O LÁTEGO


Um aviso

Aos que ainda não o conhecem, vou logo pregando aviso: este é um blog de maus conselhos. Qual o problema? A Bíblia apregoa maus costumes há 1500 anos e ninguém reclama!

 

 



Escrito por VT às 21h59
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A evolução da fome

 

Tenho agora, por hábito, comparecer todo sábado à tarde a animado convescote etílico-gastronômico no Carneiro do Ordones onde reunimos o que o amigo Agenor (ou terá sido o Ribamar?) convencionou chamar de “O Politburo do Rock”. Ora, o amigo alvinegro Ordones há muito ganhou fama na cidade por minar insidiosamente o nosso aparato metabólico, arduamente imposto em 2,5 milhões de anos de evolução humana, com os seus prazerosos pratos baseados na temida carne vermelha. Coisa de comunista. Pra quem não entendeu, explico no próximo parágrafo.

 

A história da evolução da vida animal na Terra, particularmente da evolução humana, é a história da fome. Ou seja: o bicho tinha que andar, nadar, voar ou correr muito, frequentemente dias a fio, para obter comida. E, quando conseguia algum pasto, tinha que comer o máximo possível, pois não tinha como saber quando poderia se refestelar de novo. Dado o rigor extremo das circunstâncias naturais, a seleção natural fez evoluir todo o aparato bioquímico das nossas células para se adaptar ao jejum prolongado. À rarefação calórica. À fome mesmo. Por isso que os grevistas de fome se arrastam por semanas nas manchetes de jornal. Duvido que alguém consiga fazer greve de água ou de oxigênio. Ao contrário da escassez desses dois elementos, a fome demora demasiadamente para matar. Tal penúria alimentar natural existiu na história humana, pelo menos no lado ocidental da civilização, até coisa de 200, 250 anos atrás.  Nesses últimos dois séculos e meio, o desenvolvimento das técnicas de agricultura intensiva aliado à Revolução Industrial passou a disponibilizar fartura de comida a uma boa parte da população humana. Ora, de repente uma parte da humanidade passou a ingerir diariamente calorias em exagero na hora que bem entendesse. Não precisava mais se matar para sobreviver. De início, essa nova situação teve um impacto positivo no tempo médio de vida dos setores humanos bem aquinhoados. Porém, a coisa logo encrespou, pois, na medida em que viviam mais, as pessoas comiam muito mais, em quantidades para as quais o dito aparato bioquímico celular não estava adaptado. As nossas células são bastante competentes para lidar com a falta de comida, mas, extremamente inaptas frente ao excesso calórico. Expostas a tal condição, a única providência que podem tomar é acumular gordura. Gordura sob a pele, gordura no fígado e, pior ainda, gordura nas artérias. Abundância de gordura corporal em conluio com outra consequência danosa da hiperalimentação crônica, o excesso de glicose no sangue, leva à grande maioria das doenças que estão no topo das causas de morte do homem moderno: hipertensão arterial, diabetes mellitus, arteriosclerose, acidente vascular cerebral, insuficiência renal crônica e, até mesmo, vários tipos de câncer.

 

Diante do exposto, sempre que me vejo diante de uma belíssima peça de picanha seja de boi, de carneiro ou de porco da lavra do talentoso Ordones, não deixo de sentir um fugaz desconforto na consciência por desconsiderar as agruras sofridas por algum tataravô Australopithecus, expondo-me ao risco de adoecer grevemente. Desconforto logo aliviado pela sensação de estar contribuindo, com o meu sacrifício metabólico, para a lida da seleção natural, aperfeiçoando os mecanismos celulares, para que, algum dia, milhões de anos à frente, algum tataraneto da minha linhagem possa enfrentar, de igual pra igual, um T-bone sem o risco de morrer ou de ficar demente. Os que não concordarem que passem fome.



Escrito por VT às 21h50
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I love you, baby ...

 

Com relação à mais essa confusão em que se vê envolvido o Time do Pici, existe um detalhe importantíssimo que está sendo esquecido pelos torcedores tricolores e pelos esclarecidíssimos profissionais da chamada crônica desportiva local: o STJD, assim como o STF, é um tribunal político. Ou seja: eles nem sempre pautam as suas decisões exclusivamente nas provas. No STJD, a decisão pode levar muito em conta as conveniências ou as "conveniências" de ocasião do futebol brasileiro e da CBF. No caso em questão, sabe-se que está havendo uma repercussão enorme na mídia nacional, nas redes sociais e já ocorre, inclusive, vazamento para sites esportivos estrangeiros com o risco de abalar o prestígio da CBF (e ainda mais o já abaladíssimo prestígio do seu presidente) como organizadora da Copa de 2014. Daí porque o fato do Galvão Bueno pedir apuração e punição exemplares para os envolvidos ser bastante significativo. A Rede Globo é uma das maiores intere$$adas nessa Copa e não vê com bons olhos a imagem de um futebol brasileiro bagunçado e corrupto perante os patrocinadore$. Como os times envolvidos e as suas respectivas federações têm pouca expressão em nível nacional, a CBF pode resolver posar de "moralizadora" e punir "exemplarmente" Fortaleza e CRB. Esperemos para ver no que vai dar.



Escrito por VT às 17h26
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Eu tenho medo do cidadão de bem!

Exemplo de cidadão de bem fazendo uso do seu direito constitucional de portar arma de fogo. E os outros que se lixem!



Escrito por VT às 20h35
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Ah, essa falta de inspiração!

Toda regra tem uma exceção, certo? Errado! Se esta frase é uma regra, ela também tem uma exceção que nada mais é do que uma regra que não tem exceção. Portanto, a regra acima desmente a si própria. Deu pra entender?



Escrito por VT às 00h14
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Tô esperando

E o cineasta Roman Polanski foi preso em Zurique, onde participaria de um festival de cinema, logo após desembarcar, por suposto crime de estupro cometido em 1978 nos EUA. E, quase um mês depois, continua preso! Gostaria muitíssimo de saber o que o ministro Gilmar Mendes teria a dizer sobre este gravíssimo atentado ao estado de direito.



Escrito por VT às 00h19
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Contra o irresponsável jornalismo de negócios

No último dia 14, o jornalista Luís Nassif comunicou em seu blog que a Editora Abril conseguiu vencer o primeiro round nos vários processos que move contra ele. Pois bem. Desde já este blog coloca-se ao lado do valente jornalista. Com a palavra, Luís Nassif:

Ao longo dessa longa noite dos celerados, a Abril lançou contra mim os ataques mais sórdidos que uma empresa de mídia organizada já endereçou contra qualquer pessoa. Escalou dois parajornalistas para ataques sistemáticos, que superaram qualquer nível de razoabilidade. Atacaram a mim, à minha família, ataques à minha vida profissional, à minha vida pessoal, em um nível só comparável ao das mais obscenas comunidades do Orkut.

Não me intimidaram.

Apelaram então para a indústria das ações judiciais – a mesma que a mídia vive criticando como ameaça à liberdade de imprensa. Cinco ações – quatro em nome de jornalistas da Veja, uma em nome da Abril – todas bancadas pela Abril e tocadas pelos mesmos advogados, sob silêncio total da mídia.

Não vou entrar no mérito da sentença do juiz, nem no valor estipulado.

Mas no final do ano fui procurado por um emissário pessoal de Roberto Civita propondo um acordo: retirariam as ações em troca de eu cessar as críticas e retirar as ações e o pedido de direito de resposta. A proposta foi feita em nome da “liberdade de imprensa”. Não aceitei. Em nome da liberdade de imprensa.

Podem vencer na Justiça graças ao poder financeiro que lhes permite abrir várias ações simultaneamente. Quatro ações que percam não os afetará. Uma que eu perca me afetará financeiramente, além dos custos de defesa contra as outras quatro.

Mas no campo jornalístico, perderam para um Blog e para a extraordinária solidariedade que recebi de blogueiros que sequer conhecia, de vocês, de tantos amigos jornalistas que me procuraram pessoalmente, sabendo que qualquer demonstração pública de solidariedade colocaria em risco seus empregos.

 

Clique aqui para acessar o dossiê  VEJA que Nassif publicou na net.



Escrito por VT às 20h54
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Cirque du soleil baiano



Escrito por VT às 09h21
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Michael Jackson e a nossa tragédia

Ainda nesta semana que passou, cedinho da manhã, encontro o Alexandre Karbage no restaurante do Hospital Monteklinikum. Para quem não sabe o afrobrasileirolibanês, além de excelente cardiologista, é um grande profissional do ramo do café da manhã. É sempre um deleite assistir o seu desempenho, a sua graciosidade e a sua leveza com as fatias de bolo, pão, mamão, queijos e torradas antes da faina diária. Pois bem. Enquanto lavávamos as mãos, ele vira para mim e descarrega a verdade irretorquível: “Michael Jackson era um diagnóstico clássico de esquizofrenia paranóide”. Ou seja, o sujeito era doido de pedra. Isso! Para mim, que nunca fui um fã do esquisito e serelepe cantor e dançarino afroalbinoamericano, embora lhe reconhecesse o talento, e, como muita gente, já desconfiasse do seu desequilíbrio mental, o ululante diagnóstico caiu na cabeça como a essência de todas as suas desventuras. Era óbvio demais: o que faltou para o infeliz foi um básico e prosaico diagnóstico. Afinal de contas, por exemplo, só nos compêndios de psiquiatria poderíamos encontrar o motivo de um sujeito chegar a dever mais de US$ 200.000,00 em uma única farmácia. Fosse em outros tempos ou fosse ele um Zé Ninguém, teria sido internado e recebido o tão necessário tratamento. E estaria vivo até hoje. Mas, como se tratava de “Michael Jackson, o Rei do Pop”, ou, por outra, “máquina de fazer dinheiro”, a coisa toda ficou como esquisitices. Pois é. Enquanto o ídolo pop americano consumia o seu talento e afundava cada vez mais na sua patologia mental, empresários, executivos de gravadoras, chefões de mídia, dermatologistas, cirurgiões plásticos, cineastas, o pai, o escambau, ganhavam dinheiro, muito dinheiro. Não importavam as suas manias, nem o que ele fazia com garotos imberbes entre lençóis. Era preciso sugar-lhe o talento e a sanidade em proveito da imbecil lógica do lucro permanente. Num mundo onde embustes são elevados à categoria de arte e em um tempo onde um tubarão formolizado é alegremente arrematado como “obra-prima” por US$ 12.000.000,00, uma celebridade internada e em tratamento médico não serve para vender jornais, revistas e discos e nem para cevar as audiências televisivas e os acessos à internet. De muito maior utilidade para tais fins é o artista bizarro distribuindo sandices e servindo de escárnio para o fastio doentio de um público sequioso de bizarrices. Enfim, a enésima tragédia de um popstar acaba por escancarar a grande e irremovível insanidade desses tempos modernos: o sacrifício de tudo o que é belo e humano em prol da futilidade e do vulgar dogma da usura  a qualquer custo. No final, perdemos todos.

Quanto ao Karbage, caso a cardiologia finde por não dar camisa, ele pode muito bem virar-se como psiquiatra. Sairíamos ganhando de qualquer forma.



Escrito por VT às 16h54
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The King

Clip do filme "Viva Las Vegas" (1964) - Elvis Presley e Ann-Margret - Música: "C´mon Everybody"



Escrito por VT às 18h32
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27 perguntas a Gilmar Mendes

 

 

 

 

 

 

O amigo e leitor Agenor Filho envia-me mensagem, que circula pela net, com 27 perguntas ao notório Ministro Gilmar Mendes:

 

1. O Sr. sabe algo sobre o assassinato de Andréa Paula Pedroso Wonsoski, jornalista que denunciou o seu irmão, Chico Mendes, por compra de votos em Diamantino, no Mato Grosso? 

2.Qual a natureza da sua participação na campanha eleitoral de Chico Mendes em 2000, quando o Sr. era advogado-geral da União? 

3.Qual a natureza da sua participação na campanha eleitoral de Chico Mendes em 2004, quando o Sr. já era ministro do Supremo Tribunal Federal? 

4.Quantas vezes o Sr. acompanhou ministros de Fernando Henrique Cardoso a Diamantino para inauguração de obras? 

5.O Sr. tem relações com o Grupo Bertin, condenado em novembro de 2007 por formação de cartel? Qual a natureza dessa relação? 

6.Quantos contratos sem licitação recebeu o Instituto Brasiliense de Direito Público, do qual o Sr. é acionista, durante o governo FHC? 

7.O Sr. considera ética a sanção, em primeiro de abril de 2002, de lei que autorizava a prefeitura de Diamantino a reverter o dinheiro pago em tributos pela Faculdade de Ciências Sociais e Aplicadas de Diamantino, da qual o Sr. é um dos donos, em descontos para os alunos? 

8.O Sr. tem alguma idéia por que, das mais de 30 ações impetradas contra o seu irmão ao longo dos anos,  nenhuma chegou sequer à primeira instância?

9.O sr. tem algo a dizer sobre a afirmação de Daniel Dantas de que só o preocupavam as primeiras instâncias da justiça, já que no STF ele teria "facilidades" ? 

10.O segundo habeas corpus que o Sr. concedeu a Daniel Dantas foi posterior à apresentação de um vídeo que documentava uma tentativa de suborno a um policial federal. O Sr. não considera uma ação continuada de flagrante de suborno uma obstrução da justiça que requer prisão preventiva? 

11.Sendo negativa a resposta, para que serve o artigo 312 do Código de Processo Penal, segundo a sua opinião? 

12.Por que o Sr. se empenhou no afastamento do Dr. Paulo Lacerda da ABIN? 

13.Por que o Sr. acusou a ABIN de grampeá-lo e até hoje não apresentou uma única prova? A presunção de inocência só vale em certos casos? 

14.Qual a resposta do Sr. à objeção de que o seu tratamento do caso Dantas contraria claramente a súmula
691 do próprio STF? 

15.O Sr. conhece alguma democracia no mundo em que a Suprema Corte legisle sobre o uso de algemas? 

16.O Sr. conhece alguma Suprema Corte do planeta que haja concedido à mesma pessoa dois habeas corpus em menos de 48 horas? 

17.Por que o Sr. disse que o deputado Raul Jungmann foi acusado"escandalosamente" antes que qualquer documentação fosse apresentada? 

18.O Sr. afirmou que iria chamar Lula "às falas". O Sr. acredita que essa é uma forma adequada de se dirigir ao Presidente da República? O Sr. conhece alguma democracia onde o Presidente da Suprema Corte chame o Presidente da República "às falas"? 

19.O Sr. tem alguma idéia por que a Desembargadora Suzana Camargo, depois de fazer uma acusação gravíssima, e sem provas, ao Juiz Fausto de Sanctis, pediu que “a esquecessem" ? 

20.É verdade que o Sr., quando era Advogado-Geral da União, depois de derrotado no Judiciário na questão da demarcação das terras indígenas, recomendou aos órgãos da administração que não cumprissem as decisões judiciais? 

21.Quais são as suas relações com o site Consultor Jurídico? O Sr. tem ciência das relações entre a empresa de consultoria Dublê, de propriedade de Márcio Chaer, com a BrT? 

22.É correta a informação publicada pela Revista Época, no dia 22/04/2002, na página 40, de que a chefia da então Advocacia Geral da União pagou R$ 32.400,00 ao Instituto Brasiliense de Direito Público, do qual o Sr. mesmo é um dos proprietários. para que seus subordinados lá fizessem cursos? O Sr. considera isso ético? 

23.O Sr. mantém a afirmação de que o sistema judiciário brasileiro é um "manicômio"? 

24.Por que o Sr. se opôs à investigação das contas de Paulo Maluf no exterior? 

25.Já apareceu alguma prova do grampo que o Sr. e o Senador Demóstenes Torres denunciaram? Não há nenhum áudio, nada? 

26. V.Exa. confirma ou desmente a informação abaixo?

Como Peru de Natal 

(Adriana Vandoni) O leitor que assina "To fora" me alertou para uma observação feita pelo jornalista Helio Fernandes, em sua coluna de hoje no jornal A Tribuna, que, se comprovada, é um acinte à moralidade do judiciário brasileiro. Mas um cometido pela mesma pessoa. Segundo o jornalista, o ministro Gilmar Mendes, presidente do STF, passou o natal na casa do advogado de Daniel Dantas. Ele termina seu artigo com a questão: "Passar o Natal na casa do advogado de Daniel Dantas, como fez o ministro Gilmar Mendes, é prova de "boa conduta?". 

Juridicamente até pode existir uma norma que legitime tal ato, afinal, nada mais normal que uma pessoa passar o natal na casa de amigos. Mas esta situação, se confirmada, é totalmente amoral. É um deboche à população brasileira. O comportamento deste ministro não chega a me escandalizar, seus atos são exatamente na medida do que eu esperava dele. 


27. V.Exa. em seus momentos de reflexão e humildade, se é que os tem, já se questionou sobre seus verdadeiros méritos para chegar ao honroso cargo de Ministro da mais alta corte de justiça do país? Se o Brasil inteiro sabe que lá chegou pela catapulta da amizade e do poder político ? 

 

Renato de la Rocha

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



Escrito por VT às 17h44
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Vale comete grossa injustiça I

O Látego une-se à campanha iniciada no Blog do Walmir em favor da comunidade Noiva do Cordeiro, em Minas Gerais, injustiçada pela Companhia Vale do Rio Doce. Ao que parece, para a Vale, consciência social só é útil como tema de agüadas campanhas na mídia para fazer média com a opinião pública.

 

Em ação incompreensível a Vale retirou o canal de satélite que permitia à comunidade Noiva do Cordeiro  ter acesso à internet.

Noiva do Cordeiro é o melhor exemplo de comunidade que eu conheço.

 

Há uma comunidade socialista no interior de Minas Gerais.

Chama-se Noiva do Cordeiro.

No fim do século XIX, a jovem Maria Senhorinha de Lima, nascida no povoado de Roças Novas, distrito de Belo Vale, casou com um descendente de franceses, Arthur Pierre. Infeliz no casamento, deixou o marido e foi morar com o moço Chico Fernandes no local onde acabou sendo criada a comunidade.

Aquela atitude deixou a população escandalizada e os poderes públicos e religiosos irados. Que direito tinha aquela mulher de abandonar o marido e juntar-se ao homem que amava e amou por toda a vida?  

E veio a revanche, a vingança.

Padre Jacinto – santo homem como era conhecido – excomungou-a e à sua descendência até a quarta geração.

Com a excomunhão veio a difamação.

Mesmo quando visitava os parentes, Chico Fernandes não podia dormir dentro da casa deles, era obrigado a dormir no paiol. Era um adúltero também.

Ainda assim, o casal seguiu sua vida, gerou filhos e filhos, fizeram larga descendência, e a comunidade cresceu.

Cresceu, mas o preconceito e o isolamento também cresceram junto. As mulheres, quando iam à cidade de Belo Vale, sede do distrito, eram chamadas de prostitutas. As crianças podiam freqüentar a escola, mas eram apartadas do convívio com outras crianças, ninguém falava com elas, de modo que muitas deixaram de se formar.

Por volta dos anos 1940, o pastor Anísio Pereira se apaixonou por uma das netas de Maria Senhorinha, a jovem Delina, casou-se com ela fundou a Igreja Evangélica Noiva de Cordeiro, que deu o nome do lugar.

Os preceitos dessa Igreja eram duros, restritivos, as mulheres não podiam usar maquiagem, não podiam cortar os cabelos, controlar a natalidade, música era proibida, tinham que usar vestidos compridos.

E havia o jejum. Obrigatório. Dois dias inteiros por semana. E uma hora de oração matinal todos os dias. Aquilo prejudicava o trabalho.

Apartados da fé católica, o preconceito crescia contra eles na cidade de Belo Vale e nos povoados vizinhos. Difícil para os homens conseguirem trabalho, ainda mais que eram limitados pelos dois dias semanais de jejum. Foi uma época longa de duras privações.

As mulheres da comunidade começaram a perceber que a Igreja não trazia tantos benefícios e que, pelo contrário, dificultava a vida e o sustento e, aos poucos, se afastavam dela.

Então uma das filhas de Delina e do pastor Anísio casou-se.

Para a festa do casamento exigiu música. Bateu o pé, queria porque queria.

Foi contratado um sanfoneiro.

Crianças que nunca tinham ouvido música na vida gostaram. Dançaram. Todos entraram naquele forrozinho.

A partir daí, a igreja definhou, até que foi derrubada; no seu lugar ergueram o bar da comunidade onde se reuniam para cantar, dançar, para se divertir.

Simbólico - no lugar da igreja opressora um espaço de convivência e alegrias.



Escrito por VT às 21h10
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Vale comete grossa injustiça II

Em ação incompreensível a Vale retirou o canal de satélite que permitia à comunidade Noiva do Cordeiro   ter acesso à internet.

Noiva do Cordeiro é o melhor exemplo de comunidade que eu conheço.

 

Excomungadas pela igreja católica derrubaram a igreja evangélica e passaram a viver uma vida sem religião – mas com muita fé em Deus -, sem dogmas e sem formalidades.

Namoram, casam.

Se uma jovem quer casar-se com véu e grinalda eles organizam tudo. Um veste-se de padre, outros fazem papel de padrinhos, encenam o casamento.

Se não, há uma cerimônia em que falam os pais, os amigos, os noivos e estão casados.

Se não querem mais continuar casados, separam-se.

“Aqui nunca houve traição”, me conta o Iran.

Pelo domingo, à tarde, fizeram brincadeira de “como é a música”. O Celso cantava a música e em certo momento parava. Era auxiliado por outro rapaz que ia passando as páginas onde estavam escritas as letras das músicas. Aí um grupo tinha de continuar, dizendo pelo menos uma seqüência exata de sete palavras que completavam a letra da música. Um grupo competia com outro. Pois o Celso, o que cantava – e têm bom equipamento de som – vai se casar com a Taninha. E o rapaz que o auxiliava fora casado com Taninha. Tivera com ela um garoto espoleta, o Marco Antônio, agora com oito anos. E todos se dando muito bem.

Onde uma coisa assim pode acontecer com naturalidade? Não sei de nenhum outro, a não ser lá.

Delina me disse: “Professor, aqui nunca tem discussão, não é briga não, discussão”. E penso que não tem mesmo. Nos dias que passei lá não ouvi um palavrão, uma palavra ríspida.

Pode parecer que exagero, eu mesmo, muitas vezes duvido do que vi. “Será que encenaram para mim?”.

“Não é possível”, penso depois. Cheguei lá de supetão, sem convite e, num instante estava à mesa com eles almoçando, um quarto preparado pra eu descansar, as conversas. Uma naturalidade estarrecedora.

Há inúmeros bebês, acredito que uns oito. Eu não conseguia saber quem era filho de quem. Todos cuidavam de todos. Só perguntando pra saber. E tanto quanto as mulheres os homens cuidam deles. Vão passando de mão em mão. Não choram. Minha mulher falou: “Acho que esses meninos são mudos. Eles não choram, não?”

Voltando:

Esta vida desligada dos dogmas das igrejas – e ainda assim profundamente religiosa - dificultou a integração com os outros povoados, com a sede do município. As mulheres eram consideradas prostitutas, mulheres perdidas, submetidas a constantes humilhações. Os homens casados com elas eram criticados, voltavam para casa humilhados, às vezes furiosos.



Escrito por VT às 21h10
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Vale comete grossa injustiça III

Em ação incompreensível a Vale retirou o canal de satélite que permitia à comunidade Noiva do Cordeiro   ter acesso à internet.

Noiva do Cordeiro é o melhor exemplo de comunidade que eu conheço.

 

Liderados por Delina, aquela jovem que se casara com o pastor Anísio, homens e mulheres da comunidade Noiva do Cordeiro suportaram os piores anos de exílio com paciência e trabalho, com solidariedade e, pouco a pouco, organizaram-se.

Tudo o que produzem é de todos. As terras, as casas, o produto do trabalho.

As mulheres dizem com orgulho que “somos nós”.

E dividem tudo entre si.

Eu e minha mulher levamos uns presentes da segunda vez que fomos lá.  Sorteamos. Uma delas recebeu um “kit  descanso”, travesseirinho que se põe sob a nuca e saquinho de cereais aromatizados que se põe sobre os olhos ao deitar. No dia seguinte ela levantou-se alegre e passou o kit a outra. “Hoje é sua vez de descansar com ele, Nelma.”

As roupas das crianças são lavadas, passadas, empilhadas. De um lado estão as roupas dos menores em sucessão de tamanhos até a roupa dos maiorzinhos. Nenhum deles tem a “sua” roupa. Até isto é dividido. Esta divisão prática e fraterna é, eu penso, um dos inícios da educação comunitária que está presente em tudo, a todo instante.

Uma parte dos homens mora na comunidade, outra parte trabalha em Belo Horizonte em algumas metalúrgicas e no Ceasa.

Vindos de uma cultura comunitária, criaram também sua comunidade em Belo Horizonte. Trata-se de uma casa no bairro Pindorama onde moram juntos.

Viajam segunda-feira para Belo Horizonte e voltam na sexta-feira para Noiva do Cordeiro.

Com os ganhos do trabalho em Belo Horizonte complementam a renda da comunidade.

Em Noiva do Cordeiro cada um faz a atividade que gosta, e faz bem. Escolhem entre fábrica de roupas, cozinha, limpeza, criação, horta, etc.

Só nas épocas de mutirão na roça todos se juntam.

Aí é uma festa de mulheres em maioria no plantio, capinas e colheita. Orgulham-se muito de suas roças.

O paiol vive repleto.

Contaram, mostraram: têm arroz ainda da safra de 2005. O excedente de milho e feijão é vendido.

Elas detestam sair de lá.

“Uma vez fui a Belo Horizonte. Entrei numa loja pra comprar e deixei minha carteira no balcão. Roubaram ela. Hoje, quando vou lá, ando agarrada com a minha bolsa na Avenida Afonso Pena com medo de ser roubada outra vez”.

Os novos casais constroem suas casas em volta da grande casa da comunidade.

Nesta casa todos se juntam para as refeições, para as diversões de teatro, advinhas, baralho, etc - para tomar decisões presididas por Delina, por sua filha Rosa – hoje vereadora eleita com os votos da comunidade – e pelo Iran, presidente da Associação Comunitária.



Escrito por VT às 21h09
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Vale comete grossa injustiça IV

Em ação incompreensível a Vale retirou o canal de satélite que permitia à comunidade Noiva do Cordeiro   ter acesso à internet.

Noiva do Cordeiro é o melhor exemplo de comunidade que eu conheço.

 

Em Noiva do Cordeiro há cinco grupos de teatro que eles, curiosamente, dividem em Romance, Drama e Comédia e fazem festival anual. Inventaram seu próprio teatro que começou para instruir atitudes e hoje se expandiu para reforço da história da comunidade, para a invenção cênica. Um teatro ingênuo, comovente e divertido que emociona a comunidade inteira dentro do grande salão da Casa da Comunidade.

As mulheres que conseguiram suplantar as humilhações e têm formação de segundo grau criaram uma escola. Nela, duas vezes por semana dão aulas para as que precisam. Mas as crianças, hoje, já freqüentam aulas da escola pública municipal no distrito de Roças Novas.

O preconceito vai sendo vencido.

É uma sociedade socialista e um matriarcado.

O professor Gil Amâncio que foi lá comigo da terceira vez disse: “Walmir, isso aqui só deu certo porque é comandado pelas mulheres”.

Pode ser. A liderança das mulheres é límpida, salta aos olhos, mas não diminui os homens que se integram a tudo com naturalidade.

Com a Associação Comunitária para correm atrás de recursos e lutam por seus direitos.

Conseguiram a primeira escola de informática do interior de Minas Gerais, através de convênio com o Governo Federal e com a Vale do Rio Doce.

Conseguiram equipamentos para a fábrica de roupas, trator, uma Kombi para transportes emergenciais.

Têm televisão fechada através de antena da Skay. Uma enorme TV de 40 polegadas no salão da Casa da Comunidade, têm carros, boas casas, conforto simples.

Mulheres e homens são bonitos, muito. As mulheres são muito vaidosas, pintam-se, vestem-se com apuro.

Se vocês as virem não irão acreditar que são lavradoras. Saiu uma foto delas na capa da revista da Emater, órgão de apoio do governo de Minas Gerais aos pequenos agricultores. Quem não souber olha e pensa: “contrataram umas modelos para fazer papel de lavradoras”.

A relação entre todos é inacreditável.

Fui surpreendido muitas vezes. Via uma mulher ou homem trabalhando e, de repente outra se aproximava, abraçava, fazia um carinho e voltava à sua tarefa.

E trabalham em bando, vivem em bando. 

Riem e se emocionam com uma facilidade perturbadora.

Fizeram um vídeo, eles mesmos – há um adolescente lá, fera em informáticas e toda sorte de bugigangas eletrônicas – contando a história/estória deles. Filmaram, ele editou no computador, colocou legendas pois o som é confuso. Já devem ter visto o vídeo centenas de vezes e todas as vezes riem e choram.

Vivem a vida de uma sociedade socialista criada na prática, sem nunca terem lido nenhum teórico, nem sabido dessas palavras – socialismo e comunismo – que abalaram o mundo. Não se isolaram da vida das outras pessoas, comunidades, cidades.

Não é comunidade fechada.

Não é comunidade unida por religião, nem é comunidade como a dos quilombos.

Tive vontade, ou melhor, pensei em levar lá o João Pedro Stédile, líder dos Sem Terra, para ele ver o que é, de verdade, uma prática comunitária, socialista ou comunista, seja que nome se queira dar.

Eles estão além de qualquer sociedade que eu conheço.

Fundam-se em cultura própria e em amorosidade.

Quando saio de lá eu penso: “o ser humano tem salvação”.

Voltando:

São praticamente auto-suficientes.

Se a Bovespa quebrar, se a crise econômica atual atingir picos intoleráveis para eles pouco vai mudar.

Bastam-se com seu trabalho. Continuarão tendo casa, comida na mesa e boa convivência.

As crianças são bem cuidadas, os adultos trabalham, os idosos não precisam de asilos. Vivem lá assistidos de uma forma comovente. Vivem em suas próprias casas e as mulheres se revezam: cada dia uma vai lá ficar com eles.

O vivente humano tem salvação.



Escrito por VT às 21h09
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Vale comete grossa injustiça V

Em ação incompreensível a Vale retirou o canal de satélite que permitia à comunidade Noiva do Cordeiro ter acesso à internet.

Noiva do Cordeiro é o melhor exemplo de comunidade que eu conheço.

 

Agora uma injustiça: a Companhia Vale do Rio Doce – a Vale - terminado o contrato em que, de parceria com o governo federal mantinha um canal de satélite aberto para Noiva do Cordeiro, simplesmente o desligou.

E Noiva do Cordeiro está sem internet.

Faço daqui um apelo a todos quantos possam interferir a favor deles.

Ao presidente Lula, ao governador Aécio, ao Ministro das Comunicações, ao meu amigo Fuad Nomam,  à Vale, à Rede Globo que, através da GNT fez um belo documentário sobre a comunidade, ao jornalista Luiz Nassif, ao Rovai, à Miriam Leitão, ao Mino, ao conterrâneo Idelber do Biscoito Fino.

Conto com os meus manos blogueiros de todo o Brasil: Jurandir, Mestre Aderaldo, Liliana, Lelena, Daniel Marques, Prof. Edilson, Srta. Roberta, Manuca do Delícia de Abacaxi de Recife, Vera do Serenade, Vinícius Tavares do Látego de Fortaleza, Antônio Claudino do Preto no Branco, Betina, Dayane, Adélia e tantos outros.

Apelo também aos meus leitores para que divulguem, apelem a autoridades, empresas.

Um Satélite a comunidade da Noiva do Cordeiro não pode conseguir por si.

E olha, rapaz, não são só eles que merecem e têm direito.

Somos nós, brasileiros, que temos o dever de ajudá-los.

Uma comunidade assim é patrimônio de todos.

Aquelas mulheres e homens foram exilados em sua gênese por uma excomunhão da igreja católica.. Não podem, agora, na época da inclusão digital, ser excomungados da internet pela Vale e por descuido dos nossos governos.

 



Escrito por VT às 21h08
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TV Câmara: Caso Protógenes-VEJA

No site da TV Câmara encontrei este interessante vídeo de um debate entre os jornalistas Leandro Fortes (Carta Capital) e Jailton de Carvalho (O Globo). De forma equilibrada e chamando à atenção alguns princípios do bom jornalismo, ambos questionam a qualidade, as motivações e o jogo de interesses envolvidos nas denúncias de supostas ilegalidades cometidas pela Polícia Federal e pela ABIN na Operação Satiagraha, nas tentativas de desmoralização do delegado Protógenes Queiroz, na CPI dos Grampos e no comportamento da imprensa, em geral.

Clique aqui para assistir.




Escrito por VT às 16h38
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Onde houver certeza que eu semeie a dúvida.

Pra ser sincero, de forma nenhuma me convence esse recente surto moralizador do senador pernambucano Jarbas Vasconcelos contra a corrupção enraizada no seu partido, o PMDB,  a horrorizar a mídia nacional, subitamente informada da existência da devassidão na vida política brasileira. É claro que só um demente para desconhecer a importante contribuição do PMDB na manutenção do fabuloso edifício de corrupção, clientelismo, fisiologismo e, acima de tudo, chantagem política do quadro partidário brasileiro. Mas, se levarmos em consideração que o senador é dos mais ativos prosélitos do apoio do seu partido ao governador paulista José Serra dentro daquela minoria peemedebista alcunhada de banda tucana e que, por esse mesmíssimo motivo, não anda lá muito prestigiado no PMDB e nem na política do seu estado, fica muito difícil ignorar o nauseabundo cheiro de oportunismo político a arrimar a sua atitude, bem como a ensurdecedora intenção de melar um possível apoio do partido ao candidato de Lula nas próximas eleições presidenciais. Ainda mais quando tal manifestação de indignação se utiliza das páginas da VEJA, revista de solertes antecedentes éticos e nítido viés político-partidário em quase tudo que publica. Assim, assomam na mente inarredáveis dúvidas: o honrado senador faria tal escarcéu se o PMDB apoiasse uma eventual candidatura ou um eventual governo de José Serra? Por que o mesmo não usou o trombone moralizador ao tempo do governo FHC quando o seu partido, já entrado em anos de práticas imorais, apoiava maciçamente o governo pessedebista? E o indispensável mea culpa por todos esses anos de conivência, onde está?



Escrito por VT às 12h44
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Clarinha cante o que voê quiser!

Juro que eu procuro ter a maior boa vontade com a Ivete Sangalo, mas aí eu lembro da Clara Nunes e vai tudo por água abaixo...



Escrito por VT às 20h49
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Para desmascarar a hipocrisia

 

Há quem diga que eu sou muito severo com os tucanos e com o papa. Ou que eu pego demais nos pés deles, às vezes até injustamente. Ora, ocorre que da mesma forma que eu não hesito em lançar chicotadas vocabulares no santo lombo sempre que eu perscruto os pés de bode por baixo da batina de Sua Santidade, não posso me furtar a desmascarar a farsa de um partido enormemente corrupto e incompetente, quando no poder, mas cujos membros e lideranças persistem a exibir-se como o creme da eficiência administrativa e da seriedade política ao mesmo tempo em que berram a todo instante um discurso pseudomoralista de intensas afetações udenistas. Tudo com o apoio despudorado dos acólitos da grande imprensa. Como essa turba agora deu pra torcer contra o país e anunciar diuturnamente a iminente e sempre adiada chegada do grosso da crise ao país, resolvi, aqui, de látego em punho, relembrar algumas gemas do genuíno currículo pessedebista. Os fatos:

Muita gente não lembra ou faz questão de esquecer que FHC, em seu primeiro mandato e ao contrário do que muitos apregoam, adotou uma política fiscal irresponsável, mantendo o real artificialmente valorizado ao mesmo tempo em que aumentava enormemente os gastos públicos e a carga tributária. Enquanto isso, a excelsa iniciativa privada comprava estatais com dinheiro público emprestado do BNDES a juros baixos. Tudo com intenções "reeleitoreiras". Deu no que deu. O país quebrou em 1998 e, para salvar a reeleição do príncipe, o FMI compareceu com US$ 41,5 bilhões divididos em parcelas. Será que algum leitor lembra aquela patética e vergonhosa entrevista coletiva, em Brasília e em fevereiro de 1999, quando o então diretor do fundo, Stanley Fischer, literalmente ditou as regras, em inglês, que o governo brasileiro deveria seguir para receber o restante de grana? Pedro Malan, sentado ao lado, calado estava e calado ficou. Assim como a maior parte da mídia.

Daí então, os "competentes" gerentes tucanos seguiram privatizando, desregulamentando, cortando gastos, fazendo rigorosamente tudo de acordo com os paradigmas do mais genuíno wishful thinking. Resolveram o problema? Claro que não! Em agosto de 2002 quebramos novamente e só não viramos uma Argentina porque veio de novo o FMI, desta vez com US$ 30 bilhões e outro catecismo prontamente apresentado a um por um dos candidatos a presidente no pleito daquele ano. Não era o caso de se louvar a generosidade do fundo com um país tão contumaz. Na verdade, tal desvelo devia-se unicamente ao enorme prejuízo já tomado pelos bancos americanos com a crise argentina. Sorte nossa e azar dos "hermanos" com os quais o FMI não teve o menor recato em levar ao pé da letra aquela história de relações carnais.

Nas relações externas, uma política de rococós e rapapés totalmente fútil e inútil, exceto para FHC pavonear-se enquanto colecionava títulos de Doutor Honoris Causa em universidades estrangeiras.

Quanto à corrupção, lembremos que Marcos Valério deu início à sua solerte atuação nos bastidores do governo tucano. Além disso, ao longo daquela octaetéride, a Polícia Federal foi mantida manietada e submetida a um jejum de verbas. Foi, ainda, o período de esplendor de Daniel Dantas, o corruptor-geral do país, cujo HD pode tornar imprescindível uma nova proclamação da república. E tem mais: em 2002, FHC, por motivos políticos (afinal de contas a candidata a vice de Serra era a capixaba Rita Camata) bloqueou a intervenção federal no governo do Espírito Santo, recomendada por unanimidade pelo Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH) para o combate eficaz ao crime organizado incrustado em todos os níveis de poder daquele estado. Tal atitude, digna de processo penal, levou à renúncia do então Ministro da Justiça, Miguel Reale Jr. O foro privilegiado foi outra invenção dos laboratórios tucanos para impedir que qualquer membro do governo FHC, incluindo o próprio, pudesse ser constrangido a responder processo diante de qualquer promotorzinho ou juizinho mais insolente de algum estado da federação. Por isso também um dos atos mais desastrosos do governo fernandista: a indicação do sinistro Gilmar Mendes para as bancas do Supremo Tribunal Federal.

A culpa pelo caos aéreo foi inteiramente jogada nas costas do governo Lula quando, na realidade, foi a conseqüência mais solar da desregulamentação do setor empreendida por FHC e seus comparsas para a pândega das companhias aéreas que passaram a vender passagens e a proliferar vôos sem o devido aperfeiçoamento da infra-estrutura. A mesma desregulamentação indicada nos códices do Consenso de Washington e que está na raiz mais profunda do atual pânico financeiro mundial.

Enfim, tal é o rol de malfeitorias tucanas que não consigo reprimir os engulhos na alma quando, por exemplo, escuto Arnaldo Jabor (o ex-cineasta que deixou de dirigir filmes justamente depois que o governo Collor secou a fonte de verbas estatais da Embrafilme) bajular FHC e a sua corriola enquanto atribui os bons resultados da política econômica do governo Lula a uma suposta herança benigna legada por FHC. Pois sim. O mesmo FHC cujo governo foi um dos piores já sofridos por esta nação desde que Tomé de Souza desembarcou na Bahia em 1549 e que consegue ser ainda pior como ex-presidente.



Escrito por VT às 20h55
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