O LÁTEGO


Quem fala o que não deve...

Sob fortíssimo esquema de segurança, mais rigoroso do que o da visita do Bush ao país em 2004, o papa Bento XVI chega hoje à Turquia para uma visita de quatro dias. O “Amigo dos Turcos”, como o próprio se denomina, deverá encarar a fúria das massas de um país em que 99% da população é muçulmana. Tudo por causa de duas desastradas declarações. A primeira, quando ainda era um cardeal e posicionou-se contra a entrada da Turquia na União Européia “por ser majoritariamente islâmico enquanto as raízes da Europa são as do cristianismo". Na segunda, bem mais recente, quando citou críticas de um obscuro imperador bizantino a Maomé. Fazer uso de uma citação que remonta à Idade Média a pretexto de reflexão sobre os conflitos atuais mostra o quão longe da contemporaneidade está o pensamento da santidade. E o quão próximo da mentalidade medieval se eleva o seu estado mental. Nada surpreendente para quem já foi Prefeito da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, a sucessora da Santa Inquisição, e se encarregou de perseguir tenazmente todos os membros da Igreja que procuraram aliviar a Santa Madre dos miasmas da sua milenar tacanhez.

 

Dados os inúmeros protestos contra a visita de Ratzinger em todo o país e o alto risco de tal empreitada, eu, se fosse segurança papal, colocaria um atestado médico.

 



Escrito por VT às 20h21
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Reconhecimento

A Chapada do Araripe tem uma área de cerca de dez mil quilômetros quadrados, uma idade estimada entre 70 e 120 milhões de anos e localiza-se na extremidade sul do Estado do Ceará, na divisa com Pernambuco. É um dos mais importantes sítios geológicos e paleontológicos do planeta. Para fazermos uma idéia da sua importância, basta sabermos que um terço de todas as espécies de pterossauros, aqueles répteis voadores abundantes nos desenhos animados como “Os Flintstones”, por exemplo, foram lá identificados. O mesmo ocorre com mais de vinte ordens de insetos fossilizados. 

 

É uma pena que, no Brasil, ela freqüente o noticiário mais na condição de vítima dos pilantras que se esgueiram livremente nas suas encostas em busca de fósseis a serem contrabandeados a preço vil do que pelos seus evidentes atrativos turísticos e científicos. Tudo porque as nossas autoridades municipais, estaduais e federais não ligam a mínima pra ela. Penso em tal descalabro unicamente como conseqüência da ignorância contumaz e inarredável que, além de afetar milhões de compatriotas, parece ter um tropismo especial pelos políticos desta Pindorama. É a ignorância o mais capilar e democrático dos males que afligem este país tal a sua aptidão para disseminar-se por todas as camadas sociais.

 

Pois bem, se aqui são poucos os que reconhecem as justas virtudes do nosso devastado altiplano, fora do Brasil há mais dos que lhe prestam o devido valor. É o caso da UNESCO que, em setembro último, numa reunião levada a cabo na longínqua Belfast, capital da conflagrada Irlanda do Norte, incluiu a nossa heróica chapada na sua Rede Mundial de Geoparques. Assim, esta região riquíssima passa a ser, com garbo, o primeiro geoparque do Hemisfério Sul. E, tal qual os outros 37 geoparques existentes no mundo, com todos os direitos referentes à sua preservação. Como já podemos prever, dados os antecedentes dos nossos políticos e da falta de consciência da maior parte da população, os que mais se beneficiarão da promoção da região serão os perniciosos contrabandistas de fósseis que, agora, se darão ao desfrute de vender, no mercado negro, peças de uma região “certificada” por um órgão internacional da importância da UNESCO

 



Escrito por VT às 01h55
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As mortes dos presidentes




A vida, às vezes, pode ser muito estranha. Vejam só, caríssimos leitores, as magníficas coincidências que envolveram as vidas e os assassínios dos presidentes norte-americanos Abraham Lincoln e John F. Kennedy. Apesar deste assunto já ser meio velho e facilmente encontrado na internet, coloco-o aqui por ser interessante. Lembro que eu li sobre isto pela primeira vez quando criança em um livro da biblioteca de um tio. O título era “O Grande Livro do Maravilhoso e do Fantástico”. Uma edição da revista “Seleções do Reader’s Digest”. Não deve ser muito difícil encontrá-lo em algum sebo por aí. Anotei as coincidências e guardei comigo até hoje. Ao longo do tempo, fui juntando outras. Vamos aos fatos:

Ambos os presidentes se destacaram pela trabalho em favor dos direito civis.

Os sobrenomes de ambos têm sete letras.

As esposas dos dois perderam um filho durante o tempo em que moraram na Casa Branca.

Ambos foram mortos com tiros na cabeça, na presença das esposas e numa sexta-feira.

Lincoln foi eleito para o congresso dos Estados Unidos pela primeira vez em 1846. Kennedy em 1946.

Lincoln foi eleito como 16° presidente dos Estados Unidos em 06 de novembro de 1860. Kennedy elegeu-se como 35° presidente em 08 de novembro de 1960.

O assassino de Lincoln, John Wilkes Booth, nasceu em 1839 enquanto o assassino de Kennedy, Lee Harvey Oswald, em 1939. Ambos eram sulistas e foram abatidos a tiros antes de serem julgados.

O assassino de Lincoln cometeu o crime em um teatro e se escondeu em um armazém. O de Kennedy disparou de um armazém e se escondeu em um teatro.

Lincoln foi morto no Teatro Ford em Washington. Kennedy foi assassinado, em Dallas, em um carro de marca Ford, modelo... Lincoln!

Lincoln tinha um secretário de sobrenome Kennedy que o aconselhou a não ir ao teatro na noite fatídica. Adivinhem o sobrenome da secretária de Kennedy que o alertou sobre o risco de ir à Dallas naquele dia. Adivinharam? Isso mesmo! Lincoln.

Lincoln foi sucedido pelo seu vice Andrew Johnson, nascido em 1808. O vice de Kennedy, que se tornou o 36° presidente dos Estados Unidos era Lyndon B. Johnson, nascido em 1908. Ambos eram sulistas.

No dia em que foi assassinado, Lincoln declarou a um guarda: “Creio que há homens que me querem tirar a vida... E não tenho dúvida de que o farão. Se tem de ser feito, é impossível impedi-los.”

Kennedy disse a sua mulher, Jacqueline, e ao seu conselheiro, Ken O’Donnel: “Se alguém quiser realmente matar o presidente dos Estados Unidos, não lhe será muito difícil. Tudo o que tem a fazer é subir um dia em um edifício alto com um rifle de mira telescópica e nada poderá evitá-lo.”  Esse dia foi aquele mesmo, 22 de novembro de 1963. Duas horas e meia depois, ele estava morto.



Escrito por VT às 20h31
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Estado mínimo (para os patos)



Para mim, é incompreensível como, no Brasil, ainda tem gente, alguns até com boas intenções, que insiste em advogar a tese do estado mínimo como panacéia para os diversos problemas pátrios. Desde os econômicos até os sociais. Na sua vocação messiânica, referem-se ao estado apenas como um estorvo para a conjecturada eficiência do privatismo. Portanto, a melhor atitude seria aparar os tentáculos com que o polvo (ia dizendo lula) estatal oprime as diligentes classes empresariais na sua busca pela virtude econômica e social.

Claro que, para isso, os trovadores da virtuosidade privada convenientemente esquecem ou, por outra, escamoteiam certos detalhezinhos históricos inconvenientes que desnudam a estultice de tal pensamento. Um deles: o apetite com que a iniciativa privada, nacional e internacional, se lança em busca de financiamentos públicos para a compra de empresas estatais brasileiras como foi freqüente ocorrer durante a octaetéride tucana. Ou seja, usa-se dinheiro público para a compra de empresas públicas! O ônus recai duplamente sobre o pato recorrente, o contribuinte. Primeiro por conta do desvio, mesmo que dentro das normas legais, de verbas estatais para o atendimento do interesse privado em detrimento das políticas públicas. Segundo, pelo encarecimento das tarifas dos serviços privatizados nem sempre acompanhado da necessária eficiência. Um fidedigno negócio do Brasil. Melhor do que da China pois lá o estado não abriu mão de determinar onde os investimentos devem ser aplicados. Por último, lembremos, com pesar, do hábito das nossas classes empresariais de buscarem a sombra do guarda-chuva financeiro estatal sempre que os balanços das suas empresas são assolados por tormentas provocadas pela sua própria incompetência gerencial.

Exemplos? Pois, não! As várias empresas de aviação que, após se tornarem um sorvedouro de dinheiro público, acabaram quebrando magnificamente. Ou então, as grandes empresas de comunicação que vivem a bater nas portas dos ministérios à caça de favores legais e financeiros. Sem deixarem de reforçar os seus argumentos com uma chantagenzinha editorial bem aplicada para ajudar a convencer algum ministro mais recalcitrante. Entre outras coisas, é para isso que serve a fantasmagórica liberdade de imprensa no Brasil. Não esquecer, ainda, a montanha de dinheiro utilizada na limpeza do excremento legado por vários bancos privados no rastro de falências criminosas e fraudulentas.

Porém, não há limites para a seletividade do pensamento humano. Principalmente quando se necessita ancorar teses anacrônicas e aplicar-lhes uma pátina de modernidade como acontece com a atual papagaiada do estado mínimo e desregulamentado. Talvez por má-fé ou mesmo por ignorância, como é comum nas nossas classes conservadoras mal sãs, relega-se a história desavergonhadamente. E tome a pregar o retrocesso. Poucas pessoas lembram que, até o início do século XX, a economia norte-americana soçobrava ao peso da nefasta ação dos trustes econômicos e financeiros que, sem freios, dilaceravam a concorrência e assaltavam os consumidores. Muitas fortunas surgiram nesta época. Gente muito boa, como J. P. Morgan e John D. Rockefeller. O baile acabou quando o governo Theodore Roosevelt (1901-1909) resolveu passar o relho na pilantragem e aprofundou a regulamentação antitruste, instituindo todos os mecanismos de controle do estado sobre a economia e o movimento financeiro. Consta que o banqueiro Morgan subiu no lustre de tanta raiva. E não foi por causa da sua deformidade nasal. Desta forma, já recuperada da crise provocada pela Guerra de Secessão, a economia ianque pôde, finalmente, alçar vôo e despontar na liderança mundial. Tais medidas perduraram por mais de noventa anos até que, no atual governo de George (Neuman) Bush, a direitalha estadunidense ficou mais saliente, logrando êxito, e a opinião pública, na remoção de boa parte desta regulamentação. Os resultados estão aí à disposição de quem queira ver. Aumento da dívida pública norte-americana, já bem antes da aventura iraquiana, quebra fraudulenta de empresas como a Enron, perda de terreno para outras economias “mais controladas”, etc. And... who pays for the duck? He again, digo, ele de novo, o contribuinte daquelas plagas.

Destarte, o sentido oculto da expressão “estado mínimo” não passa nem perto da concepção de sociedade plural e democrática, com adequada distribuição de riquezas, mas, apenas a poda das políticas públicas voltadas para o atendimento das demandas sociais, sempre caluniadas como populistas, ao mesmo tempo em que destroiem-se os mecanismos moduladores da economia e da ação privada, expondo toda a nação aos efeitos da forma mais animalesca de capitalismo. Tudo para o regalo dos de sempre. Não há quem me convença do contrário. Olhemos sempre para a história. O único meio de escaparmos dos embustes e do destino anseriforme.



Escrito por VT às 02h23
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Pergunte ao sargento



Desta vez a dica de sítio curioso vai para o "Ask Sgt Star" (http://www.goarmy.com/ChatWithStar.do). Trata-se de uma página mantida pelo exército do Estados Unidos para tirar as dúvidas de pessoas interessadas em se alistar. O sujeito digita uma pergunta e um sargento virtual responde com uma ressoante voz cavernosa e um inglês de pronúncia impecável. Entre as informações que se pode obter com o tal sargento estão os requisitos básicos para entrar no exército ianque: ser cidadão americano ou, se estrangeiro, residente permanente naquele país, ter entre 17 e 49 anos, escolaridade secundária e boas condições físicas e morais (?). E agora estão aceitando gays. Sim, a política do Departamento de Defesa deles é definida como "Não pergunte, não conte" já que a legislação federal norte-americana garante a privacidade do recruta. Experimente perguntar se você vai ser mandado para o Iraque ou se vai morrer. As respostas são deveras estimulantes.



Escrito por VT às 01h13
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Que bom seria...



Que bom seria se a imprensa brasileira empregasse todo esse desvelo militante que vemos na divulgação do "sofrimento" das classes média e alta nos saguões dos aeroportos também na divulgação do SOFRIMENTO dos doentes pobres nos corredores dos hospitais públicos. Só para vocês, caríssimos leitores, terem uma idéia, mesmo pesquisando no Google e no UOL, eu não consegui encontrar nenhuma imagem adequada de filas em hospitais públicos para ilustrar este tópico. Já de filas em aeroportos...




Escrito por VT às 18h13
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Por quem choramos?



Dois mortos na semana pregressa. Dois homens que, em vida e ao longo das suas carreiras, fizeram da liberdade um dos eixos das suas trajetórias.

O primeiro, Milton Friedman, economista americano, egresso da conservadora Escola de Chicago de onde inspirou as mentes de políticos, economistas e administradores de grande parte do planeta, influenciando as orientações econômico-financeiras de inúmeros governos mundo afora. Apregoou a competitividade e a liberdade como soluções para os inúmeros problemas da sociedade, oferecendo, a quem se dispusesse a acreditar, o dogma fundamental do cânone neoliberal. O problema é que a palavra liberdade, no seu linguajar, não se referia àquela plena, universal, política, intelectual, criativa e social. A liberdade que o interessava e, até hoje, enfeitiça e seduz os seus discípulos e os candidatos a tal é a liberdade corporativa, ou melhor, a liberdade para as ações das corporações. Liberdade seletiva e interesseira. Onde o cidadão só interessa no papel de consumidor. Liberdade para avançar sobre o papel fundamental do Estado, o bem comum, e embicar as ações e os instrumentos estatais na direção dos interesses privados. Nem que para isso fosse necessário reformular leis e constituições. Para tanto, amestrou os espíritos suscetíveis, existentes à larga também aqui, no “sudamerica”, com a exaltação de uma suposta liberdade individual. Fez, assim, retroagir milhões de anos de árdua evolução da espécie humana no desenvolvimento da cooperação social para os tempos da incerta sobrevivência na selva caricatural do capital. Aquela onde só medram os hipoteticamente mais eficientes e competitivos. Ressuscitou o darwinismo social e, mesmo que desavisadamente, acabou por estimular idiotas a disseminarem mal-ajambradas interpretações de Nietzsche para justificar o injustificável sucesso dos privilegiados. Mesmo que a história tenha posteriormente desmentido boa parte das suas teorias, foi, até o fim, incensado pela mídia decrépita, principalmente a da nossa parte da América.

O outro morto, este sim, um herói. Ferenc Puskas fez com talento plástico a demonstração inequívoca do verdadeiro sentido da liberdade humana: o de criar e encantar. Ou, simplesmente de brincar. E com isso tornar-se vencedor. Como em Helsinque em 1952. Ou quando, em 1953, juntamente com os seus companheiros do Time de Ouro, a seleção húngara da primeira metade dos 50, pôs abaixo a prepotência e a arrogância inglesas a talhos de elegância e habilidade em pleno Wembley. Lição para inglês ver. E aprender. Naquele dia glorioso, os sinos dobraram pelos húngaros geniais e por todos nós na vitória da coletividade sobre a brutalidade. Ironicamente, a transubstanciação em realidade dos versos de um inglês, John Donne. Foi o triunfo de algo bem humano. Da lida de todos pelo triunfo comum. Os artistas húngaros foram, finalmente, derrotados por outra frente coletiva, desta feita alemã e bem menos talentosa, na relva húngara de 1954. Que tenha sido. A derrota deixou ainda mais marcada a dimensão humana daquele gênio e dos seus companheiros, elevando aquela equipe à qualidade de mito do esporte. E enraizou, ainda mais, o encanto daquele time nos corações de todos os admiradores do esporte. E daqueles que conseguem perceber a dimensão épica do futebol. Em 1956, exilou-se na Espanha ou, mais precisamente, no Real Madrid, quando percebeu a enorme ameaça que o coturno soviético impunha à sua genial liberdade criativa. Melhor para a arte e para a história humana. Hoje, a sua falta realça peremptoriamente a aridez do individualismo e do egocentrismo brutais destes nossos tempos sórdidos. Por isto, eu pergunto: afinal, por quem choramos? Por Puskas ou por nós?



Escrito por VT às 00h18
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Se a canoa não virar...



O Ferrim não tem sorte mesmo. Até quando goleia. Uma vezinha perdida que ele consegue meter sete, logo vem outro e mete nove.




Escrito por VT às 20h19
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E o Vozão, apesar da derrota pro Galo, escapou da terceirona mais uma vez. A julgar pelos adversários que estão pintando pro ano que vem, a segundona vai ser bem divertida. É só querer.

 

Boa sorte ao Atlético Mineiro. Fez por onde merecer o título. Mas bem que o Vozão podia ter declinado deste “vice-campeonato”...



Escrito por VT às 20h12
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O assassinato da beleza



A lamentável morte da garota anorética nesta semana, sucumbida ao lento definhamento provocado pela busca obsessiva do padrão ideal de beleza demandado pelas agências de modelos, faz-me refletir se não são os casos de processos, cívil e criminal, contra tais agências que abusam ou, diria melhor, seviciam psicologicamente adolescentes que se vêem obrigados a abusar de seus organismos em busca da imagem ideal para a satisfação do furor fetichista da indústria da moda.

Claro, se a indústria do cigarro já vem, há vários anos, penando com processos por, supostamente, induzir, com as suas glamourosas propagandas, jovens a se tornarem candidatos a pneumopatas e cancerosos, por que a mesma retaliação não pode incidir sobre aquelas agências? Não aceito, de forma alguma, o pífio argumento de que cada pessoa é responsável por si e que qualquer modelo profissional é livre para aceitar ou não as condições dos entrepostos da imagem humana. Não, caros leitores. Como diriam algum ladrão do Banco Central, o buraco é muito mais embaixo. Primeiro, eles seduzem adolescentes primaveris, portadores de personalidades ainda imaturas, ao acenar-lhes com todas as possibilidades de luxo, riqueza e glamour. E, uma vez com a vítima enredada, exigem-lhe, em troca de contratos e da permanência na profissão, a diligente subsistência nas medidas corporais totalmente incompatíveis com a sua idade e biotipo. A depauperação da saúde é a conseqüência lógica e inevitável desta loucura. No extremo, isto inclui a destruição da saúde mental que, no caso da moça falecida aos vinte e um anos, manifestou-se no quadro de anorexia nervosa.

E qual o motivo desta opção preferencial pela esqualidez? Não pode ser outro senão a maior facilidade com que se veste um corpo emagrecido. O corpo caquético aceita perfeitamente qualquer estrupício criado pelos hodiernos e odiosos “gênios” da alta costura. As aberrações criadas por estes malucos jamais poderiam vestir elegantemente corpos curvilíneos e plenos de personalidade e de sensualidade como os de Jaqueline Kennedy, Marlene Dietrich, Audrey Hepburn, Elizabeth Taylor e Grace Kelly tal qual um gênio verdadeiro, como Balenciaga, conseguia. Este, muito à vontade com os desafios da geometria feminina, cuidou mesmo, e genialmente, de distinguir a elegância e a sensualidade ao inscrever aquelas curvas em retas fascinadoras, reinventando, magistralmente, a Teoria Euclidiana para o deslumbramento das dondocas mundo afora. Ao contrário, os profissionais da alta costura atuais, subprodutos da contracultura, além de não entenderem nada de geometria e muito menos de mulher, na sua insensibilidade egocêntrica, típica dos cretinos, ao invés de celebrarem as expressões da beleza natural do belo sexo, insistem em desmantelar as formas femininas para que se adaptem às imposições das suas estrovengas penosamente paridas. Infelizmente não são os únicos a ofenderem o bom gosto nestes tristes tempos pós-modernos.



Escrito por VT às 00h18
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Pau que nasce torto...


A revista Época desta semana traz uma reportagem de capa abordando a investida de alguns cientistas ateus contra as religiões. Destes, o mais famoso é o biólogo evolucionista inglês Richard Dawkins que, desde meados da década de 80, vem escrevendo livros interessantíssimos que, pelo menos para aqueles de mentes de boa vontade e genuíno interesse científico, instigam a reflexão sobre o sentido da existência, em geral e da espécie humana, em particular. Tanto Dawkins como os demais autores têm se aplicado, com razoável sucesso entre o público, no desmascaramento das inconsistências do pensamento religioso. No entanto, a revista, apesar de uma postura razoável no corpo principal da matéria, acaba descambando para o vulgar proselitismo religioso quando, em quatro grandes colunas, três de página inteira, aborda superficialmente as argumentações daqueles cientistas ao mesmo tempo em que dá asas às refutações fundadas nos mesmos lugares-comuns brandidos pelos defensores da religião, especialmente os criacionistas. Mais uma vez, vemos um veículo se perder no hábito pernicioso da mídia nativa de satisfazer as vontades e expectativas da maior parte do público em detrimento da oportunidade para contribuir no aperfeiçoamento de um debate. Para mim foi como assistir à reedição, em menor escala, do debate Lula-Collor de 1989.


Escrito por VT às 23h08
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Ortotanásia





Ortotanásia: morte natural, normal, boa morte, supositivamente sem sofrimento (Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, 1ª edição, 2001).

Distanásia: morte lenta, com grande sofrimento (Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, 1ª edição, 2001).

Sem dúvida, a resolução do Conselho Federal de Medicina, à propósito da limitação dos cuidados intensivos e de suporte de vida em pacientes terminais, representa um grande avanço no que tange à real significação da Medicina Intensiva, como especialidade médica, e da Medicina, como atividade humana nobre. Da mesma forma, ao ampliar os limites da Ética Médica, reconhece o direito ao conforto, ao respeito e à dignidade de tais pacientes, tão comumente negligenciados por médicos e familiares ainda presos ao conceito da desmesurada sacralização da vida humana.

Sim, pois a tradição judaico-cristã, que, ao longo dos séculos, tem permeado o pensamento ocidental, acabou por fazer das suas atitudes éticas partes incontestes da ortodoxia moral da nossa civilização. Embora, as doutrinas já não sejam mais universalmente aceitas, as atitudes éticas, que foram forjadas por elas, ainda se encontram profundamente arraigadas na moral do Ocidente. Isto inclui a idéia de que, por ser sagrada, a vida humana deve ser preservada a qualquer custo, ainda que frente ao intenso sofrimento físico e psicológico unido à inexorabilidade iminente da morte.

Por outro lado, subsiste ainda, na cultura deste lado da civilização, o inarredável preconceito que vê a morte apenas como o oposto da vida , portanto, necessariamente ruim e, por isto, obrigatoriamente alvo de todos os esforços na sua postergação. A idéia de que vida e morte são partes de um mesmo processo, e que, em algumas situações específicas, esta não é necessariamente nociva e, até mesmo, desejável, tem sido agressivamente repelida pela nossa sociedade na forma da sua criminalização através de normatizações éticas e jurídicas. Além disso, muitas pessoas preferem relegar os seus familiares acometidos de patologias em estágio avançado, fora de qualquer possibilidade terapêutica, à morte sofrida e solitária, no ambiente estranho das Unidades de Terapia Intensiva, tamanha são as suas repulsas ao testemunho da morte em progressão. Acreditam, ou querem fazer acreditar, que fazer bem a um paciente terminal é prolongar a sua vida (eu diria prolongar o processo de morte) até o limite da falência orgânica total sem se dar conta ou dar a mínima para a atrocidade que estão cometendo. Nisto, elas, muitas vezes, contam com a solidariedade inadequada de médicos que, pusilanimemente, agem em consonância com as necessidades dos familiares e não dos seus pacientes.

E ainda, chamo a atenção para o grande aperfeiçoamento das técnicas de suporte e manutenção da vida que, nas últimas décadas, tornaram-se cada vez mais eficazes na preservação das funções vitais de pacientes acometidos de falência múltipla de órgãos e sistemas.

Para completar o quadro, não podemos esquecer a legislação anacrônica, sempre pronta a embasar advogados e juízes à espreita para punir severamente o médico que demonstrar piedade por estes infelizes.

Todos esses fatores, combinados, formam os alicerces do quadro dantesco que todos os profissionais que trabalham nas UTI’s brasileiras são obrigados a assistir quase que diariamente: a persistência em levar a cabo terapias atrozes e procedimentos fúteis, porquanto inúteis, em pacientes criticamente doentes, terminais, portadores de seqüelas neurológicas graves e cujas condições já evidenciam a inviabilidade da vida. Embora, as modernas drogas analgésicas e sedativas disponíveis atualmente no arsenal farmacológico possam aliviar satisfatoriamente o sofrimento físico destas criaturas, ainda assim, tais procedimentos e atitudes terapêuticas continuam injustificados dados o solapamento da dignidade destes doentes e, por que negar, os evidentes custos financeiros que terminam por incidir sobre a sociedade. Só quem já testemunhou a evolução de um paciente terminal, inutilmente submetido aos mais modernos métodos de preservação ou substituição das funções vitais, pode ter uma idéia clara e inequívoca do grau de corrosão da dignidade e da condição humana a que eles são submetidos.

Não se trata aqui de defender a eutanásia, procedimento em que o médico age ativamente e diretamente na aceleração do processo de morte, o que é crime, mas, o simples reconhecimento da iminência e inexorabilidade da morte e, a partir disto, a decisão, conforme autorizada pelo CFM, tomada em conjunto com o paciente ou com os seus familiares, de limitar e evitar atitudes terapêuticas injustificáveis que, de forma alguma, podem contribuir para a cura, visto que inalcançável, ou o bem-estar do doente. Ao contrário, acabam por causar sofrimento no momento em que ele mais precisa de conforto, solidariedade e do carinho da família.

Tal é a importância deste tema que ele deveria ser incluído no debate dos direitos humanos e, ao mesmo tempo, disseminado pela sociedade, pois, é obrigação de todos nós buscarmos tanto e sempre a melhoria da nossa qualidade de vida quanto da nossa qualidade de morte.



Escrito por VT às 23h23
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Bons augúrios...




A justiça paulista condenou o caluniador-geral da República Diogo Mainardi e a Editora Abril em ação indenizatória por injúria e atentado à honra contra o jornalista Mino Carta e a Editora Confiança. Em dois artigos publicados na “vejinha” o difamador compulsivo afirmou que Mino subordinava-se ao empresário Carlos Jereissati e a Luiz Gushiken contra o banqueiro Daniel Dantas e que o jornalista poderia ser classificado como “mensaleiro” por supostamente defender o governo Lula em troca de verbas publicitárias. A sentença, assinada pela Juíza de Direito Camila de Jesus Gonçalves Pacífico, condena os réus ao pagamento de indenização no valor de R$ 35.000,00. À ação indenizatória deverá seguir-se a correspondente ação penal.

 

Condenado por crimes contra a honra de Eduardo Jorge Caldas Pereira, ex-Secretário-Geral da Presidência da República, o jornal “O Globo” foi obrigado a publicar, em página inteira, a sentença do Juiz de Direito Fabrício de Fontoura Bezerra.

 

Estas duas sentenças são importantíssimas para deixar bem claro  para a sociedade que as liberdades de imprensa e de expressão não podem ser consideradas valores absolutos como quer fazer parecer a parte histriônica da mídia sempre disposta a solapar a verdade dos fatos, quando não deturpá-la, em nome dos seus interesses obscuros. Tanto é verdade que existem mecanismos legais para por esses direitos dentro dos limites do estado democrático de direito e resguardados das ações nocivas dos meliantes midiáticos que campeiam à larga, cevados pelos seus patrões proprietários de boiadas profissionais.

 



Escrito por VT às 01h43
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Perguntinha...



O Senador Tasso Jereissati afirmou em entrevista nesta semana que a preocupação das lideranças pessedebistas é deixar cada vez mais claras as diferenças do seu partido com o PT.

 

Indago ao Senador mustelídeo: não seria melhor deixar mais claras as diferenças com o PFL?



Escrito por VT às 23h58
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You're just too good to be true...



Com esta terceira debacle, o nosso rival colorido acaba de igualar o recorde do Bahia como time com o maior número de rebaixamentos na história do Campeonato Brasileiro.




Escrito por VT às 23h13
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Dinheiro na mão é vendaval...



Depois de finalmente botarem a mão na bufunfa, os jogadores do Vozão resolveram voltar a jogar bola e geraram um enorme vendaval no Canindé arrastando a Lusa para a antesala do inferno, a terceirona.

Deprimente é saber que, com um pouco de organização e boa vontade, o Vozão poderia ter tido sorte melhor.



Escrito por VT às 20h40
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Polêmica



Definitivamente o Brasil é um país que não pode existir sem polêmicas. A primeira logo após o seu nascimento. Vejam só: já à frente da pia batismal ninguém se entendia quanto ao nome a ser dado à criança: Ilha de Vera Cruz, Terra de Santa Cruz ou Brasil Até mesmo uma escabrosa denominação, Terra dos Papagaios, foi seriamente considerada. Um pouco mais tarde, discutiu-se muito sobre a forma como a terras descobertas em nome de El-Rey deveriam ser administradas. E foi um longuíssimo debate. Ao longo de três séculos, nosso país transitou das famigeradas capitanias hereditárias até reino unido, passando pelos governos gerais e pelo vice-reinado. Mesmo após a independência, discutiu-se muito se o país deveria ser um reino ou império. Pouco antes, se o príncipe D. Pedro deveria ficar ou não. Eu digo ficar no Brasil e não com a D. Domitila, esclareço. E a república? Começou como República dos Estados Unidos do Brasil e tornou-se República Federativa e blábláblá. Até mesmo a volta da monarquia na forma parlamentarista, possibilidade que me atrai, foi discutida, mesmo que superficialmente, no início da década de 90.

Jango e Sarney poderiam ou não assumir a presidência? Piquet foi melhor que Senna? Aquele lateral perna de pau, ao se abaixar para ajeitar o meião, estava ou não se comunicando com os outros defensores? A celebridade de quinta teve ou não a sua privacidade violada ao ser flagrada fazendo “escandiliços” na praia? Quem matou Salomão Ayala? Quem matou Odete Roitman? Quem? Quem? Pode? Não pode? Matou? Ou não matou? É assim? Não é assim? Ou é assado? Quem está dando? Quem está comendo? Quem paga os jogadores do Vozão? A vida nacional acaba dependendo literalmente da regência verbal e da caracterização do sujeito da oração. Mesmo que, em muitos casos, como o do verbo “roubar”, aquele permaneça oculto.

Brasileiro pode morrer de tudo. De fome, de falta de atendimento médico, de epidemias recidivantes, de enchentes e secas cíclicas, de bala perdida, de queda de avião em prol do superávit primário, etc. Só não morre de tédio. É a polêmica o verdadeiro esporte nacional. É a nossa diversão. Coisas de uma sociedade ainda imatura.

Portanto, não me surpreende que, mais uma vez, no caso do substitutivo do Senador Eduardo Azeredo a propósito da tipificação e repressão dos crimes na internet, mais uma vez a nossa atávica propensão para a controvérsia se manifeste. Nada contra o debate. O problema é a maneira superficial como ele é conduzido. Pra que se dar ao trabalho de buscar as informações corretas se o importante é o bate-boca? É a velha mania do achismo. Que se torna ainda mais grave quando acomete a mídia. Ou por outra, quando muitos profissionais da mesma se apressam a condenar um projeto sem ao menos por as vistas em cima do texto. E tome a dar opinião sem fundamento.

O tal substituitvo que, na verdade, é a combinação, com alguns acréscimos, de três projetos anteriores, entre outras coisas, obriga o cadastramento de qualquer pessoa que contrate os serviços de um provedor. Fica à critério de cada provedor a determinação de quais dados o cliente deverá fornecer. Além disso, ficam os provedores obrigados a arquivarem, por um período mínimo de 03 anos, todas as informações relativas aos acessos e conteúdo dos internautas e a entregarem os dados em caso de processo judicial movido por alguma pessoa ou empresa ofendida. Já a punição para aqueles que cometerem crimes pela internet vai de 01 a 04 anos de prisão. Alega o senador que o seu projeto baseia-se nas recomendações da Convenção Sobre o Cibercrime 2001 do Conselho da Europa e da Directiva 2006/04 do Parlamento Europeu. Desta forma, não se trata de algo sem embasamento sólido, o que não é pouco. Bem ao contrário do que alguns setores da imprensa e da política querem fazer parecer.

No entanto, aqui no Brasil, o ranger de dentes tem se disseminado pela mídia. Talvez até como conseqüência do nosso recente passado autoritário, uma das maiores preocupações daqueles contrários ao projeto é a possibilidade do estabelecimento de censura na internet o que, a meu ver, é um rasgado exagero. Outra alegação discutível é a da inconstitucionalidade do projeto em razão de uma suposta invasão da privacidade dos internautas. Ora, ora, ora, basta fazer um crediário em uma loja ou tentar obter um cartão de crédito que qualquer cidadão é obrigado a informar os seus dados pessoais e não consta que jurista algum tenha alegado inconstitucionalidade neste procedimento . Além disso, atualmente qualquer internauta já tem que preencher um cadastro para poder contratar um provedor. E ainda, para mim, do ponto de vista ético, a privacidade individual não é um valor absoluto. O interesse coletivo é mais importante. Quanto a um provável aumento na burocracia, não creio que será grande o bastante para obscurecer as vantagens de um mecanismo legal para reprimir e punir os marginais da web. E ainda estou à espera de que alguém me demonstre, de forma inequívoca, que isto vá criar grandes dificuldades para o acesso à rede.

Mas concordo que existem pontos questionáveis no substitutivo. O Prof. Ronaldo Lemos, da Fundação Getúlio Vargas, levanta dois questionamentos que eu considero importantes. O primeiro: como garantir a segurança dos bancos de dados dos provedores e evitar o seu roubo? O segundo: em caso de invasão de algum computador por um hacker, este poderá utilizar a identificação da vítima para cometer crimes, cabendo a esta o ônus de provar que boi deitado não é vaca. Alguns afirmam que parte dos crimes considerados no projeto já são tipificados em outros artigos do Código Penal. Haveria, então, uma superposição de competências legais.

Assim sendo, foi bastante acertada a decisão da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado Federal de retirar o projeto da pauta de votações nesta semana para que seja debatido em audiências públicas com especialistas, órgãos de defesa do consumidor, representantes de provedores e outros diretamente ou indiretamente interessados. Espero que o debate seja conseqüente e que a imprensa brasileira não seja irresponsável a ponto de detonar precocemente (como preconizam alguns jornalistas) este projeto que, apesar de alguns pontos duvidosos, ainda pode ser aperfeiçoado o suficiente para que se possa colocar alguma ordem nesta terra de ninguém que é a internet.

 



Escrito por VT às 20h24
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O Rio de Janeiro através dos jornais

 

 

 

 

 

 

Você sabia que D. Pedro II chegou a sofrer um atentado à bala no Rio de Janeiro em 15 de julho de 1889? Pelo menos, foi assim que a imprensa carioca noticiou o incidente provocado por uma manifestação republicana, naquela noite, quando o casal imperial saía do teatro. Em meio à confusão “foram disparados três tiros de revólver na direção do carro que o conduzia. Asseguram-nos que um desses tiros quase alcançou o Sr. D. Pedro Augusto.” (Novidades, 16 de julho de 1889)


Este e muitas outros relatos de fatos que viraram história podem ser revistos e lidos conforme os textos originais publicados na imprensa do Rio de Janeiro em suas respectivas épocas. Basta acessar a interessante página “O Rio de Janeiro através dos Jornais” (link ao lado) para ter acesso a uma ampla coletânea de notícias originais publicadas em jornais e revistas do Rio, tais como “A Crítica”, “Diário de Notícias”, “Diário Carioca”, “Folha da Tarde” “O Imparcial” “Jornal do Brasil”, “Jornal do Commercio”, “Tribuna da Imprensa” e outros 54 títulos. A abrangência vai da promulgação da Lei Áurea em 1888 até o seqüestro do embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick em 1968 passando pelo golpe de 64, o suicídio de Vargas, a revolta da vacina, a derrota na copa de 50, a Intentona Comunista, a gripe espanhola e, até mesmo, as prosaicas manifestações proletárias contra a carestia em 1913.

Não deixa de ser interessante observar e comparar os estilos dos textos de diversas épocas, desde o texto rebuscado e emocional do final do século XIX até aquele frio e objetivo da segunda metade da década de 60. Muitas vezes as publicações não se incomodavam em deixar bem claras as suas preferências políticas e ideológicas. Bem ao contrário da hipócrita “imparcialidade para leitor ver” da maior parte da imprensa de hoje. Outras vezes, como no início do século XX, o passionalismo de alguns veículos era tão evidente que a “vejinha” haveria de se sentir em casa.

 

Taí o link: http://www2.uol.com.br/rionosjornais/index.htm

 



Escrito por VT às 23h01
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Incompetência militar



Estava eu zapeando pelos canais da TV por assinatura em busca de algum programa interessante quando esbarrei em um desses telejornais a exibir mais uma notícia referente ao retumbante fracasso militar ianque no Iraque. Dizia o repórter que, até agora, mais de 3000 soldados americanos foram mortos na guerra dos falcões. Bom, para além dos motivos já sobejamente conhecidos para a deflagração desta guerra imbecil, fico a lamentar a incrível capacidade dos Estados Unidos para desperdiçar as vidas de jovens soldados nas suas aventuras militares. E, ainda, não posso deixar de notar, mais uma vez, a histórica incompetência ianque na arte (?) da guerra.


Sim, isso mesmo, os Estados Unidos da América têm exibido uma notável inépcia em quase todas as guerras em que eles se meteram desde o início da sua expansão territorial na primeira metade do século XIX. As vitórias americanas, em todos os conflitos de lá para cá, à exceção da derrota no Vietnã, se devem muito mais à sua enorme capacidade de mobilização material, humana e financeira do que propriamente ao talento estratégico dos seus generais. Em outras palavras, eles simplesmente atropelam os seus adversários com uma maré mortal de fogo, homens e carros que faria os mongóis de Gengis Khan parecerem beatos na procissão do Senhor morto. No final, a vitória sobrevém tão somente como conseqüência da sobra americana, em homens e armamentos, sobrepujando os milhares de mortos e a perda material incomensurável deixados para trás. Bem diferente dos oficiais franceses do final do século XVIII e das Guerras Napoleônicas que sustentaram, sem aliados de peso e com uma força naval limitada, uma guerra de vinte anos contra a coalizão de potências européias ligadas ao Ancien Régime. A comparação com as aptidões dos alemães da Guerra Franco-Prussiana em 1870 ou da Segunda Guerra Mundial já é covardia.

Exemplos não faltam. Tomemos, de início, a Guerra de Secessão que conflagrou a maior parte do território estadunidense entre 1860 e 1865. Frente a um Sul atrasado, de economia essencialmente agrícola, pobre em recursos materiais e financeiros e, ainda, desabastecido por causa do bloqueio dos seus portos imposto pela marinha nortista, os bem equipados e fortemente municiados exércitos da União marcaram passo durante muito tempo e levaram grandiosas varadas em várias batalhas a ponto de ter a sua capital, Washington, ameaçada pelas tropas daqueles jecas sulistas. Tudo porque o governo Lincoln teve enorme dificuldade em encontrar oficiais generais, suficientemente proficientes, e que soubessem traduzir as teorias de West Point em ações eficazes no campo de batalha. A coisa só foi resolvida quando, finalmente, em 1864, o presidente americano achou um jeca para uso próprio, Ulysses S. Grant, nascido no Ohio, logo se apressando em nomear-lhe comandante-em-chefe dos exércitos da União, incumbindo-lhe de salvar a federação e a pele presidencial. E Ulysses não se fez de rogado. Como péssimo aluno que tinha sido em West Point, o comandante-em-chefe logo jogou na lata do lixo toda aquela teoria militar inútil que tinha aprendido mal na academia e passou a reunir a maior quantidade de soldados, armas, canhões e munições para desabá-los na cabeça do seu colega, General Lee, e das forças confederadas. E sem poupar os civis. E assim foi feito. Poucas vezes, na história das guerras, se viu tanto massacre e destruição quanto naquela campanha. Aquela cena do incêndio de Atlanta no filme “E o Vento Levou” é um exemplo eloqüente, muito bem aproveitado por Hollywood, daquela tragédia. No final, o bravo Ulysses virou lenda, presidente e letra de rock.


Querem outro exemplo? Tão significativo quanto o anterior? Que tal a Guerra do Pacífico, travada contra o Japão, durante a Segunda Guerra Mundial? Guadalcanal, Okinawa e Iwo-Jima são, até hoje, exemplos de vitórias, ao mesmo tempo, gloriosas e amargas, que sobrevivem na memória militar americana. Cada ilhota daquelas foi encarniçadamente defendida pelos japoneses, obrigando os soldados americanos a, literalmente, desalojar os nipônicos, um por um, daqueles buracos no chão de onde eles os fustigavam. Quase não sobrou japonês para contar a história, mas, as perdas americanas, tanto materiais quanto humanas, foram enormes. Novamente, aí, a antiga tática de levar o inimigo nos peitos a todo custo. Sofreram tantas baixas e um prejuízo material tão grande que não tiveram coragem de invadir as ilhas japonesas numa guerra convencional. Apelaram para a ignorância e despejaram duas bombas atômicas para acabar com a discussão. Maior primarismo, impossível!

A Guerra da Coréia terminou empatada, apesar, da evidente supremacia dos Estados Unidos em dinheiro, armas e bazófia. Esta última, por conta do general MacArthur, que resolveu brandir armas nucleares contra a China, obrigando o Presidente Truman a demití-lo antes que a coisa ficasse mais feia.

E o Vietnã? A única derrota militar americana registrada pela história até os dias de hoje. De nada adiantou todos aqueles massacres, bombardeios, napalm, homens e mais homens jogados naquele inferno, aviões, helicópteros, discursos presidenciais na televisão, etc, etc, etc. Desta vez, não deu para apelar para a solução nuclear já que o mundo inteiro estava olhando. E, ainda por cima, diferentemente das outras ocasiões, o povo americano teve que ingerir o fracasso diariamente na hora do jantar pelas imagens dos telejornais. E, ao sentir o gosto sangüíneo da morte em rede nacional, foi às ruas protestar e desencadear o movimento pacifista do qual, até hoje, a direitalha americana tem ressentimento.

Guerra é guerra, e um pneu é um pneu, diriam os acacianos, mas, a área da guerrilha é algo diferente. E, mais uma vez, os militares americanos lidam muito mal com ela. A atual guerra do Iraque tem feito os estadunidenses mais velhos esfriarem a espinha na lembrança da derrocada na península vietnamita. E não adianta a administração republicana despejar cerca de US$ 8 bilhões por mês para manter as suas tropas pastorando aqueles preciosos campos de petróleo. A guerrilha iraquiana não dá sinais de arrefecer a pegada. E os generais, mais atônitos do que torcedor colorido no jogo contra o Corinthians, não sabem se consultam os manuais, os universitários ou o Chiquinho de Xangô. Enquanto isso, o contribuinte americano já começa a questionar se, “a luta pela liberdade e pela democracia” naquelas paragens vale mesmo a pena. A primeira grande conseqüência desta catástrofe será a derrota dos republicanos nas próximas eleições legislativas por lá. Fico torcendo para que esta derrota eleitoral seja sucedida pelo apeamento de Bush e seus valentões do poder em 2008 e pelo esvaziamento da onda conservadora que, a partir dos Estados Unidos, se espraia pelo mundo. Até mesmo as guerras podem resultar em alguma coisa útil, assim como a penicilina. Querem saber? Eu não vou conseguir reprimir o sorrisinho cínico de canto de boca.



Escrito por VT às 01h32
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Manifesto por uma mídia democrática e independente

Outro manifesto, que eu também assinei, e que coloco aqui, à disposição dos leitores é o "Manifesto por uma Mídia Democrática e Independente". Taí o link:

 

http://www.petitiononline.com/b1a2j3o4/petition.html



Escrito por VT às 14h08
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Manifesto

Aqueles interessados em assinar o manifesto em solidariedade ao Prof. Emir Sader podem acessar o link abaixo:

 

http://www.petitiononline.com/emir/petition.html

 

 

 

Eu já assinei.

 

 

 

 



Escrito por VT às 12h00
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Nojo



Repugnante. Este é o melhor qualificativo que encontrei para caracterizar a injusta sentença aplicada pelo Meritíssimo Sr. Juiz de Direito Rodrigo César Muller Valente da 22ª Vara Criminal de São Paulo ao Professor Emir Sader por este ter, supostamente, injuriado o senador Jorge Bornhausen com o bem aplicado termo, “racista”, em artigo, publicado no site Carta Maior, reportando-se àquela frase preconceituosa arrotada pelo senador no ano passado:

“A gente vai se ver livre desta raça por, pelo menos, 30 anos”.

Bom, o senador dispensa apresentações. Pelo seu longo histórico de serviços prestados ao autoritarismo e a tudo que represente alguma forma de oposição à implantação da plena democracia social neste país, não é muito difícil de perceber quem, há muito tempo, merece ser processado. Mas o que mais me tem provocado engulhos é a pena aplicada ao professor. Simplesmente, ele foi condenado a um ano de detenção, em regime aberto, e à perda do cargo, obtido por concurso público, de professor na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Pena totalmente desproporcional ao crime do qual é acusado e que me faz concluir (recordando, também, a escalação do Vozão no jogo de hoje) que de cabeça de treinador de futebol e de juiz de direito pode sair tudo. Principalmente, os disparates.

Mas, no caso desta sentença despropositada, o disparate desvanece quando analisamos o comportamento clássico da justiça brasileira ou, pelo menos, de boa parte dela ao longo da história. Devido a uma profunda identificação com a classe dominante e os seus princípios, a nossa justiça quase nunca se furta a endossar os opróbios daquela e os dos seus representantes. Foi assim com as perseguições e crimes do regime florianista. Pelo mesmo motivo, centenas de assassinatos de padres, missionários e líderes camponeses nunca foram punidos. Da mesma forma, o confisco do dinheiro das contas correntes e da poupança de milhões de brasileiros no início do governo colorido, medida flagrantemente inconstitucional, foi sabujamente ratificado pelo Supremo. Mais recentemente, um juiz de segunda instância, não satisfeito em cassar o mandato de prisão do famigerado ex-senador Jader Barbalho, acusado de corrupção pelo desvio de dinheiro da SUDAM, repreendeu o juiz que havia emitido a ordem de prisão e, ainda, admoestou os policiais que haviam algemado aquela tão ínclita figura pública. Nem é preciso lembrar que o pilantra continua à solta. Portanto, Herr Bornhausen e seus comparsas podem ficar à vontade para discriminar os políticos da esquerda e ofender o Presidente Lula. Para a nossa justiça, eles estarão, apenas, exercendo o inarredável direito de expressão. Para os que lhes contrariarem, a lei.

Mas a mídia, ah, a mídia! Pensaram que eu havia esquecido dela? Pois, sim! Os grandes veículos, ao mesmo tempo em que, nesta semana, vomitaram editoriais e artigos enfurecidos defendendo a sacrossanta liberdade de imprensa atacada de forma tão vil, segundo eles, pelos policiais federais que interrogaram e supostamente intimidaram os repórteres da vejinha, ignoraram texanamente o triste episódio envolvendo o professor Emir. Assim fica claro que, para a grande imprensa brasileira, atentado às liberdades de expressão e de imprensa no orifício da extremidade inferior do intestino grosso por onde são expelidos os excrementos dos outros é refresco.



Escrito por VT às 21h31
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Mentirosos compulsivos



Observando toda esta pantomima levada à cabo pelos chefões da Rede Globo tendo à frente o Diretor de Jornalismo (?) Ali Kamel, com direito até a abaixo-assinado de jornalistas da empresa, para refutar as acusações de parcialidade no episódio da divulgação das fotos da dinheirama do PT, bem como, a comoção generalizada na grande imprensa por uma suposta intimidação sofrida por três repórteres da VEJA na sede da Polícia Federal em São Paulo, fico resignadamente a pensar que essa turma pode até estar falando a verdade, o que eu duvido, mas, similarmente àquela história do mentiroso compulsivo, de tanto mentirem, ninguém vai acreditar.




Escrito por VT às 21h37
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Psicodelia brasileira



Vai aqui a boa dica de um ótimo blog, Brazilian Nuggets, dedicado à divulgação da pouco conhecida psicodelia brasileira. Para tanto, o seu autor disponibiliza links para o download completo de obras raríssimas, lançadas nas décadas de 60, 70 e 80, de artistas como Zé Ramalho, Marcos Valle, Os Bolhas, Secos & Molhados, Ney Matogrosso, Naná Vasconcelos, Jards Macalé, Olívia Byngton, Baobás, Ronnie Von (vejam só!) e vários outros. Naquele tempo, a polícia andava atarefadíssima caçando comunistas e, por conseqüência, este pessoal ficava à solta produzindo obras interessantíssimas e alopradas que enriqueceram o porta-fólio (resolvi implicar com o anglicismo) da música brasileira e do rock nacional em especial. De cara, você encontra logo o raríssimo "Paêbirú", um temerário álbum duplo de 11 faixas gravado em 1975 por Lula Côrtes e Zé Ramalho e que teria dado um enorme prejuízo à gravadora se esta não tivesse falido antes por conta de uma enchente que levou juntos a gravadora e as cópias do disco. Consta que sobraram apenas cerca de 300 cópias vendidas no exterior por até R$ 4.000,00. Agora, graças às facilidades da internet e do download, pode-se desfrutar gratuitamente do tabefe de sonoridade e criatividade proporcionados pelos dois músicos que ainda se aliaram à Robertinho do Recife, Geraldo Azevedo e Alceu Valença. Se você se empolgar, poderá baixar ainda o não menos raro "Baobás" do grupo homônimo, de 1968 e composto basicamente de covers de rocks da época. Têm ainda o insano "No Subreino dos Metazoários" (pelo nome você tira...) de Marconi Notaro (1973), o "Vento Sul" de Marcos Valle (1972), o "Corra o Risco" da ótima Olívia Byngton (1978), o "A Máquina Voadora", e sua capa impagável, de Ronnie Von (1970), o "Murituri" de Arnaud Rodrigues (1974) and so on. O link do blog está colocado à direita desta página.

Escrito por VT às 09h09
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O Descalabro exposto





Sem sombra de dúvida, as estatísticas mostram que a viagem de avião é de todas mais segura. Segundo o Conselho de Segurança dos Estados Unidos (NSC), a probabilidade de alguém sofrer um acidente durante uma viagem aérea é 22 vezes menor do que de automóvel. Já a freqüência de acidentes fatais em jatos comerciais é de 1 para 1,4 bilhão de milhas voadas. O Brasil comparece com um dos menores índices do mundo e, ao longo dos anos, o número de acidentes vem caindo gradativamente ao mesmo tempo em que a quantidade de vôos vem aumentando. Ótimo, não? Excelente!

No entanto, tal desempenho não é conseqüência inerente ao método. Ou seja, toda a tecnologia empregada na construção de aviões e a formação e treinamento dos pilotos e co-pilotos, por melhores que sejam, não são suficientes para tornar a viagem aérea segura algo razoavelmente provável. Para isso é necessário todo um complexo sistema de monitoramento e orientação do tráfego aéreo que, nos países cujos governos demonstram um mínimo de respeito pelas pessoas, recebe atenção prioritária. No Brasil, como em tantas outras coisas, e como em quase tudo que dependa de dinheiro público, o controle de tráfego aéreo sofre contingenciamento de verbas para garantir o famigerado superávit primário. Segundo o jornalista Luis Nassif, cerca de 1,7 bilhão de reais reservados para a melhoria da segurança dos vôos estão retidos. Além disso, há 20 anos que não se realiza concurso público para a contratação de profissionais nessa área. Com a progressiva redução do quadro funcional, principalmente por causa das aposentadorias, aparece a sobrecarga de trabalho para os restantes. E não esqueçamos os baixos salários pagos à categoria. Além disso, o tráfego aéreo no Brasil aumentou bastante nas últimas décadas enquanto a estrutura de controle não foi atualizada. Deste quadro sobrevêm os riscos a que todos os passageiros e tripulantes estão expostos. Como estes trabalhadores desdobram-se, encaram exaustivas jornadas de trabalho, desobedecendo às normas internacionais, e conseguem realizar um trabalho satisfatório, o governo federal, as companhias aéreas e a Infraero olham para o lado, passam assobiando e empurram o problema com as barrigas. Afinal de contas, por que não economizar este dinheirinho tão útil na satisfação do fetiche mercadista dos nossos gerentes financeiros? E o mais grave é que os sindicatos desta categoria e dos aeronautas já vêm, há muito tempo, alertando o público e as autoridades da severidade da situação. Aqui cabe também uma crítica à imprensa de todo o país que nunca deu a devida ressonância ao problema.

Já estou farto de ver elogios ao suposto rigor fiscal dos Ministros da Fazenda e do Planejamento e dos ciosos diretores do Banco Central tão solícitos no atendimento dos apetites da banca internacional em detrimento da vida dos cidadãos. Os pobres morrem como moscas por falta de saneamento básico, atendimento médico-hospitalar e deficiências no combate às epidemias e endemias. Nada disso sensibiliza a mídia e as autoridades. É necessário que morram dezenas de ricos e remediados em uma tragédia aérea para que o desprezo com o bem estar e a segurança das pessoas venha à tona. Mesmo assim, o acobertamento da situação já ia de vento em popa no rastro da imputação de única culpa aos pilotos americanos, quando o desencadeamento de uma operação padrão pelos controladores de todo o país pôs tudo a perder, acendeu a luz sobre a mentira cínica das autoridades e abriu à opinião pública o descalabro da situação. Explicando: desde o dia 27/10, a distância entre os aviões no espaço aéreo foi aumentada e diminuído o número de aeronaves vigiadas por controlador para atender rigorosamente à legislação internacional. Desde então, atrasos nos vôos se sucedem e milhares de passageiros ficam retidos nos aeroportos.

É triste assistir o sofrimento destes passageiros, no entanto, só assim o paquiderme resolveu andar. O Ministério da Defesa anunciou nesta quarta-feira que o Governo Federal vai lançar uma medida provisória autorizando a contratação, em caráter de urgência e provisório (até 31 de dezembro de 2007), de 60 profissionais imprescindíveis ao controle aéreo. Trata-se, porém, de uma medida paliativa de efeitos duvidosos, pois, não se sabe se existem profissionais suficientes no mercado para atender à demanda e o tempo médio de formação de um controlador é de quatro anos. Fazem-se necessárias, portanto, atitudes mais sérias e definitivas em nome do respeito à cidadania. Para além da boca de cena, sabe-se que o sensível nervo que move o ânimo das autoridades foi tocado no prejuízo causado a boa parte dos responsáveis pelo PIB brasileiro que, repentinamente, viram-se igualados aos demais mortais nas filas dos aeroportos. Suprema ironia: esta semana uma reunião de diretores do Banco Central foi cancelada pois a maior parte deles não conseguiu chegar a tempo. É a tal estória do feitiço virar contra o feiticeiro.


Escrito por VT às 22h55
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