O LÁTEGO


The King

Clip do filme "Viva Las Vegas" (1964) - Elvis Presley e Ann-Margret - Música: "C´mon Everybody"



Escrito por VT às 18h32
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27 perguntas a Gilmar Mendes

 

 

 

 

 

 

O amigo e leitor Agenor Filho envia-me mensagem, que circula pela net, com 27 perguntas ao notório Ministro Gilmar Mendes:

 

1. O Sr. sabe algo sobre o assassinato de Andréa Paula Pedroso Wonsoski, jornalista que denunciou o seu irmão, Chico Mendes, por compra de votos em Diamantino, no Mato Grosso? 

2.Qual a natureza da sua participação na campanha eleitoral de Chico Mendes em 2000, quando o Sr. era advogado-geral da União? 

3.Qual a natureza da sua participação na campanha eleitoral de Chico Mendes em 2004, quando o Sr. já era ministro do Supremo Tribunal Federal? 

4.Quantas vezes o Sr. acompanhou ministros de Fernando Henrique Cardoso a Diamantino para inauguração de obras? 

5.O Sr. tem relações com o Grupo Bertin, condenado em novembro de 2007 por formação de cartel? Qual a natureza dessa relação? 

6.Quantos contratos sem licitação recebeu o Instituto Brasiliense de Direito Público, do qual o Sr. é acionista, durante o governo FHC? 

7.O Sr. considera ética a sanção, em primeiro de abril de 2002, de lei que autorizava a prefeitura de Diamantino a reverter o dinheiro pago em tributos pela Faculdade de Ciências Sociais e Aplicadas de Diamantino, da qual o Sr. é um dos donos, em descontos para os alunos? 

8.O Sr. tem alguma idéia por que, das mais de 30 ações impetradas contra o seu irmão ao longo dos anos,  nenhuma chegou sequer à primeira instância?

9.O sr. tem algo a dizer sobre a afirmação de Daniel Dantas de que só o preocupavam as primeiras instâncias da justiça, já que no STF ele teria "facilidades" ? 

10.O segundo habeas corpus que o Sr. concedeu a Daniel Dantas foi posterior à apresentação de um vídeo que documentava uma tentativa de suborno a um policial federal. O Sr. não considera uma ação continuada de flagrante de suborno uma obstrução da justiça que requer prisão preventiva? 

11.Sendo negativa a resposta, para que serve o artigo 312 do Código de Processo Penal, segundo a sua opinião? 

12.Por que o Sr. se empenhou no afastamento do Dr. Paulo Lacerda da ABIN? 

13.Por que o Sr. acusou a ABIN de grampeá-lo e até hoje não apresentou uma única prova? A presunção de inocência só vale em certos casos? 

14.Qual a resposta do Sr. à objeção de que o seu tratamento do caso Dantas contraria claramente a súmula
691 do próprio STF? 

15.O Sr. conhece alguma democracia no mundo em que a Suprema Corte legisle sobre o uso de algemas? 

16.O Sr. conhece alguma Suprema Corte do planeta que haja concedido à mesma pessoa dois habeas corpus em menos de 48 horas? 

17.Por que o Sr. disse que o deputado Raul Jungmann foi acusado"escandalosamente" antes que qualquer documentação fosse apresentada? 

18.O Sr. afirmou que iria chamar Lula "às falas". O Sr. acredita que essa é uma forma adequada de se dirigir ao Presidente da República? O Sr. conhece alguma democracia onde o Presidente da Suprema Corte chame o Presidente da República "às falas"? 

19.O Sr. tem alguma idéia por que a Desembargadora Suzana Camargo, depois de fazer uma acusação gravíssima, e sem provas, ao Juiz Fausto de Sanctis, pediu que “a esquecessem" ? 

20.É verdade que o Sr., quando era Advogado-Geral da União, depois de derrotado no Judiciário na questão da demarcação das terras indígenas, recomendou aos órgãos da administração que não cumprissem as decisões judiciais? 

21.Quais são as suas relações com o site Consultor Jurídico? O Sr. tem ciência das relações entre a empresa de consultoria Dublê, de propriedade de Márcio Chaer, com a BrT? 

22.É correta a informação publicada pela Revista Época, no dia 22/04/2002, na página 40, de que a chefia da então Advocacia Geral da União pagou R$ 32.400,00 ao Instituto Brasiliense de Direito Público, do qual o Sr. mesmo é um dos proprietários. para que seus subordinados lá fizessem cursos? O Sr. considera isso ético? 

23.O Sr. mantém a afirmação de que o sistema judiciário brasileiro é um "manicômio"? 

24.Por que o Sr. se opôs à investigação das contas de Paulo Maluf no exterior? 

25.Já apareceu alguma prova do grampo que o Sr. e o Senador Demóstenes Torres denunciaram? Não há nenhum áudio, nada? 

26. V.Exa. confirma ou desmente a informação abaixo?

Como Peru de Natal 

(Adriana Vandoni) O leitor que assina "To fora" me alertou para uma observação feita pelo jornalista Helio Fernandes, em sua coluna de hoje no jornal A Tribuna, que, se comprovada, é um acinte à moralidade do judiciário brasileiro. Mas um cometido pela mesma pessoa. Segundo o jornalista, o ministro Gilmar Mendes, presidente do STF, passou o natal na casa do advogado de Daniel Dantas. Ele termina seu artigo com a questão: "Passar o Natal na casa do advogado de Daniel Dantas, como fez o ministro Gilmar Mendes, é prova de "boa conduta?". 

Juridicamente até pode existir uma norma que legitime tal ato, afinal, nada mais normal que uma pessoa passar o natal na casa de amigos. Mas esta situação, se confirmada, é totalmente amoral. É um deboche à população brasileira. O comportamento deste ministro não chega a me escandalizar, seus atos são exatamente na medida do que eu esperava dele. 


27. V.Exa. em seus momentos de reflexão e humildade, se é que os tem, já se questionou sobre seus verdadeiros méritos para chegar ao honroso cargo de Ministro da mais alta corte de justiça do país? Se o Brasil inteiro sabe que lá chegou pela catapulta da amizade e do poder político ? 

 

Renato de la Rocha

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



Escrito por VT às 17h44
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Vale comete grossa injustiça I

O Látego une-se à campanha iniciada no Blog do Walmir em favor da comunidade Noiva do Cordeiro, em Minas Gerais, injustiçada pela Companhia Vale do Rio Doce. Ao que parece, para a Vale, consciência social só é útil como tema de agüadas campanhas na mídia para fazer média com a opinião pública.

 

Em ação incompreensível a Vale retirou o canal de satélite que permitia à comunidade Noiva do Cordeiro  ter acesso à internet.

Noiva do Cordeiro é o melhor exemplo de comunidade que eu conheço.

 

Há uma comunidade socialista no interior de Minas Gerais.

Chama-se Noiva do Cordeiro.

No fim do século XIX, a jovem Maria Senhorinha de Lima, nascida no povoado de Roças Novas, distrito de Belo Vale, casou com um descendente de franceses, Arthur Pierre. Infeliz no casamento, deixou o marido e foi morar com o moço Chico Fernandes no local onde acabou sendo criada a comunidade.

Aquela atitude deixou a população escandalizada e os poderes públicos e religiosos irados. Que direito tinha aquela mulher de abandonar o marido e juntar-se ao homem que amava e amou por toda a vida?  

E veio a revanche, a vingança.

Padre Jacinto – santo homem como era conhecido – excomungou-a e à sua descendência até a quarta geração.

Com a excomunhão veio a difamação.

Mesmo quando visitava os parentes, Chico Fernandes não podia dormir dentro da casa deles, era obrigado a dormir no paiol. Era um adúltero também.

Ainda assim, o casal seguiu sua vida, gerou filhos e filhos, fizeram larga descendência, e a comunidade cresceu.

Cresceu, mas o preconceito e o isolamento também cresceram junto. As mulheres, quando iam à cidade de Belo Vale, sede do distrito, eram chamadas de prostitutas. As crianças podiam freqüentar a escola, mas eram apartadas do convívio com outras crianças, ninguém falava com elas, de modo que muitas deixaram de se formar.

Por volta dos anos 1940, o pastor Anísio Pereira se apaixonou por uma das netas de Maria Senhorinha, a jovem Delina, casou-se com ela fundou a Igreja Evangélica Noiva de Cordeiro, que deu o nome do lugar.

Os preceitos dessa Igreja eram duros, restritivos, as mulheres não podiam usar maquiagem, não podiam cortar os cabelos, controlar a natalidade, música era proibida, tinham que usar vestidos compridos.

E havia o jejum. Obrigatório. Dois dias inteiros por semana. E uma hora de oração matinal todos os dias. Aquilo prejudicava o trabalho.

Apartados da fé católica, o preconceito crescia contra eles na cidade de Belo Vale e nos povoados vizinhos. Difícil para os homens conseguirem trabalho, ainda mais que eram limitados pelos dois dias semanais de jejum. Foi uma época longa de duras privações.

As mulheres da comunidade começaram a perceber que a Igreja não trazia tantos benefícios e que, pelo contrário, dificultava a vida e o sustento e, aos poucos, se afastavam dela.

Então uma das filhas de Delina e do pastor Anísio casou-se.

Para a festa do casamento exigiu música. Bateu o pé, queria porque queria.

Foi contratado um sanfoneiro.

Crianças que nunca tinham ouvido música na vida gostaram. Dançaram. Todos entraram naquele forrozinho.

A partir daí, a igreja definhou, até que foi derrubada; no seu lugar ergueram o bar da comunidade onde se reuniam para cantar, dançar, para se divertir.

Simbólico - no lugar da igreja opressora um espaço de convivência e alegrias.



Escrito por VT às 21h10
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Vale comete grossa injustiça II

Em ação incompreensível a Vale retirou o canal de satélite que permitia à comunidade Noiva do Cordeiro   ter acesso à internet.

Noiva do Cordeiro é o melhor exemplo de comunidade que eu conheço.

 

Excomungadas pela igreja católica derrubaram a igreja evangélica e passaram a viver uma vida sem religião – mas com muita fé em Deus -, sem dogmas e sem formalidades.

Namoram, casam.

Se uma jovem quer casar-se com véu e grinalda eles organizam tudo. Um veste-se de padre, outros fazem papel de padrinhos, encenam o casamento.

Se não, há uma cerimônia em que falam os pais, os amigos, os noivos e estão casados.

Se não querem mais continuar casados, separam-se.

“Aqui nunca houve traição”, me conta o Iran.

Pelo domingo, à tarde, fizeram brincadeira de “como é a música”. O Celso cantava a música e em certo momento parava. Era auxiliado por outro rapaz que ia passando as páginas onde estavam escritas as letras das músicas. Aí um grupo tinha de continuar, dizendo pelo menos uma seqüência exata de sete palavras que completavam a letra da música. Um grupo competia com outro. Pois o Celso, o que cantava – e têm bom equipamento de som – vai se casar com a Taninha. E o rapaz que o auxiliava fora casado com Taninha. Tivera com ela um garoto espoleta, o Marco Antônio, agora com oito anos. E todos se dando muito bem.

Onde uma coisa assim pode acontecer com naturalidade? Não sei de nenhum outro, a não ser lá.

Delina me disse: “Professor, aqui nunca tem discussão, não é briga não, discussão”. E penso que não tem mesmo. Nos dias que passei lá não ouvi um palavrão, uma palavra ríspida.

Pode parecer que exagero, eu mesmo, muitas vezes duvido do que vi. “Será que encenaram para mim?”.

“Não é possível”, penso depois. Cheguei lá de supetão, sem convite e, num instante estava à mesa com eles almoçando, um quarto preparado pra eu descansar, as conversas. Uma naturalidade estarrecedora.

Há inúmeros bebês, acredito que uns oito. Eu não conseguia saber quem era filho de quem. Todos cuidavam de todos. Só perguntando pra saber. E tanto quanto as mulheres os homens cuidam deles. Vão passando de mão em mão. Não choram. Minha mulher falou: “Acho que esses meninos são mudos. Eles não choram, não?”

Voltando:

Esta vida desligada dos dogmas das igrejas – e ainda assim profundamente religiosa - dificultou a integração com os outros povoados, com a sede do município. As mulheres eram consideradas prostitutas, mulheres perdidas, submetidas a constantes humilhações. Os homens casados com elas eram criticados, voltavam para casa humilhados, às vezes furiosos.



Escrito por VT às 21h10
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Vale comete grossa injustiça III

Em ação incompreensível a Vale retirou o canal de satélite que permitia à comunidade Noiva do Cordeiro   ter acesso à internet.

Noiva do Cordeiro é o melhor exemplo de comunidade que eu conheço.

 

Liderados por Delina, aquela jovem que se casara com o pastor Anísio, homens e mulheres da comunidade Noiva do Cordeiro suportaram os piores anos de exílio com paciência e trabalho, com solidariedade e, pouco a pouco, organizaram-se.

Tudo o que produzem é de todos. As terras, as casas, o produto do trabalho.

As mulheres dizem com orgulho que “somos nós”.

E dividem tudo entre si.

Eu e minha mulher levamos uns presentes da segunda vez que fomos lá.  Sorteamos. Uma delas recebeu um “kit  descanso”, travesseirinho que se põe sob a nuca e saquinho de cereais aromatizados que se põe sobre os olhos ao deitar. No dia seguinte ela levantou-se alegre e passou o kit a outra. “Hoje é sua vez de descansar com ele, Nelma.”

As roupas das crianças são lavadas, passadas, empilhadas. De um lado estão as roupas dos menores em sucessão de tamanhos até a roupa dos maiorzinhos. Nenhum deles tem a “sua” roupa. Até isto é dividido. Esta divisão prática e fraterna é, eu penso, um dos inícios da educação comunitária que está presente em tudo, a todo instante.

Uma parte dos homens mora na comunidade, outra parte trabalha em Belo Horizonte em algumas metalúrgicas e no Ceasa.

Vindos de uma cultura comunitária, criaram também sua comunidade em Belo Horizonte. Trata-se de uma casa no bairro Pindorama onde moram juntos.

Viajam segunda-feira para Belo Horizonte e voltam na sexta-feira para Noiva do Cordeiro.

Com os ganhos do trabalho em Belo Horizonte complementam a renda da comunidade.

Em Noiva do Cordeiro cada um faz a atividade que gosta, e faz bem. Escolhem entre fábrica de roupas, cozinha, limpeza, criação, horta, etc.

Só nas épocas de mutirão na roça todos se juntam.

Aí é uma festa de mulheres em maioria no plantio, capinas e colheita. Orgulham-se muito de suas roças.

O paiol vive repleto.

Contaram, mostraram: têm arroz ainda da safra de 2005. O excedente de milho e feijão é vendido.

Elas detestam sair de lá.

“Uma vez fui a Belo Horizonte. Entrei numa loja pra comprar e deixei minha carteira no balcão. Roubaram ela. Hoje, quando vou lá, ando agarrada com a minha bolsa na Avenida Afonso Pena com medo de ser roubada outra vez”.

Os novos casais constroem suas casas em volta da grande casa da comunidade.

Nesta casa todos se juntam para as refeições, para as diversões de teatro, advinhas, baralho, etc - para tomar decisões presididas por Delina, por sua filha Rosa – hoje vereadora eleita com os votos da comunidade – e pelo Iran, presidente da Associação Comunitária.



Escrito por VT às 21h09
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Vale comete grossa injustiça IV

Em ação incompreensível a Vale retirou o canal de satélite que permitia à comunidade Noiva do Cordeiro   ter acesso à internet.

Noiva do Cordeiro é o melhor exemplo de comunidade que eu conheço.

 

Em Noiva do Cordeiro há cinco grupos de teatro que eles, curiosamente, dividem em Romance, Drama e Comédia e fazem festival anual. Inventaram seu próprio teatro que começou para instruir atitudes e hoje se expandiu para reforço da história da comunidade, para a invenção cênica. Um teatro ingênuo, comovente e divertido que emociona a comunidade inteira dentro do grande salão da Casa da Comunidade.

As mulheres que conseguiram suplantar as humilhações e têm formação de segundo grau criaram uma escola. Nela, duas vezes por semana dão aulas para as que precisam. Mas as crianças, hoje, já freqüentam aulas da escola pública municipal no distrito de Roças Novas.

O preconceito vai sendo vencido.

É uma sociedade socialista e um matriarcado.

O professor Gil Amâncio que foi lá comigo da terceira vez disse: “Walmir, isso aqui só deu certo porque é comandado pelas mulheres”.

Pode ser. A liderança das mulheres é límpida, salta aos olhos, mas não diminui os homens que se integram a tudo com naturalidade.

Com a Associação Comunitária para correm atrás de recursos e lutam por seus direitos.

Conseguiram a primeira escola de informática do interior de Minas Gerais, através de convênio com o Governo Federal e com a Vale do Rio Doce.

Conseguiram equipamentos para a fábrica de roupas, trator, uma Kombi para transportes emergenciais.

Têm televisão fechada através de antena da Skay. Uma enorme TV de 40 polegadas no salão da Casa da Comunidade, têm carros, boas casas, conforto simples.

Mulheres e homens são bonitos, muito. As mulheres são muito vaidosas, pintam-se, vestem-se com apuro.

Se vocês as virem não irão acreditar que são lavradoras. Saiu uma foto delas na capa da revista da Emater, órgão de apoio do governo de Minas Gerais aos pequenos agricultores. Quem não souber olha e pensa: “contrataram umas modelos para fazer papel de lavradoras”.

A relação entre todos é inacreditável.

Fui surpreendido muitas vezes. Via uma mulher ou homem trabalhando e, de repente outra se aproximava, abraçava, fazia um carinho e voltava à sua tarefa.

E trabalham em bando, vivem em bando. 

Riem e se emocionam com uma facilidade perturbadora.

Fizeram um vídeo, eles mesmos – há um adolescente lá, fera em informáticas e toda sorte de bugigangas eletrônicas – contando a história/estória deles. Filmaram, ele editou no computador, colocou legendas pois o som é confuso. Já devem ter visto o vídeo centenas de vezes e todas as vezes riem e choram.

Vivem a vida de uma sociedade socialista criada na prática, sem nunca terem lido nenhum teórico, nem sabido dessas palavras – socialismo e comunismo – que abalaram o mundo. Não se isolaram da vida das outras pessoas, comunidades, cidades.

Não é comunidade fechada.

Não é comunidade unida por religião, nem é comunidade como a dos quilombos.

Tive vontade, ou melhor, pensei em levar lá o João Pedro Stédile, líder dos Sem Terra, para ele ver o que é, de verdade, uma prática comunitária, socialista ou comunista, seja que nome se queira dar.

Eles estão além de qualquer sociedade que eu conheço.

Fundam-se em cultura própria e em amorosidade.

Quando saio de lá eu penso: “o ser humano tem salvação”.

Voltando:

São praticamente auto-suficientes.

Se a Bovespa quebrar, se a crise econômica atual atingir picos intoleráveis para eles pouco vai mudar.

Bastam-se com seu trabalho. Continuarão tendo casa, comida na mesa e boa convivência.

As crianças são bem cuidadas, os adultos trabalham, os idosos não precisam de asilos. Vivem lá assistidos de uma forma comovente. Vivem em suas próprias casas e as mulheres se revezam: cada dia uma vai lá ficar com eles.

O vivente humano tem salvação.



Escrito por VT às 21h09
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Vale comete grossa injustiça V

Em ação incompreensível a Vale retirou o canal de satélite que permitia à comunidade Noiva do Cordeiro ter acesso à internet.

Noiva do Cordeiro é o melhor exemplo de comunidade que eu conheço.

 

Agora uma injustiça: a Companhia Vale do Rio Doce – a Vale - terminado o contrato em que, de parceria com o governo federal mantinha um canal de satélite aberto para Noiva do Cordeiro, simplesmente o desligou.

E Noiva do Cordeiro está sem internet.

Faço daqui um apelo a todos quantos possam interferir a favor deles.

Ao presidente Lula, ao governador Aécio, ao Ministro das Comunicações, ao meu amigo Fuad Nomam,  à Vale, à Rede Globo que, através da GNT fez um belo documentário sobre a comunidade, ao jornalista Luiz Nassif, ao Rovai, à Miriam Leitão, ao Mino, ao conterrâneo Idelber do Biscoito Fino.

Conto com os meus manos blogueiros de todo o Brasil: Jurandir, Mestre Aderaldo, Liliana, Lelena, Daniel Marques, Prof. Edilson, Srta. Roberta, Manuca do Delícia de Abacaxi de Recife, Vera do Serenade, Vinícius Tavares do Látego de Fortaleza, Antônio Claudino do Preto no Branco, Betina, Dayane, Adélia e tantos outros.

Apelo também aos meus leitores para que divulguem, apelem a autoridades, empresas.

Um Satélite a comunidade da Noiva do Cordeiro não pode conseguir por si.

E olha, rapaz, não são só eles que merecem e têm direito.

Somos nós, brasileiros, que temos o dever de ajudá-los.

Uma comunidade assim é patrimônio de todos.

Aquelas mulheres e homens foram exilados em sua gênese por uma excomunhão da igreja católica.. Não podem, agora, na época da inclusão digital, ser excomungados da internet pela Vale e por descuido dos nossos governos.

 



Escrito por VT às 21h08
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TV Câmara: Caso Protógenes-VEJA

No site da TV Câmara encontrei este interessante vídeo de um debate entre os jornalistas Leandro Fortes (Carta Capital) e Jailton de Carvalho (O Globo). De forma equilibrada e chamando à atenção alguns princípios do bom jornalismo, ambos questionam a qualidade, as motivações e o jogo de interesses envolvidos nas denúncias de supostas ilegalidades cometidas pela Polícia Federal e pela ABIN na Operação Satiagraha, nas tentativas de desmoralização do delegado Protógenes Queiroz, na CPI dos Grampos e no comportamento da imprensa, em geral.

Clique aqui para assistir.




Escrito por VT às 16h38
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Onde houver certeza que eu semeie a dúvida.

Pra ser sincero, de forma nenhuma me convence esse recente surto moralizador do senador pernambucano Jarbas Vasconcelos contra a corrupção enraizada no seu partido, o PMDB,  a horrorizar a mídia nacional, subitamente informada da existência da devassidão na vida política brasileira. É claro que só um demente para desconhecer a importante contribuição do PMDB na manutenção do fabuloso edifício de corrupção, clientelismo, fisiologismo e, acima de tudo, chantagem política do quadro partidário brasileiro. Mas, se levarmos em consideração que o senador é dos mais ativos prosélitos do apoio do seu partido ao governador paulista José Serra dentro daquela minoria peemedebista alcunhada de banda tucana e que, por esse mesmíssimo motivo, não anda lá muito prestigiado no PMDB e nem na política do seu estado, fica muito difícil ignorar o nauseabundo cheiro de oportunismo político a arrimar a sua atitude, bem como a ensurdecedora intenção de melar um possível apoio do partido ao candidato de Lula nas próximas eleições presidenciais. Ainda mais quando tal manifestação de indignação se utiliza das páginas da VEJA, revista de solertes antecedentes éticos e nítido viés político-partidário em quase tudo que publica. Assim, assomam na mente inarredáveis dúvidas: o honrado senador faria tal escarcéu se o PMDB apoiasse uma eventual candidatura ou um eventual governo de José Serra? Por que o mesmo não usou o trombone moralizador ao tempo do governo FHC quando o seu partido, já entrado em anos de práticas imorais, apoiava maciçamente o governo pessedebista? E o indispensável mea culpa por todos esses anos de conivência, onde está?



Escrito por VT às 12h44
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Clarinha cante o que voê quiser!

Juro que eu procuro ter a maior boa vontade com a Ivete Sangalo, mas aí eu lembro da Clara Nunes e vai tudo por água abaixo...



Escrito por VT às 20h49
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Para desmascarar a hipocrisia

 

Há quem diga que eu sou muito severo com os tucanos e com o papa. Ou que eu pego demais nos pés deles, às vezes até injustamente. Ora, ocorre que da mesma forma que eu não hesito em lançar chicotadas vocabulares no santo lombo sempre que eu perscruto os pés de bode por baixo da batina de Sua Santidade, não posso me furtar a desmascarar a farsa de um partido enormemente corrupto e incompetente, quando no poder, mas cujos membros e lideranças persistem a exibir-se como o creme da eficiência administrativa e da seriedade política ao mesmo tempo em que berram a todo instante um discurso pseudomoralista de intensas afetações udenistas. Tudo com o apoio despudorado dos acólitos da grande imprensa. Como essa turba agora deu pra torcer contra o país e anunciar diuturnamente a iminente e sempre adiada chegada do grosso da crise ao país, resolvi, aqui, de látego em punho, relembrar algumas gemas do genuíno currículo pessedebista. Os fatos:

Muita gente não lembra ou faz questão de esquecer que FHC, em seu primeiro mandato e ao contrário do que muitos apregoam, adotou uma política fiscal irresponsável, mantendo o real artificialmente valorizado ao mesmo tempo em que aumentava enormemente os gastos públicos e a carga tributária. Enquanto isso, a excelsa iniciativa privada comprava estatais com dinheiro público emprestado do BNDES a juros baixos. Tudo com intenções "reeleitoreiras". Deu no que deu. O país quebrou em 1998 e, para salvar a reeleição do príncipe, o FMI compareceu com US$ 41,5 bilhões divididos em parcelas. Será que algum leitor lembra aquela patética e vergonhosa entrevista coletiva, em Brasília e em fevereiro de 1999, quando o então diretor do fundo, Stanley Fischer, literalmente ditou as regras, em inglês, que o governo brasileiro deveria seguir para receber o restante de grana? Pedro Malan, sentado ao lado, calado estava e calado ficou. Assim como a maior parte da mídia.

Daí então, os "competentes" gerentes tucanos seguiram privatizando, desregulamentando, cortando gastos, fazendo rigorosamente tudo de acordo com os paradigmas do mais genuíno wishful thinking. Resolveram o problema? Claro que não! Em agosto de 2002 quebramos novamente e só não viramos uma Argentina porque veio de novo o FMI, desta vez com US$ 30 bilhões e outro catecismo prontamente apresentado a um por um dos candidatos a presidente no pleito daquele ano. Não era o caso de se louvar a generosidade do fundo com um país tão contumaz. Na verdade, tal desvelo devia-se unicamente ao enorme prejuízo já tomado pelos bancos americanos com a crise argentina. Sorte nossa e azar dos "hermanos" com os quais o FMI não teve o menor recato em levar ao pé da letra aquela história de relações carnais.

Nas relações externas, uma política de rococós e rapapés totalmente fútil e inútil, exceto para FHC pavonear-se enquanto colecionava títulos de Doutor Honoris Causa em universidades estrangeiras.

Quanto à corrupção, lembremos que Marcos Valério deu início à sua solerte atuação nos bastidores do governo tucano. Além disso, ao longo daquela octaetéride, a Polícia Federal foi mantida manietada e submetida a um jejum de verbas. Foi, ainda, o período de esplendor de Daniel Dantas, o corruptor-geral do país, cujo HD pode tornar imprescindível uma nova proclamação da república. E tem mais: em 2002, FHC, por motivos políticos (afinal de contas a candidata a vice de Serra era a capixaba Rita Camata) bloqueou a intervenção federal no governo do Espírito Santo, recomendada por unanimidade pelo Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH) para o combate eficaz ao crime organizado incrustado em todos os níveis de poder daquele estado. Tal atitude, digna de processo penal, levou à renúncia do então Ministro da Justiça, Miguel Reale Jr. O foro privilegiado foi outra invenção dos laboratórios tucanos para impedir que qualquer membro do governo FHC, incluindo o próprio, pudesse ser constrangido a responder processo diante de qualquer promotorzinho ou juizinho mais insolente de algum estado da federação. Por isso também um dos atos mais desastrosos do governo fernandista: a indicação do sinistro Gilmar Mendes para as bancas do Supremo Tribunal Federal.

A culpa pelo caos aéreo foi inteiramente jogada nas costas do governo Lula quando, na realidade, foi a conseqüência mais solar da desregulamentação do setor empreendida por FHC e seus comparsas para a pândega das companhias aéreas que passaram a vender passagens e a proliferar vôos sem o devido aperfeiçoamento da infra-estrutura. A mesma desregulamentação indicada nos códices do Consenso de Washington e que está na raiz mais profunda do atual pânico financeiro mundial.

Enfim, tal é o rol de malfeitorias tucanas que não consigo reprimir os engulhos na alma quando, por exemplo, escuto Arnaldo Jabor (o ex-cineasta que deixou de dirigir filmes justamente depois que o governo Collor secou a fonte de verbas estatais da Embrafilme) bajular FHC e a sua corriola enquanto atribui os bons resultados da política econômica do governo Lula a uma suposta herança benigna legada por FHC. Pois sim. O mesmo FHC cujo governo foi um dos piores já sofridos por esta nação desde que Tomé de Souza desembarcou na Bahia em 1549 e que consegue ser ainda pior como ex-presidente.



Escrito por VT às 20h55
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Feliz 2009!



Escrito por VT às 19h14
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Gol do tetra (1975/1976/1977/1978)

Em 20/12/1978, o Vozão sagrava-se tetracampeão cearense com um gol histórico do "pentaesquerda" Tiquinho aos 44 minutos do 2° tempo. Ceará 1 X 0 Fortaleza. O Castelão quase foi abaixo com a vibração da maior torcida do estado. Ao final, fazendo jus à tradição de não saber perder, o time colorido partiu pra briga. A narração, talvez a mais reproduzida da história do futebol mundial, é do radialista Gomes Farias. Coisa pra fazer torcedor colorido convulsionar de inveja. 

Infelizmente, hoje, o herói do título, muito doente, passa por dificuldades financeiras atrozes. Quem quiser ajudar o Tiquinho com alimentos, remédios, material de higiene pessoal, ou, até mesmo, uma cadeira de rodas, pode ligar para (085)88303991 ou (085)99244428.



Escrito por VT às 10h28
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O tempo não pára

Abri o UOL para ver as notícias neste final de tarde e dei logo de cara com a imagem do jornalista iraquiano jogando um sapato no Bush. Aí foi muito riso.  Só um presidente muito cretino como o Bush pra levar uma sapatada. Depois fiquei a meditar sobre o tempo e as suas manias. Principalmente, esta de levar abaixo até o prestígio do cargo mais poderoso do mundo.

Houve uma época em que o protocolo exigia nada menos do que um fuzil ou, no mínimo, uma pistola, além de muito planejamento e engenhosidade, para qualquer tentativa de agressão ao Chefe de Estado americano. Eram outros tempos. Quando o cargo ainda exalava majestade. Hoje, a possível decadência do império ianque em conluio com a mediocridade dos últimos presidentes, principalmente do atual, fez afrouxar as convenções, obrigando-nos a assistir o vil espetáculo de um presidente estadunidense, em pânico, pondo-se torpemente de cócoras para livrar-se de uma prosaica sapatada. Humilhante.

 

 

 

 



Escrito por VT às 00h08
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Lembra-te que és pó e ao pó voltarás ou para desmitificar a morte

Foi depois de ler um belo artigo no Blog do Walmir que resolvi escrever este outro. Talvez o mais fascinante, neste negócio de blogs, seja a oportunidade de esbarrarmos com gente interessante que anda, ou melhor, navega por aí, na net, distribuindo simpatia e inteligência em doses fartas. E o Walmir é daqueles que me fazem lamentar porque não me iniciei neste ofício antes. Ele é mineiro, mora em "Belozonte" e é artista: ator, autor, diretor e professor de teatro. Como todo artista digno do nome, o meu colega blogueiro é possuidor de uma sensibilidade transbordante, caudalosa, a jorrar dos seus textos como um cano d΄água furado no meio da rua. Mas, ao contrário da água desperdiçada, esta sensibilidade transmuta-se em poesia, humor e reflexões ao mesmo tempo generosas e instigantes. Pois bem. O amigo recentemente resolveu escrever sobre a morte. Ou, por outra, deitar fora as suas íntimas angústias a cerca do final da vida. E aí, pá! Cai-nos um belo texto na cabeça. Valeu irmão!

Bom. Eu não sou artista e sou mais dado à ciência "científica". O que não me impede de perceber, apreciar e absorver a cutilada instigadora do amigo das Gerais. E o tema da morte é por demais instigante. E interessante.

Como todo mundo, eu já tive muito medo da morte. E, ao contrário da maioria das pessoas, o que não é lá uma grande vantagem, eu deixei de apavorar-me ou, pelo menos, de preocupar-me com ela. Ou penso que deixei (sabe-se lá o que vai passar pela minha cabeça na hora final...). Claro que eu detestaria ver-me obrigado a exilar-me da vida agora, aos quarenta e três anos, tendo, ainda, filhos e muitos planos para florir. No entanto, desde o meu início, na faculdade de medicina, eu fui aprendendo a conviver naturalmente com a irremovível perspectiva do final da vida. Afinal de contas, é preciso aprender a ter naturalidade para, por exemplo, ir almoçar depois de uma aula de anatomia humana entre cadáveres. A opção era passar fome até o final do curso.

Então, depois de formado, decido pela especialidade de Medicina Intensiva. Resolvi passar os meus quarenta ou cinqüenta anos de vida útil, se tanto, enfurnado em UTI's. Daí que a velha senhora, anteriormente minha generosa fornecedora de material didático, passou a bater ponto comigo diariamente. Virou minha colega de trabalho. Fazer o quê, né? Eu cá, tentando salvar, e ela lá, doida pra levar. E nessa teima, vamos levando a vida. Com sucessos temporários do meu lado e fracassos temporários do lado dela. Sim, ela é mais forte e eu sei que, ao final, os pescoços de todos irão passar pelo fio do seu cutelo. Inclusive o meu. Às vezes, nessa faina, ocorre dela conseguir meter um bocado de bolas pelas minhas costas, mesmo eu não tendo a menor inclinação para fenômeno ludopédico.

Nessas ocasiões, eu tento o acordo: "Tá bom. A madame venceu. Mas deixa, ao menos, eu aliviar o sofrimento"

Pois é. Não sou inclinado a sofrer de emoções fortes no meu trabalho. Frieza? Não. Ainda a naturalidade. O leitor haverá de convir: não poderia, nunca, ter alguma presunção de sucesso, na minha atividade, se eu saísse gritando desesperadamente "Fogo, fogo na floresta!" diante de toda situação extrema. Naturalidade, sim. A par de respeitos e comprometimentos. Assim, no plural.

Acho que já dá para o leitor começar a vislumbrar o motivo da minha austeridade emocional com a morte. Agora, que fique bem clara a saudável contradição: isso em relação à minha pessoa, não em relação às pessoas que amo. Aí é diferente. Eu não sou psicótico. Diante da ausência definitiva e inapelável de alguém amado, não há trincheira mental, ou Linha Maginot psicológica, que faça qualquer ser humano, dito normal, segurar a posição frente aos panzers do desespero.

Mas, se por um lado a convivência diária com a morte me fez, pelo menos até agora, levantar o queixo diante dela; por outro, a boa, velha e, atualmente, tão destratada ciência, alumiou-me algo da sua natureza.

Em artigo neste blog (04/12/2006), declarei o meu ateísmo resoluto. Ao contrário do que parece aos crentes, a condição de ateu supriu-me ainda de mais mecanismos psicológicos para conter os rebuliços da alma (sensu lato) diante da finitude. Com efeito, e não quero parecer arrogante, todas as diligências religiosas e espirituais para explicar, interpretar, auscultar, cheirar e apalpar a natureza da morte parecem-me apenas patéticas. E olhe que, por mais difícil que possa aparentar, eu sou das raras pessoas que já leu a maior parte da Bíblia de frente pra trás e de trás pra frente. Meu pai dizia, por essa época, que eu ia acabar doido. Talvez ele acabe por ter razão.

Aí um dia, sem nada pra fazer (e, conforme deu a entender Bertrand Russel, o ócio é o pai ou a mãe das idéias que valem a pena e, acredito, das que não valem também), deu-me o estalo. Tive o meu prenúncio particular da Navalha de Occam numa época em que eu nem imaginava que tal conceito filosófico pudesse existir. Pra que complicar? Pra que construir estupendos castelos conceituais, metafísicos, religiosos, filosóficos, o diabo nas nuvens existenciais, senão para nos deleitarmos com as criações dos poetas, dos romancistas e dos filósofos? Talvez na simplicidade estivesse a chave de tudo. Vamos a ela.

A morte, antes de tudo, é decorrência do surgimento, em algum momento da evolução da vida, do modo sexuado de reprodução. Tecnicamente, não se pode afirmar peremptoriamente que um ser unicelular morra. Ele simplesmente se divide em dois e a vida continua. Isso teoricamente pode continuar a ocorrer indefinidamente enquanto as condições físico-químicas do seu microambiente permanecerem estáveis. Para os organismos pluricelulares, as coisas são mais complicadas. Não dá, de forma alguma, para eles saírem por aí se dividindo aos pares. O gasto de energia seria tremendo o que inviabiliza tal procedimento. A solução foi se dividirem por sexo. Macho e fêmea copulando alegremente e gerando filhos foi a solução encontrada pela evolução. No entanto, seria meio complicado para a família ficar ali, procriando e aumentando sempre. Em algum momento, todo mundo morreria por falta de espaço e de alimento. Tornou-se mais do que necessário o desaparecimento dos pais para que a espécie pudesse dar seguimento ao seu florescimento. Simples? Pois é.

Explicado o motivo biológico, falta explicar o mecanismo geral físico ou, melhor dizendo, termodinâmico.

Se nos reportarmos àquela física do segundo grau, pra muita gente inútil, poderemos nos reencontrar com o conceito de entropia. Pra quem não lembra, entropia é a "propriedade", digamos assim, que faz o universo e tudo o que nele está contido evoluir sempre e continuamente para o seu estado mais desorganizado e mais simples. Quanto mais desorganizado estiver um objeto ou sistema, maior a entropia do universo. Não tem jeito. Todas as coisas, vivas e não-vivas, do universo, inclusive o próprio, evoluirão para o estado de caos total.

No entanto, nem tudo está perdido. Há uma forma de driblarmos esse armagedon termodinâmico, pelo menos temporariamente. Basta liberarmos energia. Imaginemos um belo automóvel, novinho em folha. Se o dono for negligente e o abandonar sem manutenção, na garagem de casa, o que acontecerá com ele? Será progressivamente destruído pela ferrugem e pelas intempéries. Com tempo suficiente, ele desaparecerá totalmente, com os componentes da sua estrutura reduzidos ao mais completo e mais simples estado de desorganização ao mesmo tempo em que o universo ganhará entropia.

Para manter o carro nos trinques é preciso que alguém libere (gaste) energia, limpando-o, pintando-o, consertando-o, botando-o pra funcionar e por aí vai. Porém, para que o dono do carro, e qualquer ser vivo na lida diária da vida, possa liberar a benfazeja energia, as suas células terão que desorganizar uma enorme quantidade de moléculas de ATP, os reservatórios celulares de energia. A fim de que o proprietário do automóvel não morra depois de limpar ou consertar o seu valioso bem, é necessário repor os estoques de energia na forma de ATP. Pra isso, ele tem que se alimentar. Ou seja, ele desorganiza quase que totalmente a estrutura de outro ser vivo para contribuir com a sua cota de entropia ao universo (Desorganização por desorganização, antes ele do que eu!). Em troca permanece vivo. Mas só por algum tempo.

À medida que o tempo passa, o organismo de qualquer ente vai envelhecendo, ou ele adoece gravemente, ou ainda, sofre uma ocorrência suficientemente lesiva e, com isso, perde subitamente ou progressivamente a capacidade de honrar as suas obrigações fiscais com o universo. Assim como no caso da Receita Federal, não há jeito do mundo abrir mão de receber a entropia devida. Se alguém não tem como pagar, que pague com a sua própria estrutura orgânica. A morte sobrevém e a decomposição do corpo de um organismo morto nada mais é do que o regresso ao estado mais simples e desorganizado com o universo saciando-se em entropia. Morto, porém, com honra, sem nada a dever.

"Lembra-te que és pó e ao pó voltarás". O cabra que escreveu isto já devia manjar alguma coisa de termodinâmica. Eu acrescentaria: "O universo não está em aí".

 O leitor pode até achar tudo isso simplório e sem graça frente às elucubrações filosóficas e espirituais. Se acreditar em mim, pode, ainda, ficar angustiado. Eu respondo apenas dizendo que as idéias mais simples são as que mais impulsionam o conhecimento humano no rumo do que de mais profundo possa existir na natureza. Por isso elas são elegantes e belas. Quanto à angústia, valho-me novamente da ciência que nos informa do tremendo derramamento de endorfinas nos receptores neuronais do cérebro na iminência da passagem derradeira, provocando, no moribundo, uma pacificadora e feliz sensação de conforto e prazer. É isso! Provavelmente a morte é um grande tesão... Será que ajuda?

 



Escrito por VT às 02h20
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Sobre pentacampeonato, mentalidade gerencial e macacos desvairados

 

 

Eu ainda não pretendia vir aqui comentar a recente decisão do TJD-CE sobre a questão do pentacampeonato do Vozão. Esperava a homologação dos títulos de 1915-1916-1917-1918-1919 pela Federação Cearense para orgulhosamente comparecer neste blog, usando esporas e penacho, empedernido como um Dragão da Independência, celebrar a reparação da injustiça histórica e o resgate de um título inédito no futebol cearense, além de deitar gozação na dor de cotovelo da torcida rival, é claro. No entanto, hoje de manhã, zanzando na net, dei com os burros num "post" ("O penta e uma resposta") publicado pelo jornalista Fernando Graziani no Blog de Esportes do Jornal O Povo. O Graziani é um jornalista competente, inteligente e, mais importante, honesto num meio que, atualmente, no Brasil e no mundo, não tem se distinguido muito nesta última qualidade. A situação é ainda pior na imprensa esportiva cearense. Mas, deixo este assunto para algum outro "post" futuro, caso eu tenha paciência para fazê-lo.

Pois bem. Voltando ao penta. O que me incomodou, no comentário do jovem jornalista, foi o seu questionamento do motivo da comemoração, para ele exagerada, da torcida alvinegra frente aos problemas financeiros e administrativos do clube. Da mesma forma, não entendeu porque a torcida rival está tão revoltada.

"O que isso muda, de verdade, na atual situação ruim de ambas as equipes?", perguntou o rapaz. Não muda nada, é verdade. Porém, fico a lamentar essa mentalidade gerencial tacanha que tomou conta do futebol (e de outras áreas, também) de uns tempos para cá e que desmerece o reconhecimento oficial de uma conquista importante ao mesmo tempo em que condiciona a felicidade da torcida do Ceará, neste caso, à situação político-administrativo-financeira do clube. Qual o problema da torcida alvinegra comemorar o penta em meio a esses problemas? Uma coisa não tem nada a ver com a outra. E nem a maioria dos torcedores alvinegros deixarão de ter consciência da situação do clube por causa disso. A felicidade do torcedor é sempre espontânea e independe de condições. Além disso, título é pra ser comemorado sempre. E antes que alguém interprete mal as minhas palavras, vou logo deixando bem claro que eu não sou contra a boa administração e a honestidade na condução administrativa dos clubes. Apenas, repudio o exagero de pessoas que desfraldam o tedioso mantra gerencial para justificarem a atuação como bedéis da felicidade alheia. Como diz o velho, chato e verdadeiro clichê: futebol é paixão. Portanto, torcedor não tem obrigação de ser suficientemente sóbrio para analisar o balanço do seu clube de coração antes de deleitar-se com um título de campeão, ou melhor, pentacampeão, mesmo com quase noventa anos de atraso.

Por outro lado, infelizmente, virou mania, na mídia brasileira, esse tipo de análise "séria", "imparcial", "sensata", onde o sujeito se imagina numa posição magistral, empina o queixo e entorna maçantes homilias gerenciais nos cocorutos dos mortais. A origem de tudo é ainda aquele mesmo impulso interesseiro que procura alienar o povão das reais e prementes demandas sociais em prol da ideologia mercadista. Afinal de contas, é muito bonito assistir um analista circunspecto, dizer, com "racionalidade", que "para fazer gastos é preciso, antes, especificar a fonte de recursos". Ou, "o governo tem que equilibrar as contas públicas". Ou ainda, "o governo tem que garantir o superávit". Não é lindo? Tão lindo que contamina do espectador do Jornal Nacional a honestos comentaristas esportivos nos obrigando a agüentar reprimendas pela felicidade da conquista de um título muito esperado.  Seja sincero, caríssimo leitor: você tem notícia de algum governo que, até hoje, tenha equilibrado as contas desde que o primeiro hominídeo africano olhou pro dedão da mão, achou que poderia fazer maravilhas e resolveu descer do pé de manga? Se hoje estamos aqui assistindo a festa da torcida do Vovô é porque, felizmente, naquele longínquo tempo, não havia nenhum analista gerencial por perto para avaliar o desperdício de recursos naturais que aquela empreitada custaria, sentar o chicote no lombo do macacão e mandá-lo subir na árvore de novo (Sobe, macaco! Volta já pro teu equipamento mangífero! Onde já se viu? Estar querendo praticar desperdício de recursos no meio dessa variação climática?)

Se formos fazer um retrospecto dos últimos trinta anos, veremos que essa mesquinha cultura de guarda-livros acabou levando mesmo foi a desastres econômicos do qual o mais recente é apenas o mais grave. Em troca, o mundo ficou chato, tão chato a ponto de, hoje em dia, ser muito feio uma torcida comemorar um pentacampeonato porque as contas do clube não estão em dia. A continuar as coisas desse jeito, melhor será acabarmos com o futebol e voltarmos para os pés de manga.

Em tempo: o garoto da foto é o George, meu filho mais novo, de seis anos e alvinegro de boa cepa como o pai.

 

 



Escrito por VT às 19h55
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O Ali Kamel dormiu nessa.

Esta eu peguei do Conversa Afiada. Retrato, sem tirar nem pôr, da alienação e da falta de horizontes da classe média brasileira. O incrível é que este vídeo foi exibido na Globo. O Ali Kamel devia estar dormindo...



Escrito por VT às 17h28
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Fora Gilmar!

 

Bom, não sei se adianta muita coisa, mas vale a pena colaborar. Corre, na inetrnet, uma petição pelo impeachment do atual Presidente do STF, "Sinistro" Gilmar Mendes. Clique aqui para assinar.



Escrito por VT às 17h17
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Pra começar bem o fim de semana

John Lennon e Paul McCartney cantam a bela "If I "Fell" (Lennon & McCartney) neste raríssimo vídeo do show dos Beatles em Indianápolis (EUA) em 03/09/1964.



Escrito por VT às 20h27
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Eu apóio!

Um dos grandes modismos da atualidade é a mania de se fazer campanhas. É campanha pra isso, campanha pra aquilo, pra ajudar sei lá quem, pra salvar algum bicho e por aí vai. Pois hoje, zanzando pela net, deparei-me com esta interessantíssima campanha lançada por um grupo de mulheres revoltadas com a moderna onda homossexual. Cabra antiquado que sou, vou logo dando o meu entusiasmado apoio.



Escrito por VT às 22h05
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