pertence ao mesmo grupo que desponta como força política hegemônica no Estado do Ceará, chefiado pelos irmãos Ferreira Gomes; que as críticas são dirigidas primordialmente ao grupo de acadêmicos que assessora a prefeita; que as próximas eleições municipais já se avizinham; que o xerife-valentão-demagogo-futuro ex-deputado do PFL (nojo!) já começa aafiar os caninos para cair na jugular da atual administração petista naquelas eleições com o apoio do Senador mustelídeo; com o que já conhecemos das históricas idiossincrasias da política brasileira; e que vingança de ex-marido é coisa tão rara quanto enterro de anão, fica bem evidente que, com o suporte dos seus caciques supracitados, os “desinteressados” edis procuram apenas conquistar maior espaço na administração municipal para cometerem as tradicionais politicagens com cargos e verbas a fim de aumentarem o cacife para o próximo pleito.