Começo este artigo rasgando logo a fantasia e esclarecendo que acordei nesta manhã bastante feliz apesar de uma irritante dorzinha de cabeça resultante de um prosaico copo de leite que eu ingeri ontem à noite. Não sei por que copos de leite têm o costume de me fazer mal após momentos de grande comemoração e emoções. Sim, eu iniciei a emocionar-me ontem, por volta das 17 horas, com a chegada à minha casa de alguns amigos pra lá de Islamabad, quer dizer, de emocionados. Sendo assim, como bom amigo que sou, logo emocionei-me com eles. O meu amigo Cláudio Pinheiro é outro emotivo nato capaz de perder a voz pelos mais singelos motivos. Coisas do (bom) coração.
E ontem eu tinha vários singelos motivos para tanta emoção. O principal deles foi a lavada de votos que o presidente operário aplicou no robozinho da Opus Dei. Nada menos que uma montanha de mais de 58 milhões de votos soterraram a arrogância tucana e pefelista que tanta irritação causam aos eleitores de boa vontade. Não vou nem lembrar dos quase 4.400.000 votos com que o petista surrou o galeguinho aqui no Ceará. Pronto, já lembrei...Fazer o quê? O galego merece. E isso me faz muito bem. Melhora até dor de cabeça.
No entanto, o que me causa a mais profunda satisfação é saber que o povo brasileiro, notadamente aquele da base da nossa pirâmide social, aprendeu a votar mirando as suas demandas e sem se deixar influenciar pelo logro da mídia interesseira. Um grande passo para a nossa democracia, sem dúvida. Aí está a grande contribuição que estes quatro anos de governo Lula deram à nossa história. Para além dos propósitos de inclusão social ou meramente assistencialistas, como querem alguns espíritos de porco da política e da mídia, os programas sociais deste governo conseguiram a proeza de despertar as parcelas mais pobres da população e fazê-las mover-se num único objetivo comum: a satisfação das suas necessidades legítimas e seculares. No entanto, não só dos votos dos pobres vive o presidente vitorioso. Ele foi muito bem votado em todas as camadas da população. E, pra completar, o segundo turno deu-lhe a oportunidade de destroçar aquela idéia cretina, porquanto despreza as vitórias de Lula no Rio e em Minas no primeiro turno, impingida por alguns analistas e cientistas políticos, de um país dividido pelo voto em dois blocos regionais: o norte-nordeste pobre e petista em contraste com o sul-sudeste e centro-oeste rico e pessedebista. Tudo isto resultado do melhor desempenho da sua administração frente ao descalabro do governo do príncipe, o pior desde que Tomé de Souza desembarcou na Bahia em 1549. Foi exatamente por isto que os eleitores decidiram relevar os escândalos de corrupção e dar uma segunda chance ao presidente. Afinal de contas, Lula conhece bem a letra do samba e sabe que perdão foi feito pra gente pedir. E só recebe quem merece. Lula pediu em cadeia nacional há mais de um ano e o povão generosamente atendeu. Que tucanos e pefelistas aprendam a lição e retirem os tapetes da sala e joguem fora os armários. E que o petista faça por onde continuar a merecer.
Satisfaço-me ainda ao constatar a derrocada de velhas e novas oligarquias nordestinas, soçobradas ante os bons ventos soprados pelo voto popular. Provavelmente o PFL vai passar por uma merecida crise de identidade complicada pela aposentadoria do Feldmarschall Bornhausen. O PSDB continuará a procurar uma bandeira convincente para substituir aquela do Plano Real que lhe garantiu a presidência em 1994. Além disso, a sua direção terá que controlar os achaques das prima-donas, Serra, Aécio e o próprio Alckmin, que certamente vão se estapear pela vaga de porta-bandeira em 2010. Podem deixar que o samba-enredo fica por conta do Lula e FHC, pela sua chatice, tem lugar garantido na ala das baianas.
“Eu não tenho o menor interesse na opinião do povo. Quase sempre ele está errado. Aliás, a opinião de muito pouca gente me interessa. A democracia sempre foi salva pelas elites e posta em risco justamente pelo “povo”, essa entidade. Vai acontecer de novo. Lula, reeleito, tende a levar o país para o buraco. E uma elite política terá de ser convocada para impedir o desastre.
O “povo”, nos assuntos realmente importantes, não apita nada. É uma sorte! Aqui e no mundo inteiro. Não apitou quando se fez o Plano Real. Ou nas privatizações. Teria votado contra a venda da Telebrás ou da Embraer. Junto com Lula. Estaríamos sem telefones e sem produzir aviões. Os petralhas sabem: fico aqui queimando as pestanas, tentando achar um jeito de eliminar o povo da democracia. Ainda não consegui. Quando encontrar, darei sumiço no dito-cujo em silêncio. Ninguém nem vai perceber... Povo pra quê?”
Tal sandice, publicada no blog do jornalista Reinaldo Azevedo, mostra que uma parcela da direita brasileira não vai se conformar com a derrota do seu candidato nestas eleições presidenciais. Na contramão das declarações de alguns líderes pessedebistas e pefelistas que, desde anteontem, já dão claros avisos que pretendem, pelo menos por enquanto, baixar a temperatura em que arde o forno político brasileiro, os aloprados direitistas lançam imprecações contra o povão, particularmente aquele segmento mais pobre e, supostamente, menos esclarecido. Não lembro de ter lido ou escutado nenhuma declaração semelhante por parte de tais meliantes quando o povão elegeu e reelegeu o príncipe em primeiro turno nas eleições de 1994 e 1998. Nessas ocasiões, o povo brasileiro, para eles, podia ensinar democracia ao mundo. Não satisfeitos, ainda pregam abertamente a necessidade de tungar no tapetão o segundo mandato do Luiz Inácio, ao mesmo tempo em que, como falsos moralistas hipócritas, alegam defender a legalidade e a constituição conspurcadas, de forma inédita, segundo dizem, pelo petismo. Para eles, o golpe salvacionista a ser perpetrado por uma suposta elite esclarecida nacional seria a redenção da democracia pátria. Ora, comprem-me um bode! De elites “esclarecidas” e pervertidas, a seção brasileira do inferno está cheia e não consta que Belzebu ainda tenha saco para aturar esses malas sem alça e sem rodinha na sua organização. Além disso, a folha corrida desta trupe não a credencia à pretensão de ensinar ao povão as regras do bom comportamento político.
Mas chato que é chato, às vezes, age em bando, como demonstra a nota recente do Clube Militar (isto ainda existe?) em que três oficiais-generais da reserva se declaram preocupadíssimos com a ameaça à democracia que a reeleição do operário representaria. Em respeito aos leitores e como este é um blog de família reprimo, a muito custo, um delicado palavrão. Conclamo estes milicos a voltarem aos estábulos onde encontrarão público mais adequado às suas diatribes.
Pelos idos da década de sessenta, ficou famosa uma expressão, “esquerda raivosa”, com que os porta-vozes das classes reacionárias alcunharam o segmento mais radical, ou quem sabe, mais idealista da esquerda que batia-se pela derrubada das nossas bastilhas sociais e políticas. Pois agora, e ironicamente, tal alcunha cai como uma luva no figurino desta direita mal-humorada que, frente a uma derrota acachapante nas urnas e em meio às costumeiras imprecações contra qualquer movimento que represente um aumento da importância política das classes mais baixas, delira com a reconfiguração da incipiente democracia brasileira segundo os seus moldes obsoletos.
Em verdade, a raiz do problema está no antigo vício desta elite calhorda e dos seus acólitos da classe média ignorante de não aceitarem a nivelação dos seus direitos de cidadania com o povaréu mal-ouvido que, de uns tempos pra cá, descobriu que tem interesses distintos daqueles da elite e, portanto, recusa-se a obedecer aos comandos emanados da mídia sabuja e interesseira que tão bem representa as vontades da minoria. Que tal se, ao invés de mudarem de povo, esses cretinos mudassem de país. Dizem que o Uzbequistão tem um presidente ótimo.
O debate de ontem já descambava para a chatice regulamentar e eu já começava a ressonar quando Lula resolveu dar o seu showzinho para as câmeras. Abria os braços em desalento a cada besteira que o Alckmin falava e, às vezes, ficava por trás do pessedebista balançando a cabeça negativamente. Só faltou ele colocar um par de chifrinhos com os dedos na cabeça do candidato paulista. Uma pena que o petista não tenha feito isto... Escrito por VT às 18h53
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Burrice
A mediocridade na maioria dos meios de comunicação é tão grande que, até agora, poucos notaram um detalhezinho sutil: se existem tão fartos laranjas e doleiros para fornecer dinheiro ilegal por que o PT iria montar uma operação circense para trazer dólares de Cuba em caixas de uísque como alardeado pela VEJA? Este tipo de imprensa está se queimando porque acredita que a maior parte do público é igual ao leitor padrão de VEJA, burro. Escrito por VT às 17h56
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Assim não...
Empate suado contra o CRB e no apagar das luzes, pra usar um desgastado jargão.
1 X 1.
Sugiro que os dirigentes do Vozão peçam aos árbitros que não expulsem mais jogadores do time adversário. Senão fica difícil...
Uma ação da Polícia Federal realizada no Salão do Automóvel no Anhembi, zona norte de São Paulo, permite-nos depreender mais uma vez os vícios do, como diria Elio Gaspari, andar de cima da sociedade. Cinco automóveis da marca Lamborghini foram apreendidos e levados para o pátio da sede da PF naquela cidade onde viraram atração para a choldra. A acusação era sonegação de impostos de importação. Cada automóvel está avaliado em R$ 1,5 milhão. Estou aguardando para breve um discurso indignado do ACM na tribuna do Senado ou uma esclarecedora reportagem da VEJA sobre mais esta arbitrariedado da PF contra o livre empreendedorismo. O candidato Alckmin certamente vai ficar caladinho que ele não é besta.
Já há algum tempo, alguns colunistas da mídia conservadora, como o Reinaldão, o Mainardi e o Jabor, têm se esforçado na tentativa de negar a existência da elite brasileira. Coisa do petismo cretino, alegam. No entanto, assim como no caso da Daslu, o incidente automotivo não só mostra que ela é real como revela o mau comportamento desta gente. Ou aqueles carros seriam vendidos para moradores do Jardim Ângela?
Até os semáforos da Avenida Paulista sabem que a elite brasileira existe, sim, desde os tempos quinhentistas, quando passava a perna nos índios e trocava espelhos e pedaços de vidro por pau-brasil. E ela ainda não abandonou tal prática a julgar pelas fofocas de celebridades, conselhos de auto-ajuda, catálogo das últimas quinquilharias eletrônicas e testes imbecis do tipo “como você é” e outros mimos com que alguns hebdomadários nacionais brindam os seus leitores ao mesmo tempo que trombeteiam as benesses prometidas pelo livre mercado e escondem os podres da elite empresarial, dita empreendedora. Lembrei agora de quando a vejinha (sempre ela) exibiu a felicidade de meia dúzia de ex-funcionários de estatais privatizadas que, com o dinheiro da demissão voluntária, abriram algum negócio e tornaram-se felizes e bem-sucedidos empresários e geradores de renda e emprego. Ou seja, meras receitas banais de felicidade em troca de doutrinação.
Mas, eu me divirto com o constrangimento desta mídia ao ser obrigada, mesmo que rapidamente, a exibir as mal feitorias do “jet set”.
Vou meter o bedelho na atuação sanitária da PF e sugerir a ela e à Receita Federal uma blitzinha sem compromisso nos grupos controladores destas publicações só pra verificar que tudo está correto e podermos parabenizá-los pela honestidade fiscal.
Morreu o maestro Rogério Duprat, o grande arranjador que significou para o tropicalismo o mesmo que George Martin foi para os Beatles. Seu trabalho mais famoso foi o disco “Tropicália” onde ele apresentou à MPB a efervescência sonora e eletrônica da segunda metade da década de 60. De formação erudita, assim como Martin, logo ele enveredou pela pesquisa de novas sonoridades, buscando a fusão do erudito com o popular. Em 1963, foi pioneiro, no Brasil e quiçá no mundo, na composição eletrônica. Sua morte, assim como a de outros gênios, mostra o quanto é largo o espaço ocupado pelo talento. E o quanto de desperdício existe naquele ocupado pelas mediocridades contemporâneas. Escrito por VT às 17h16
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Jornalismo investigativo: isso existe mesmo?
Se existe algo em franca decadência no Brasil é o tal do jornalismo investigativo. Se é que já houve algo parecido no nosso país. Até existe (surpresa!) uma tal Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (ABRAJI). No entanto, o que menos se vê na imprensa brasileira é investigação. As matérias limitam-se a repetir declarações de pessoas e autoridades quando não descambam para o puro e deslavado fuxico. Um ministro fala mal de um senador; os repórteres correm para o senador para pegar a resposta (Senador, o que o senhor achou das declarações do Ministro Fulano de Tal chamando-o de fdp?); o senador devolve uma imprecação; os repórteres voltam ao ministro para ouvir a tréplica e por aí vai.
Quando resolvem investigar alguma coisa, é sempre com terceiras, quartas e quintas intenções. Só o fazem se o trabalho for do interesse do dono do jornalão, revistona ou tvzona. E sempre selecionando rigorosamente os fatos a serem investigados e divulgados que é pra não complicar a vida de “pessoas do mais alto respeito e de inequívocos serviços prestados à nação”. Ou seja, um pastiche. Sinceramente, após 14 anos da sua renúncia, tenho lá as minhas dúvidas se o Collor tinha mesmo aquela culpa toda. Lembremos que ele foi absolvido pelo Supremo por falta de provas.
Reproduzo aqui este artigo de Peter Lessman, ex-piloto da Varig, publicado no blog do Gerald Thomas. A situação parece ser mais terrível do que eu pensava.
GOL X Legacy X Infraero por Peter Lessmann
É altamente provável que o capítulo “final” que derrubou o avião da Gol foi esse mesmo! Mas vou incomodá-lo com alguns detalhes dos “capítulos anteriores” desta história para que pelo menos uma pequena parte da sociedade saiba onde se “esconde” um dos maiores perigos à segurança aérea neste país, um dos grandes “fatores contribuintes” deste acidente e de muitos outros, mas que os nossos ilustres passageiros desconhecem. Pois esse “lado” da estória sempre acaba sendo “enterrado” nos relatórios finais de acidentes que são “investigados” oficialmente por entidades que são TODAS, no final, vinculadas ao mesmo “patrão”, o Ministério da Aeronáutica, e agora aos políticos da tal ANAC, naturalmente resistentes a reconhecer culpas dentro da sua própria “família”!
Há algumas falhas menores no texto como “a torre de Manaus autorizou”, e a velocidade de “350 km/h”. Explicando a estrutura em linhas gerais, a “torre” só controla o tráfego aéreo na área imediata bem próxima de um aeroporto, depois o chamado “controle” controla assume até um raio de uns 100 Km e uns 6.000 m (cerca de 20.000 pés equivalentes ao nível de vôo _ flight level _ FL200) e depois disso os chamados “Centros de Controle” assumem o controle de todo o restante do chamado “Espaço Aéreo” Brasileiro, que é mais ou menos como funciona no mundo todo. Ambos os vôos envolveram duas dessas chamadas “Regiões” do espaço Aéreo, uma controlada pelo “Centro Brasília”, e como o nome sugere, sediados com os seus Radares e respectivos controladores em Brasília, controlando a região Sudeste do Brasil. Já a região Norte está sob responsabilidade ao seu equivalente “Centro Manaus” sediado em Manaus. O outro errinho comum em artigos de jornais é a velocidade que certamente não era de 350 km/h, muito mais provavelmente se refere a 350 kt (Knots or Nautical-Miles-per-Hour e 1 kt equivale a 1,852 km/h) ou seja, 350 km/h X 1,852!!
Pois bem, toda esta estrutura de controle é muito bonitinha no papel e como tudo que é assim, só funciona mesmo no papel! Como a maioria das coisas Brasileiras... O que agora nos conduz aos fatos que provavelmente serão manipulados para jogar a culpa em pelo menos 99,99% nos pilotos, como, aliás, sempre ocorre:
1) Toda esta estrutura de controle de tráfego aéreo é pública, e como tudo que é público, é também político. E como “Controle de Tráfego Aéreo” não “dá IBOPE”, é “boca pobre”, um assunto que só aparece na hora da cagada, sofre os maiores cortes orçamentários e por isso demora mais para receber fundos e aprovar projetos pelos Srs. deputados e Senadores, exceto pelas grandes compras de equipamentos, sempre muito caros, que é o único momento onde chove um mundaréu de grana e MUITAS comissões pra todo mundo.
2) Depois dos shows de inauguração e os figurões com dinheiro já no bolso, tudo volta ao “normal”, ou seja, falta gente capacitada, falta treinamento, reciclagens, salários, peças de reposição, etc., sem os quais todo o sistema simplesmente não funciona!!! Mas tudo isso fica muito bem escondido em atrás de inacessíveis restrições militares, “segurança nacional”, etc. e etc., e se alguém bisbilhotar muito montam um showzinho de “demonstração” para algum jornalista desinformado, e se ele for muito chato até deslumbram ele com um passeiozinho de avião e tudo fica como está.
3) Muitos amigos e colegas de profissão já morreram junto com os seus passageiros, e continuarão a morrer, por falhas gravíssimas desta estrutura “pobre”.
4) Ao discutir este assunto, sempre procuro deixar claro que concordo plenamente que em última análise serão sempre as falhas humanas, inerentes aos humanos pilotos, assim como também aos humanos controladores, que são o “elo mais fraco” de toda uma corrente de eventos que leva a um acidente...
5) É onde entra a única “defesa” contra a falha humana, a tecnologia, mas que nas mãos de gente mal paga, mal treinada, desestimulada, operando equipamentos às vezes moderníssimos mas parcial- ou totalmente inoperantes, ligados em redes de comunicação que não funcionam, ou deterioram rapidamente alojados em instalações totalmente inadequadas que inviabilizam os equipamentos que nunca serão repostos, e assim não podem efetivamente “controlar” nada com a segurança necessária. Então acreditem quando em alguém como eu com 32 anos no ramo, e ainda voando pelo mundo inteiro afirma categoricamente: o risco POTENCIAL de mais acidentes é, e continua ENORME!!! Hoje é unicamente o esforço ABNEGADO exercido com paixão e profissionalismo por muitos, mas isolados, heróis dentro da estrutura como um todo que ainda evita um número maior de mortes! O controle aéreo FALHOU SIM!!! E não adianta nada também crucificar um sub-assalariado e abnegado profissional que é fruto de uma estrutura MUITO FALHA!!!!
6) Mas como estamos no Brasil, já a famigerada INFRAERO, por outro lado, que administra TODOS os aeroportos RICOS do país, é um exemplo de “boca rica” dentro desta “estrutura”, visível por todos e por isso disputadíssima pelos políticos. Esta empresa é uma das tais de “economia mista”, o que junta o melhor dos dois mundos da roubalheira Brasileira: privatizar o lucro e socializar o prejuízo. E por isso bajuladíssima por essa gente nojenta da nossa política que os Brasileiros insistem em eleger. E tudo isso sem os entraves orçamentários, pois aquilo é uma fábrica bilionária de dinheiro!!!! TUDO lá é o mais ABSOLUTO ROUBO legalizado: taxas de embarque absurdas, estacionamento e aluguéis caríssimos por cada centímetro quadrado destes verdadeiros shoppings (em Porto Alegre tem até cinema), compras superfaturadas dispensadas de incômodas licitações porque quase tudo lá requer “notória especialização” e assim “legalizam” a “mamata”. É emprego e carguinhos GARANTIDOS para todos os militares da Aeronáutica que foram “bem comportados” e “quietinhos” durante as suas carreiras, para políticos “amigos” e assim vai. Só que apenas gastam e roubam para eles mesmos, não estão nem aí para os inúmeros atrasos causados por falta de equipamentos básicos de auxílios à navegação, por exemplo, porque para eles passageiro “bom” é aquele que fica gastando bastante tempo e dinheiro DENTRO dos aeroportos e não viajando. Passageiro dentro do avião e longe dos “camelódromos” dos seus aeroportos é prejuízo, assim como os gastos com segurança aérea!!
7) Enquanto isso no “lado de cá”, os responsáveis pela vida e morte deste incauto passageiro e seus equipamentos, todos eles vivendo e trabalhando muito além dos luxuosos portões de embarque apodrecem... Ou seja, do momento do embarque no avião até o desembarque no destino, o passageiro não tem idéia do que ocorre “nos bastidores”, e infelizmente parece que nem se interessa muito, talvez pelo fato de quem vai depois conferir se o nome dele está entre as vítimas de mais um acidente não será ele, mas a família dele...
ACORDEM Srs. passageiros, só falta que vocês façam a sua parte, porque há décadas que os profissionais do ramo denunciam estes absurdos sem resultados palpáveis! Somos poucos diante dos milhões de vocês que a cada ano viajam sem se assegurar que os milhões que o governo toma de vocês e das empresas é realmente gasto na SEGURANÇA de vocês, ao invés de banheiros de mármore nos aeroportos!!!! Ou vocês vão mais uma vez deixar o assunto esfriar depois de sair das manchetes??
Abraços esperançosos,
Comandante Peter Lessmann
* Peter Lessmann, 49, pilotou durante 26 anos aeronaves da Varig. Atualmente, comanda vôos nos Emirados Árabes.
Reproduzo aqui parte de um ótimo artigo do jornalista Luiz Carlos Azenha publicado no seu site (ou blog).
“Se eu tivesse tempo, dinheiro e menos o que fazer, gostaria de submeter nossos comentaristas políticos a um breve questionário:
1. Qual foi a ocasião mais recente em que o senhor ou senhora usou transporte público? (Não vale o metrô de Paris); 2. Quando foi a sua mais recente visita a Dourados, em Mato Grosso do Sul? 3. Já esteve em Campo Grande ou Goiânia? 4. Foi recentemente a Parelheiros? 5. O senhor ou senhora já entrou numa lan house? Sabe o que é isso?
Com exceção da primeira pergunta, que é pura provocação, as demais fornecem pistas para desvendar o que não é necessariamente um crime: o Brasil costeiro morreu. E já vai tarde. Sejam benvindos a um país mais complexo, em que o poder dos coronéis locais, montados em suas concessões de emissoras de rádio e tevê, se esgarça nas franjas. Se você não sabe o que é uma lan house, nem foi a Parelheiros, não se sinta um idiota - no sentido grego da palavra. Lan house é internet de pobre. Um real por hora. Está lá, em todo bairro pobre de toda cidade brasileira.
É na lan house que a periferia orkuta; que joga aqueles videogames em que o sangue jorra; que imprime currículos em busca de empregos inexistentes; que baixa o vídeo da Cicarelli. Em resumo, é na lan house que a periferia faz ligação direta no ônibus que nossos comentaristas supõem dirigir.
E, porque estive lá, descobri em Parelheiros o que talvez seja a classe C a que se referiu Franklin Martins. A classe média sem água e esgoto. A mais completa tradução da Belíndia, das Bélgicas e Índias que se fundem no Brasil: carro usado na garagem, máquina de lavar, videogame, dvd, internet discada, ligação clandestina de água, bacias para recolher água de chuva, fossa e água de chuveiro desembocando direto na rua. Lá o eleitor conversa enquanto o telejornal está no ar, comenta os diálogos da novela, vai na lan house procurar emprego e conversar pelo messenger. Os estudantes dão copy e paste para fazer trabalhos de escola.
Estejam certos de que os eleitores de lá não obedecem ao andar de cima.
Então o Lula pode ser reeleito com os votos de revolucionários da periferia? Pelo contrário, ele terá os votos dos conservadores, no sentido literal da palavra. E o que estes eleitores querem conservar? A tênue ascensão social que tiveram nos últimos quatro anos está expressa no grande crescimento das vendas da linha branca de eletrodomésticos e no espetacular crescimento do número de aparelhos de telefonia celular no Brasil.
Ou alguém acha que as Casas Bahia se tornaram um fenômeno por causa da freguesia dos Jardins paulistanos ou da Barra da Tijuca?"
Petistas acusam os pessedebistas de terem quebrado o país duas vezes durante o governo FHC, o que é verdade. Pessedebistas retrucam afirmando que aqueles desastres foram conseqüências das graves turbulências na economia mundial naquele período, o que é meia-verdade e que o governo Lula apenas se aproveita da onda benfazeja originada no governo do príncipe, o que é duvidoso. O que diriam petistas e pessedebistas se fosse o inverso? Escrito por VT às 17h17
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Esclarecimento
Estou agora respondendo aos comentários na própria caixa destes. Fica mais fácil para os demais leitores lerem e participarem. Escrito por VT às 16h32
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A nova e velha direita
A onda neoconservadora norte-americana vem, desde mais ou menos o início da década de 90, espraiando-se mundo afora, cooptando mentes e aspergindo o seu veneno de intolerância caracterizado pelo discurso pseudomoralista, fundamentalista e, muito pior, belicista. Os delírios desta direita, cuja face mais cretina e perversa é o falconismo político da administração Bush II, alcançou o seu zênite após o 11 de setembro de 2001 e já começa a dar sinais de fadiga em terras ianques dados o agora evidente fracasso da invasão do Iraque e a falta de pejo em intrometer-se desavergonhadamente com os tão importantes direitos de cidadania assegurados pela constituição dos "Founding Fathers" há mais de 200 anos. No entanto, a serpente não definha sem antes deixar os ovos. E a nossa Vera Cruz não deixou de receber o seu quinhão em ovinhos. Como se não bastassem os economistas e administradores formados na catequese dos cânones do Consenso de Washington e da valorização exacerbada do individualismo corporativo, eis que, de uns tempos para cá, têm surgido, na nossa mídia, os arautos da nova (?) doutrina, filhotes da serpente original que, diferentemente daquela bíblica, não se contentam em apenas distribuir metafóricas maçãs pecaminosas. Querem, por fina força, pôr abaixo boa parte daquilo que o humanismo tem, ao custo de muito apuro, construído ao longo dos últimos seis séculos.
No Brasil, os percussionistas do entrudo neoconservador não se estorvam em seguir à risca este modelo. Daí, vale tudo, desde requentar preconceitos dos tempos dos cruzados e responsabilizar unicamente os orientais muçulmanos pela atual guerra não declarada com o Ocidente até defender a abstinência sexual como o melhor método de prevenção da Aids e de combate à gravidez entre os jovens.
O jornalista Reinaldo Azevedo, colunista da revista Veja e editor da falecida revista “Primeira Leitura” é, talvez, o mais estridente porta-voz da direita recauchutada na “terra brasilis”. Além de juras de amor à política externa de George W. Bush, quer fazer acreditar, entre outros devaneios, que não é papel do Estado distribuir camisinhas e obrigar os cidadãos a usar o cinto de segurança. E se pessoas morrem por isso, para ele, é por causa de burrice. É mole? O pior é que tem muito maluco que estrebucha de gozo ao ler tais sandices! A ele associa-se o delirante Olavo de Carvalho que, toda noite, antes de deitar-se, deve olhar embaixo da cama para ver se não há um comunista à espreita. Mas, como o prestígio do Olavão anda meio por baixo, sobra mesmo pro Reinaldão a maior parte do trabalho. Com o seu verniz intelectual, ele consegue passar-se por instigante e, nessa levada, criticou, há algum tempo, “o humanismo capenga da década de 50 que ainda era pautado pelo comunismo”. A-ham! Assim, ele apagou da história todo o período renascentista. Nem Stalin teria sido tão caprichoso. Dá pra levar à sério este tipo de gente?
Outros, como Diogo Mainardi e o ex-cineasta Arnaldo Jabor, são ainda mais grotescos. No entanto, não se pode ficar indiferente quando, juntamente com o Reinaldão, exprimem preconceitos contra minorias e camadas mais pobres da sociedade, agridem o princípio da universalização da proteção do estado, ironizam as opções eleitorais do povão, principalmente nordestinos, e dão total cabimento à relativização dos direitos e garantias individuais. Mostram-se independentes, mas, calam frente às investidas da raposada corporativa ao aparelho estatal.
Assim, apesar da pátina de “mudernidade” e da alegada defesa da democracia e do estado de direito, o neoconservadorismo ainda é a mesma e velha direita, adentrada em séculos, com uma folha corrida que remonta a Átila, o huno e que ainda mantém o viço e o vício contra tudo o que represente igualdade, liberdade de pensamento e bem estar social.
Tenho visto muita gente, inclusive jornalistas, se mostrando espantados com o fato do candidato Lula continuar subindo nas pesquisas apesar de todas as denúncias de irregularidades no seu governo. A meu ver, o problema é que a patuléia tem a clara percepção de que a gandaia que sustenta a candidatura Alckmin não tem credibilidade para falar em ética e em decência. E ainda, esta percepção parece começar a se estender à parte da imprensa que, há muito tempo, não prima pela exatidão e honestidade e, principalmente, pelo respeito ao leitor.
Concordo com você quanto às intenções da tentativa de aliviar a responsabilidade do Cindacta no acidente da Gol. O buraco é sempre mais embaixo e nele a gente, freqüentemente, acaba encontrando o dinheiro como motor das atitudes. Escrito por VT às 20h35
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O sal da terra
Até bem pouco tempo antes do primeiro “round” destas eleições de campanhas ignóbeis, a possibilidade do voto nulo vicejava na minha mente adubada pelo desencanto com o excrescente encaminhamento neoliberal da política econômica do governo petista e pela sucessão de atentados à ética e à honestidade perpetradas pela cúpula paulista do partido. Mesmo dando-se o necessário desconto às amplificações interesseiras da mídia, o certo é que os petistas não tinham mesmo o direito de conspurcar o discurso e a história de uma agremiação política que, até há pouco, encarnava a esperança de um povo maltratado e a possível remissão das históricas e deslavadas injustiças nacionais. No entanto, um fato prosaico ainda insistia na minha lembrança: o choro soluçante e, para mim, sincero de alguns membros da bancada petista no “quengresso” quando das revelações, falsas ou não, do publicitário Duda Mendonça. Foi aí que instalou-se um germe no meu pensamento. Aquele choro era um indício discreto da possibilidade de regeneração do partido e, quem sabe, da correção de rumos do governo lulista. Pois, se eles choravam e se envergonhavam, muitos outros membros e militantes do partido também podiam estar fazendo a mesma coisa em todo o país. E um partido que chora e que se envergonha, além de inédito, ainda mostra a probabilidade de retificar os seus erros, principalmente, quando estes foram cometidos pela cúpula à revelia dos setores mais inferiores do partido. Ao contrário, não descortino a menor e mais remota possibilidade de ver algum membro do PSDB ou do PFL chorar por desilusão e vergonha por algum descaminho ético. A não ser aquele choro metafórico e de esperneio pela distância do poder.
Mesmo assim, sustentei a posição inicial por muito tempo. No entanto, a progressiva conscientização de que a atitude extremista de chutar o balde e votar nulo tinha mais a ver com as irracionais pulsões emanadas do id combinada com a constatação de que o governo do Luiz Inácio é, tão somente, a fase inicial, embrionária, ainda imperfeita, de todo um processo que, se bem sucedido, pode levar à verdadeira democratização da nossa sociedade (e por isso ferozmente combatido) fez brotar aquele germe no meu pensamento e rever a minha atitude na esperança (sempre ela, pois sem ela não se vive) do PT e do seu governo embicarem na direção das legítimas demandas da nação.
Germes são bichos danados. São instalados na nossa mente ao longo das nossas vidas. E nunca nos deixam. São pra sempre e estão sempre à espreita esperando o melhor momento para se manifestarem. Vejam só: apesar do meu ateísmo inarredável, até hoje não consigo deixar de me sensibilizar com aquela passagenzinha do Evangelho, muito bonita, tenho que admitir, aprendida nas aulas de religião do velho Mater Amabilis e que diz:
“Vós sois o sal da terra, e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora e ser pisado pelos homens.” (Mateus 5, 13)
Esta, à primeira vista, prosaica frasezinha, que me fizeram decorar à força no colégio, tem um conteúdo extremamente revolucionário, no bom sentido, ou melhor, no sentido correto. Todos sabemos que o sal, para temperar e conservar, precisa se misturar à massa. Por isso, nós, também temos que nos misturar à massa da sociedade e, a partir daí, ter atitude e procurar fazer alguma coisa para melhorá-la seja pregando, ensinando, militando, criando blogs, brigando e batendo boca, sim, no tête-a-tête ou pela internet ou, simplesmente, votando. Assumir uma atitude, aparentemente correta, de desencanto, mesmo que justo, ou, pior, de descrença na política como coisa só de desonestos e que, por serem todos iguais, não vale a pena ficar discutindo, nos faz parecer com o sal insípido, de má qualidade que “para nada mais presta senão para se lançar fora e ser pisado pelos homens”.
Aquelas passeatas de 1989, o movimento dos cara-pintadas, os “botoms” na roupa , os adesivos no carro, a champanhe estourada na vitória, etc, fazem parte da nossa memória afetiva. Da história da nossa vida. Daquela memória que se coaduna com as nossas idéias e os nossos sonhos. Jamais vou rejeitá-la ou envergonhar-me dela. No entanto, a realidade é cruel e nem uma trepada pode ser exatamente igual àquela dos nossos sonhos. Por isso que eu me mobilizo. Corro o risco de quebrar a cara de novo. Mas, somente apostando as feições, é que podemos construir o sonho.
Temos, então, duas opões para o próximo domingo. Lula ou Alckmin? Cada um que faça a sua escolha. Votar naquele que parece ser o mais apto a conduzir o governo é uma atitude revolucionária pois imbuída da intenção de temperar, de aperfeiçoar a sociedade. A revolução está no propósito e não no voto per se. E votar naquele que alguém acredita ser o menos ruim, também, por que não?
De minha parte, como já esclarecido em um “post” anterior logo quando inaugurei este blog, assumo os meus vieses , reúno os germes da minha mente, ponho-os debaixo do braço, ajeito a cara e vou revolucionariamente votar em quem, na minha opinião, ainda representa uma possibilidade de progresso social. No único que, até agora, se mostra capaz de estabelecer um diálogo com todas as camadas da sociedade, pois, esteve em todas elas, Luiz Inácio Lula da Silva. Rejeito a insipidez e não vou ficar jogado à beira do caminho. Isso só fica bonito nos versos do Roberto.
O meu amigão e colega beatlemaníaco, Vladimir Araújo manda um comentário que, pelo seu tamanho, não cabe na caixa específica. Por isto, publico-o aqui.
Dêem-me um pouco de verdade
Nunca graduei-me em política. Como a maior parte do povo brasileiro, segui a vida de forma cotidiana e tributável, como disse certa vez o poeta Fernando Pessoa. No entanto não acho que deva enfileirar-me na galeria a qual faz parte o “ analfabeto político” de Brecht ou seja, aquele que não ouve, não fala e que “ não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.” Não. Seria um exagero. É verdade que até por conta da idade nunca fui preso, torturado, exilado e também não vi de perto a era em que não se podia falar ou escrever livremente . Mas repito, não considero-me um analfabeto político. A partir de quando pude, lembro-me de haver incentivado aos que pintaram a cara contra Collor de Mello, de toda minha estupefação quando do seqüestro da poupança de milhões de brasileiros e lembro, hoje com angústia, de haver participado de passeatas em prol da primeira candidatura de Luis Inácio Lula da Silva à Presidência da República. Na memória ainda, meus votos a esse senhor nas eleições de 1994, 1998 e 2002 quando, ao pregar adesivos com seu nome em meu carro desobedeci e fingi não ouvir os conselhos de que a cola do papel iria sujar o vidro e que tal sujeira seria difícil de largar. Jamais poderia imaginar no entanto, que a sujeira que viria depois não largaria tão fácil. Não sairia com água e sabão. Assim, o que infelizmente me desespera hoje em dia nesses tempos de guerra suja eleitoral é não ter escolhas (“ Aquele que ri ainda não recebeu a terrível notícia.” ) . De um lado, um candidato a presidência que representa tudo o que de mais atrasado, desonesto e cínico ocorreu nesse país nos últimos anos e que ficou conhecida como a era “ FHC”. Difícil esquecer. Os malefícios causados à população pelo culto e renomado sociólogo ainda se farão sentir por anos a fio. Isso é fato. É indiscutível. Sentimos na pele e os que trabalhavam nas empresas privatizadas e suas famílias estão ai para servir de testemunhas. Ou talvez nem estejam mais por aí. Do outro lado, um candidato que por décadas representou todo um sentimento de mudança, toda a revolta e indignação por tantos anos passados sobre as infames sombras de um período de ditadura. Era ele. Não poderia ser outro. Estava tudo perfeito. Iríamos, enfim, nos sentir verdadeiros cidadãos, cidadãos brasileiros, caminhos livres pela frente ostentando orgulhosamente a estrela no peito... Não havia nada perfeito. Não era ele. Que me perdoem a intelectualidade brasileira e os artistas burros desse país mas, Lula não tinha o direito de aviltar a inteligência do povo. Que me perdoem os beneficiados por seu assistencialismo barato e que comem as migalhas dos “ bolsas famílias” da vida mas Lula não podia ter continuado a apagar dia após dia sua biografia. Não me argumentem também, que corrupção, roubo e falcatruas sempre ocorreram porque não posso aceitar o nivelamento de um país “ por baixo”. Fazer isso seria ter que escolher qual o melhor entre aquele que mata e o outro que mata e corta o corpo em pedaços (“o ódio contra a baixeza também endurece os rostos!”) . Lula , por respeito aos que acreditaram nele, teria que ter sido diferente. Lula não tinha o direito de não ter feito, Lula não tinha o direito de dizer que “ não sabia”, Lula não tinha o direito de abusar da incompetência. Entenda-se: não dá para fechar os olhos pois mesmo que os fechássemos, sentiríamos. Não dá para tapar os ouvidos pois mesmo se assim agíssemos haveríamos de sentir o acre gosto. Não dá para calar a boca pois ainda que não falássemos, o cheiro de podre estaria espalhado no ar. É verdade, estamos num momento delicado. Mais que num político, Lula transformou-se num mito, amparando-se na pobreza, nas desigualdades sociais, na falta de instrução da grande maioria do povo brasileiro e sobre esse tripé, construiu sua plataforma que deverá sagrar-se vencedora no final de outubro. Infeliz e historicamente, mitos costumam durar e não ser questionados. O povo aprende a conviver com eles e a enfiar um pão na boca todas as vezes que palavras como ética e retidão ousam perturbar a paz dominical da TV ligada no programa do Faustão. Acham que o maior defeito de Lula é sua eterna luta contra a Língua Portuguesa e sobre esse argumento infantil empurram e resguardam o mito à sua condição de vítima. Não, não penso que deva ser por ai . Quisera Luis Inácio da Silva, o Lula, continuasse a omitir seus plurais e retornasse a seu discurso pré-governo olhando o povo de uma forma singular. Desculpem : não sou cego. Desculpem: não sou surdo. Acreditem : estamos numa arapuca. Acabou a farsa. Dêem-me um pouco de verdade. Lula? Alckmin? É , vivemos mesmo “ num tempo sem sol”.
“ Aos Que Virão Depois De Nós
Eu vivo num tempo sem sol. Uma linguagem sem malícia é sinal de estupidez, uma testa sem rugas é sinal de indiferença. Aquele que ri ainda não recebeu a terrível notícia. Que tempos são esses, quando falar sobre árvores é quase um crime, pois significa silenciar sobre tanta injustiça! Aquele que cruza tranqüilamente a rua já está então inacessível aos amigos que se encontram necessitados? É verdade: eu ainda ganho o bastante para viver , mas acreditem: é por acaso. Nada do que eu faço me dá o direito de comer quando eu tenho fome. Por acaso eu estou sendo poupado ( se a minha sorte me deixa, estou perdido). Me dizem: come e bebe! Fica feliz por teres o que tens! Mas como é que eu posso comer e beber se a comida que eu como , eu tiro de quem tem fome? Se o copo de água que eu bebo, faz falta a quem tem sede? Mas apesar disso, eu continuo comendo e bebendo. Eu queria ser um sábio. Nos livros antigos está escrito o que é a sabedoria: se manter afastado dos problemas do mundo e sem medo, passar o tempo que se tem para viver na terra; seguir seu caminho sem violência, pagar o mal com o bem, não satisfazer os desejos, mas esquecê-los. Sabedoria é isso! Mas eu não consigo agir assim. É verdade , eu vivo num tempo sem sol! Eu vim para a cidade no tempo da desordem, quando a fome reinava. Eu vim para o convívio dos homens no tempo da revolta e me revoltei ao lado deles. Assim se passou o tempo que me foi dado viver sobre a terra. Eu comi o meu pão no meio das batalhas, para dormir eu me deitei entre os assassinos. Fiz amor sem muita atenção e não tive paciência com a natureza . Assim se passou o tempo que me foi dado viver sobre a terra. Vocês, que vão emergir das ondas em que nós perecemos, pensem, quando falarem das nossas fraquezas, nos tempos sem sol de que vocês tiveram a sorte de escapar. Nós existíamos através das lutas de classe, mudando mais seguido de país do que de sapatos, desesperados, quando só havia injustiça e não havia revolta. Nós sabemos: o ódio contra a baixeza também endurece os rostos! A cólera contra a injustiça faz a voz ficar rouca. Infelizmente, nós, que queríamos preparar o terreno para a amizade não pudemos ser, nós mesmos, bons amigos. Mas vocês, quando chegar o tempo em que o homem seja amigo do homem, pensem em nós com um pouco de compreensão.” ( Bertold Brecht)
E o vozão ganhou mais uma ontem. Apenas 1 X 0 no "Seu" Raimundo, mas, o suficiente para chegar aos 40 pontos e tornar a possibilidade de rebaixamento tão remota quanto a de eu me tornar flamenguista.... ou coisa pior, se é que me entendem. E continuo fazendo as contas para a primeirona.
Pelo transatlântico de gols perdidos, Reinaldo Aleluia fica temporariamente rebaixado a Reinaldo "Ave Maria". Escrito por VT às 16h21
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Ainda a tragédia
O meu amigo e colega Glauco Kleming abordou-me no corredor do hospital para lembrar-me que o controle de tráfego aéreo do Cindacta não poderia ter feito nada para desviar os aviões pois não sabia aonde o Legacy estava exatamente. Esta explicação foi amplamente divulgada na imprensa pelas autoridades. No entanto, eu ainda estou à espera de alguém que me convença que radares moderníssimos dependam totalmente do sinal do transponder para localizar uma aeronave. Se assim for, qualquer aeronave estrangeira pode invadir o espaço aéreo brasileiro e flanar pelo nosso céu sem ser notada. Basta desligar a geringonça. À propósito: bombardeiros e caças ligam o transponder em suas missões militares? Escrito por VT às 14h08
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Respondendo à leitora ClaraBeauty:
Resolvi criar este blog para aliviar o incontrolável farnesim de escrever.
Látego: correia ou corda própria para açoitar, chicote, açoite, azorrague (Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, 1ª edição, 2001).
Confira os objetivos d'O Látego no meu primeiro "post", o de boas vindas, em mensagens anteriores logo aí ao lado. Escrito por VT às 12h21
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Novo buscador
O Blog do Renato Cruz, via Antena Paranóica, dá uma dica de um divertido buscador. Lançamento da Microsoft e, ao mesmo tempo, inteligente, não é incrível? Como é notório, as invenções da Microsoft não primam por esta qualidade. Enfim, basta digitar a palavra em questão que uma bela e antipática morena te dá os links e, ainda por cima, interage com o internauta. Por exemplo: se você demorar, ela faz cara feia, bate no monitor, faz mugangos and so on. Atenção: ele só funciona no Internet Explorer e se você tiver o Macromedia Flash Player instalado. Por um azar, o meu IE anda travando. Também, é exigir demais do Bill. O link está colocado logo à direita. Escrito por VT às 01h04
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Taberna Portuguesa
No último sábado fui à Guaramiranga e tive o sublime prazer de degustar mais uma vez o bacalhau da Rosely na Taberna Portuguesa. Não quero nem lembrar daquele Zé do Pipo que é pra não me emocionar de novo. Dica: ele sempre fica mais delicioso depois de procurar e encontrar o local onde a Rosely abancou o estabelecimento a cada vez que se deseja ir lá.
Anseio pelo término desta maldita campanha eleitoral para que parem de entupir a minha caixa postal e o meu saco com mensagenzinhas imbecis e preconceituosas falando mal do dedo do Lula, da voz do Lula, do português do Lula, da língua presa do Lula, dos porres do Lula (como se muitos desses hipócritas já não tivessem saído do bar diretamente para o camburão do lixo), etc, etc, etc... É um alívio saber que o presidente nunca foi operado de hemorróidas! Escrito por VT às 23h07
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O Chuchu, o Companheiro e a Gramática
Não gosto muito de assistir debates. Do meio para o fim sempre acaba batendo-me um tédio só igualado quando passo mais de cinco minutos assistindo partidas de vôlei ou de tênis na televisão. Sem querer, acabei encontrando a metáfora adequada para o bate-rebate das argumentações, nem sempre sinceras, dos candidatos. Por este motivo, não assisti ao primeiro debate entre os dois candidatos presidenciais promovido pela TV Bandeirantes. Mas, devido ao interesse geral crescente, inclusive de minha parte, não pude me furtar a assistir ao de hoje no SBT. A julgar pelos diversos comentários que li e escutei sobre a primeira contenda, me parece que, no bate-boca educado de hoje, Lula conseguiu sair-se melhor apesar de um início meio inseguro. Alckmin, ao contrário, depois dos 15 minutos iniciais, aparentou ter esgotado todo o seu catálogo de variações possíveis sobre três ou quatro frases feitas. Sem falar que voltou a ser o chuchu de sempre. E foi aí que a personalidade mais desenrolada do Lula tomou conta do jogo. Eu sempre tenho a impressão que o candidato pessedebista está mais para professor de catecismo do que para político. Temo que, a qualquer momento, com o seu jeitão Opus Dei de ser, ele vai acabar impostando as mãos sobre o candidato Lula para expulsar o “demo” do recinto. Há, ainda, aqueles, como o jornalista Nirlando Beirão, que pintam o seu estilo como o de um político da República Velha, sem tirar nem pôr.
Mas, vamos ao que interessa. O grande problema dos tucanos é a sua limitada capacidade de argumentação frente aos melhores resultados da administração petista quando comparada com a do sociólogo. Desta forma, o discurso pessedebista acabou virando uma enorme metonímia, aquela da parte pelo todo. Ou seja, eles tomam um mau resultado isolado para condenar todo o resto, qualquer que seja a área. Esquecem-se, no entanto, dos efeitos devastadores de outra figura de linguagem: a ironia. Assim, quando menos esperam, os defeitos que eles atribuem ao governo petista recaem sobre o seu cinismo na forma de espeto a cutucar-lhes o imenso rabo preso na incompetência e nas malfeitorias do governo FHC.
Deixo, então, uma sugestão ao tucanos. A se confirmar a vitória de Lula neste pleito, que eles deixem os caríssimos publicitários de lado e entreguem a próxima campanha a um prosaico professor de Gramática. Assim, eles melhoram o discurso e aprendem a valorizar o que foi tão desprezado na octaetéride do príncipe. Se não souberem onde procurar, perguntem ao mais novo aliado, o Cristovam. Só não pode é perguntar pro companheiro.
Um tema a ser enfrentado pelo próximo governo, independentemente de ser petista ou pessedebista, é o da autonomia do nosso patriótico Banco Central. Talvez até pela aridez do assunto, este tem passado ao largo dos debates e do interesse do eleitorado. Os neoliberais e a sua imprensa, dita “sensata”, apologética da “mudernidade”, defendem esta idéia com a ferocidade de hunos à galope. Dizem eles que somente um BC autônomo pode decidir livremente, sem a influência nociva da política, garantindo, assim a longevidade dos fundamentos econômicos virtuosos sem os quais nenhuma nação pode trilhar o caminho do paraíso econômico. Eu tenho minhas dúvidas. Não sou dado a profissões de fé às custas do sacrifício da sociedade. Principalmente porque acredito que tal argumento escamoteia a intenção real qual seja a de resguardar a diretoria do BC da pressão da sociedade a se organizar cada vez mais e melhor. Recorro, então, ao parágrafo único do artigo primeiro da Constituição desta nossa República Federativa que reza:
“Todo o poder EMANA do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.”
Portanto, a autonomia do BC implica em colocar a diretoria de uma das instituições mais importantes do poder federal resguardada daquela salutar emanação democrática proveniente da vontade dos cidadãos quando chamados a manifestar-se através do voto. Seria a criação de um colegiado de sátrapas governando a nossa economia sem nenhum liame a subordiná-los ao poder legitimado nas urnas. Enfim, veríamos o advento de um quarto poder, não eleito, inconstitucional e, portanto, ilegítimo.
Porém, mesmo os antigos sátrapas da Pérsia deviam obediência ao rei. Já os nossos diligentes diretores do BC respondem apenas aos estímulos dolorosos (para nós) dos senhores do mercado e, para tanto, empenham-se em proporcionar-lhes um ambiente econômico-financeiro adequado aos negócios independentemente das legítimas demandas da nação. Tal empenho “ecológico” é assegurado pela formação destes senhores, quase toda proveniente de instituições estrangeiras, principalmente americanas, de onde saem com as cabecinhas doutrinadas nos mais severos cânones do Consenso de Washington. Tais tecnocratas insensíveis, com a sua fixação fetichista por gráficos e planilhas, atuam totalmente desligados do país real e não pensam nas conseqüências desastrosas das suas decisões senão como meros e banais efeitos colaterais a serem suportados por uma população martirizada e sempre à espera do prometido Valhala econômico. Aiatolás são mais sinceros quando prometem o paraíso com doze virgens para cada um dos seus mártires. Ou, Roberto Carlos, ao prometer o o céu à sua amada em juras enamoradas.
Não creio que a mediocridade da mídia nacional seja apenas uma questão técnica. Não vejo nenhum problema em determinado veículo ser lulista e outro, tucano. Como afirmei em um "post" anterior, a ninguém é dada a possibilidade de se livrar dos seus vieses e idiossincrasias. Todos têm o direito de interpretar os fatos e emitir as suas opiniões de acordo com as suas predisposições. A questão resume-se, apenas, na palavra HONESTIDADE, tão rafefeita nos jornalões, revistonas e tvzonas cujos donos agem como cafetinas a comandar penas prostituídas. Os métodos são condicionados pelas intenções. Trata-se, na verdade, da defesa de interesses ilegítimos e que não condizem com os da maior parte da nação. "Doença" para a qual o Código penal tem os seus "remédios". Escrito por VT às 23h17
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Respondendo ao visitante Nei Plawiak
Você tem razão, o jogo político é sujo e grande parte da imprensa participa dele entusiasticamente. Porém, nós, cidadãos, não podemos simplesmente nos conformar com esta situação. Temos que denunciá-la sempre e cobrar mais ética (eita, palavrinha danada!) e honestidade dos órgãos de comunicação, afinal de contas, o mau jornalismo é o arrimo da má política. Escrito por VT às 22h27
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Pra que (ou a quem) serve a liberdade de imprensa?
A revista Carta Capital traz, nesta semana, uma reportagem sobre o escamoteamento de informações importantes sobre o episódio da divulgação das fotos do dinheiro que supostamente serviria para a compra do tal dossiê incrimando a gestão tucana no Ministério da Saúde no Caso dos Sanguessugas. Os repórteres Lílian Cristofoletti (Folha), Paulo Baraldi (Estadão), Tatiana Farah (O Globo) e André Guilhermo (Jovem Pan) gravaram, às escondidas, a conversa com o tal delegado Bruno da Polícia Federal que, ao entregar-lhes o CD com as fotos, afirmou peremptoriamente:
“estas fotos tem de aparecer esta noite no Jornal Nacional. Não se preocupem, aos meus superiores direi que vocês roubaram de mim”. E assim foi feito.
As fotos foram exibidas na televisão e na internet no mesmo dia 29/09, ainda a tempo de influenciar a votação do primeiro turno. Mas, e a gravação? Neres de neres.Tornou-se a mais nova desaparecida política no Brasil. Meio que tardiamente, é vero. O Jornal Nacional do mesmo dia chegou ao extremo de relegar o desaparecimento do avião da Gol, ocorrido no mesmo dia, à “sessão de achados e perdidos”. Encontrado o dinheiro do PT, quem quer saber de um “aviãozinho” perdido no meio da mata amazônica com “apenas” 154 pessoas à bordo?
Agora, pergunto eu: pra que foi mesmo que a Globo e toda a grande mídia terçou armas contra o PL 3.985 / 2004 que criaria o Conselho Federal de Jornalismo???? Aaaahhh, lembrei!!! Pela (rufem os tambores, toquem os clarins...) sacrossanta LIBERDADE DE IMPRENSA!!!! Ou seja, a liberdade de não informar adequadamente, de escamotear informações conforme as conveniências eleitoreiras ou não, de deturpar os fatos e de influenciar eleições!
Bom, se bem me lembro, os aloprados do PT foram presos e respondem a processo pelo crime de tentar comprar um dossiê para fazer a cabeça dos eleitores contra os candidatos tucanos Serra e Alckmin. O crime está configurado, não na compra do tal dossiê per si, mas, na intenção de inspirar no eleitorado a desconfiança contra os candidatos pessedebistas e, conseqüentemente, alterar o resultado eleitoral. Se assim é, não teriam os tais repórteres, o tal delegado e os veículos comunicação supracitados incorrido no mesmo crime?
De tanto falar em ética, moral e honestidade e diante da disparada de Lula nas pesquisas, o candidato Alckmin ainda vai acabar aparecendo de batina na propaganda. Mas, ainda assim, vai dar pra ver os pés de bode por baixo das vestes... Escrito por VT às 20h32
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Populismo
A oposição conservadora e os sabujos da imprensa insistem em classificar de populistas as políticas socias do Governo Lula, principalmente, o Bolsa Família. Engraçado, eu não consigo recordar de nenhuma política mais populista, em tempos recentes, do que a desastrosa política cambial da primeira quadra fernandista (1995-1999), quando o governo pessedebista-pefelista e o Banco Central sustentaram, irresponsavelmente, a paridade, para eleitor ver, do real com o dólar, levando o país à bancarrota pouco antes das eleições presidenciais de 1998. Isto aqui só não virou uma Argentina por causa da mãozinha fraternal do FMI que salvou a reeleição do príncipe com um emprestimozinho de... coisinha à toa... U$ 41 bilhões.
Até agora, as investigações sobre a tragédia do vôo 1907 apontam para o erro dos pilotos do Legacy que não seguiram o plano de vôo e, portanto, não deveriam estar naquela altitude em rota de colisão com o avião da Gol. No entanto, ainda persiste uma dúvida: se os controladores do Cindacta não conseguiram fazer contato com os pilotos do jatinho, por que não alertaram os pilotos do Boeing sobre o perigo iminente? A explicação oficial ainda não me convenceu. Dizem os oficiais da Aeronáutica que o procedimento padrão (protocolar) é não alterar a rota do avião que estiver seguindo o seu curso normal (de acordo com o plano de vôo). Então, estão querendo nos convencer que o nosso caríssimo sistema de monitorização e controle de tráfego aéreo, que cobre todo o território nacional, é incapaz de encontrar um lugarzinho na imensidão do espaço para um jato com 154 pessoas a bordo poder se esquivar de outro avião vindo ao seu encontro? Até o momento, a imprensa, talvez por pruridos patrióticos, engole caninamente esta explicação. Porém, penso que tem algo de muito errado nesta história. Nossas autoridades aeronáuticas continuam devendo à opinião pública e, principalmente, às famílias das vítimas, uma explicação lógica e coerente para a falta de iniciativa dos funcionários dos dois centros de controle de tráfego aéreo (o de Brasília e o de Manaus). Protocolos são muito bons para diminuir a possibilidade de erro humano em situações de rotina ou de complicações previsíveis. No entanto, seguir protocolos de forma tão radical acaba por desumanizar excessivamente as ações e pode resultar em tragédias como esta, pois, não raramente, os mesmos falham em situações limite e aí é que devem entrar o raciocínio e a iniciativa individual. Ou seja, a velha, indispensável e humaníssima presença de espírito.
Para quem gosta de livros e adora vasculhar sebos, recomendo o site da Estante Virtual
Trata-se de uma central que, na última contagem, já reúne mais de trezentos sebos espalhados pelo país. Aquele livro que você procura há tanto tempo pode ser facilmente encontrado. É só se cadastrar gratuitamente e fornecer as características do livro desejado: título, autor, editora, edição, etc. Quanto mais informações você der melhor. Eu, por exemplo, já consegui encontrar dois livros tão difíceis de achar que nem apelando para o baralho eu tive êxito. O link está colocado à direita desta página. Escrito por VT às 22h04
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Pra frente é que se anda...
E o Vozão empatou com o Marília: 3 a 3. Como a terceirona já me parece tão distante no passado quanto o cerco de Stalingrado, começo a fazer as contas para a primeira divisão. Escrito por VT às 21h39
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Heloísa chorou...
Tome o título deste artigo. Adicione a melodia do samba de priscas eras “Madureira chorou” (Madureira chorou, Madureira chorou de dor...). Temos, então, a metáfora musical perfeita para o fim da performance histriônico-eleitoral da Senadora Heloísa Helena: SAMBA. E porque Heloísa sambou, quer dizer, chorou? Por causa do precoce fim do seu partido a esgueirar-se no rastro de estupenda derrocada eleitoral? Pelo arrebatamento do palco onde ela desfilava os seus dotes de porta-bandeira das maquinações pessedebistas-pefelistas no sambódromo das CPI’s? Pela provável reeleição do seu desafeto barbudo? Por tudo isto, talvez, mas, também pela divulgação na internet de uma falsa capa da revista Playboy com o seu rosto em corpo de modelo desnudada. E, para tornar a maldade ainda mais completa, o seu autor ainda teve o requinte provocativo de fazer uma referência aos talentos do ex-senador Luiz Estevão no ramo do “banditismo político entre quatro paredes”. Foi, então, que o cão saiu da garrafa no plenário. A Senadora berrou, debulhou-se em lágrimas, esperneou e só se acalmou após a denodada intervenção dos seus colegas.
"Eu sei o que estou passando, recebendo cartas de gente do PT porque não declarei apoio ao vagabundo do presidente. Eu sou uma mulher digna, não é a primeira vez que isso acontece comigo. Sou uma mãe de família exemplar", desabafou.E acrescentou: "Só se eu fosse uma mulher vagabunda, uma mãe vagabunda para olhar para uma montagem horrorosa como aquela, como se eu estivesse nua na capa da Playboy e eu me achar bonitinha".
Acontece que ela ficou mesmo bonitinha. E, afinal de contas, o que ela queria? Se ela resolver ranger os dentes a cada vez que aparecer na mídia como paródia, terá que trocar a dentadura logo, logo. Isto nada mais é do que um dos efeitos colaterais da superexposição. Ela não sabia (oops!)? Se a mídia é ótima na promoção de nulidades artísticas ou políticas, é ainda melhor na exploração das suas criações. Que o digam os modelos e artistas de quinta que fazem tudo por uma imagem “bem apresentada”. Nem que seja exibindo as suas peripécias sexuais na praia.
A revolta da Senadora e a sua diatribe digna do estatuto do Clube da Lanterna revelam uma das naturezas da distinta: tacanhez.
Dentro do conjunto partidário brasileiro apenas duas legendas têm projetos para este país que merecem ser levados à sério: PT e PSDB. O primeiro, crente da importância fundamental do estado na implementação de políticas desenvolvimentistas e sociais. O segundo, evangelizador das delícias do estado mínimo, da desregulamentação e das forças da iniciativa privada e do investimento estrangeiro na impulsão do crescimento pátrio. Qual dos dois projetos é o mais apto a nos encaminhar ao paraíso do desenvolvimento e da justiça social? Particularmente, eu acredito mais no primeiro, pelo menos numa fase inicial. Mas, não é esta a discussão que interessa para os fins deste artigo. O que é importante notar é que as cúpulas das duas agremiações políticas têm as suas raízes firmemente implantadas em duas elites paulistas. O PT na elite sindical e o PSDB na elite empresarial. Daí que a visão de país deste pessoal é fortemente enviesada pelas suas perspectivas.
Será que Aécio Neves teria sido um candidato mais apto a derrotar Lula nestas eleições? Desde que o PSDB foi fundado, todos os seus candidatos à Presidência foram ligados à política paulista (Mário Covas, FHC I, FHC II, Serra e Alckmin). E agora, a imprensa já fala novamente no Serra como candidato em 2010. Uma das principais razões da minha má vontade com este partido é a mão de ferro que a sua cúpula paulista impõe à política do partido em nível nacional. O alinhamento pessedebista com os mais retrógrados segmentos do PFL e da política nordestina é resultado das opções impostas por estas lideranças (na verdade, retrocesso e PFL já são quase sinônimos). E ainda, o deslocamento do partido para a direita é resultado desta paulistização à tripa forra. Haveria, portanto, um ganho óbvio para este partido em caso de derrota neste pleito presidencial. Nada menos do que o enfraquecimento destas lideranças e, talvez, a aragem do partido com a assunção de novos líderes, assomados de outras regiões e que poderão, quem sabe, abrir o partido para novas idéias e tangê-lo novamente para o centro-esquerda conforme a concepção original dos seus fundadores. Seria uma espécie de PSDB com natas, mais palatável. Se bem que eu preferiria ao Zé do Pipo.
Quanto ao PT, já são mais do que notórios os estragos que a sua cúpula sindical paulista fez ao partido, desde a mudança de programa em 2002 até os casos de corrupção. E o raciocínio é o mesmo usado para os tucanos: o torniquete sobre os demais segmentos representativos das outras regiões do país. O desgaste da imagem do partido foi conseqüência direta desta situação. A diáspora de quadros importantes também.O que fizeram com a Luiziane Lins aqui em Fortaleza, em 2004, foi imoral. Novamente, espero que o fim da corrida presidencial e o desgaste e a perda de influência da corriola paulista marquem o início de uma nova era para o PT. Uma era de democracia mais radical, sem propensões stalinistas e aberto aos humores e demandas dos seus militantes sinceros espraiados por todo este país.
Por um premente dever de honestidade, esclareço que este blog apoia a candidatura do Sr. Luiz Inácio Lula da Silva nesta eleição presidencial. Antes, que os patrulheiros das idéias feitas comecem a ranger os dentes, lembro que nem o Altíssimo escapou de um viés, moralista, no caso, ao defenestrar o casal original do Éden naquele episódio da maçã sem dar ouvidos à desculpa esfarrapada de que era para combater o colesterol. Como nesta época não haviam ainda pessedebistas e petistas, Adão e Eva não tiverem sequer o direito de defender-se numa rala cpisinha. Mas, já devia existir algum anjo azul falso moralista a esgoelar-se pela origem da tal rosácea.
Não acredito em imparcialidade. Os nosso vieses ficam sempre impressos em tudo aquilo que dizemos e escrevemos. Se não nas linhas, pelo menos, nas entrelinhas. Portanto, para poupar tempo aos eventuais leitores e dar-lhes uma medida correta daquilo que aqui for postado, é que presto estes esclarecimentos.
Só agora me veio à lembrança a cor desta página. Ao me decidir por ela, o sufrágio presidencial não estava nos meus pensamentos. Terá agido aí algum viés??? Escrito por VT às 23h51
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Boas Vindas
Látego: correia ou corda própria para açoitar, chicote, açoite, azorrague (Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, 1ª edição, 2001).
Hoje evoco o espírito do imortal Dias Gomes para tomar-lhe emprestada uma expressão e dizer que estou com a alma "lavada e enxaguada" por inaugurar este blog. Ainda estou tentando configurá-lo e, se pessoal do UOL conseguir fazer o sistema funcionar direito, espero terminar a tarefa ainda nesta encarnação. Depois disso só com a ajuda de algum médium mais à mão. Bom, como neste momento ocorre-me à mente uma profunda reflexão sobre a volatilidade da vida e porque não tenho paciência mesmo, decido colocá-lo no ar deste jeito. Portanto, com a casa ainda em construção, sejam bem vindos, entrem, não reparem na desarrumação e fiquem à vontade.
Este blog destina-se à apreciação de fatos e ocorrências presentes e passadas, quem sabe até futuras, que têm influência nas nossas vidas, direta ou indiretamente. Além disso, como o nome da página sugere, é também um espaço para rir e chicotear o mau gosto, as imbecilidades, a vilanias e outros vilipêndios que infestam o mundo e estes trópicos "del sur". A mídia, aqui, terá uma atenção toda especial. Mas, há ainda espaço para a beleza, a arte, a ciência, o cinema, o futebol e tudo aquilo que nos permite também dar amanho à esperança na regeneração do gênero humano.
Espero a generosidade da sua leitura e a colaboração da sua crítica, boa ou ruim. No último caso, para que eu me emende. Enfim, desde que a interatividade foi inaugurada por Adão e Eva em tempos paradisíacos, ela tem cumprido também a ordem divina e se multiplicado nas mais variadas formas, guiando a humanidade na construção da civilização com tudo o que ela tem de bom e de ruim. Por isso, podem comentar, criticar, meter o pau (atenção, Ricardo Ayres!). É direito de vocês e eu vou apreciar bastante desde que a inarredável regra da boa educação seja obedecida. Este será o único parâmetro de censura para os comentários dos leitores que tiverem paciência para ler os textos. Aos mal educados a porta da rua é a serventia da casa. Tentarei, na medida do possível, responder àqueles mais pertinentes ou interessantes.
Finalmente, que a vida deste blog seja longa (e a do seu dono também...) e que ele possa colaborar, ainda que muito discretamente, com os muitos debates que assomam às nossas existências. E que as abordagens aqui postadas sejam dignas das inteligências do seus muitos (ai, ai...) leitores. Assim espero.